segunda-feira, 14 de março de 2011

Sócrates falou e disse...




Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla ...(português técnico)
Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...(demagogia) Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...(conversa de chacha) Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...(hipocrisia) Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...(mentira) Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...(aldrabice) Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...(o nariz cresceu 10 cms) Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...(patetice) Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...(falso) Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...(o nariz cresceu mais 5 cms) Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...(oportunismo) Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...(propaganda) Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...(inverdade) Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...(irresponsabilidade) Bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla...(irrealismo) ...

domingo, 13 de março de 2011

Uma recordação (agitada) de BILBAO

Nos anos 80 fui fazer uma reportagem a Bilbao. Passei lá uma semana deliciosa.Bilbao é uma cidade cinzenta, muito industrializada, com dezenas de bancos aglomerados em meia dúzia de ruas, está rodeada por uma cadeia de montanhas e para animar ainda mais a paisagem geral tem um cemitério ao fundo da pista do aeroporto e uma cruz enorme no topo de uma montanha no lado oposto da pista para perpetuar a memória de um desastre de avião. O aparelho não conseguiu elevar-se a tempo, desfez-se contra a serrania e todos acabaram a viagem no "outro mundo". Ah, e naquela altura ainda não havia o Guggenheim para visitar...
O povo basco adora e admira os portugueses. É a única região de Espanha que nutre um sincero respeito por nós. A razão é simples: conseguimos separar-nos definitivamente dos castelhanos após a terrível batalha das Linhas de Elvas e fazer um grande manguito ao Filipe IV deles que mandava em nós como Filipe III até o Miguel de Vasconcelos sair a voar por uma janela. 
O País Basco vivia naquela época uma tremenda turbulência com os atentados da ETA a sucederem-se quase diariamente e a cidade de Bilbao em autêntico estado de sítio. Houve uma tarde em que vi o caso mal parado. Sem querer e sem o saber vi-me arrastado por uma manifestação de "etarras" e, meus amigos, aquilo não tinha qualquer semelhança com o bem comportadinho protesto da Geração à Rasca. Choviam os "cocktails Molotov" incendiários sobre a Polícia, esta ripostava com tiros e granadas de fumos e travavam-se violentos combates corpo-a-corpo entre os agentes da autoridade e os nacionalistas bascos. 
No meio do pandemónio deparei-me com o meu colega fotógrafo António Capela, já falecido,  impávido e sereno a fotografar aquele caos sangrento. Lá escapámos os dois sem sermos atingidos por bastonadas, navalhadas, tiros, granadas ou "cocktails" e refugiá-mo-nos num restaurante a comer um delicioso "pata negra" e a beber uns copos do real tinto "Sangre del Toro". 
Depois de uma semana a trabalhar, a comer do bom, a beber do melhor, a divertir-me nas discotecas com as "terríveis" bascas, a dar umas saltadas a San Sebastian, a apreciar uma inesquecível refeição em Portugalete e a passar incólume por entre as sangrentas manifestações chegou a hora de regressar. Como qualquer ser normal quando viaja, comprei uma recordação da minha estada em Bilbao. O "recuerdo" é que não era muito normal, valha a verdade. Passei por uma montra com o meu amigo José Manuel Freitas, vi um revólver Remington 45 e não resisti à tentação. Desembolsei quase dez mil pesetas mas fiquei feliz da vida com a arma. 
Cheguei ao aeroporto, polvilhado de polícias armados de metralhadores não fosse a ETA tecê-las, com o José Manuel Freitas, que trazia um urso de peluche quase em tamanho real para a filha. Antes de meter a mala no raio-x das bagagens tirei a pistola para fora para a mostrar aos agentes alfandegários. Mal viram a minha recordação da tão acolhedora cidade de Bilbao caíram-me em cima três polícias que me algemaram e trataram como se eu fosse o terrorista mais perigoso do Mundo. E fui preso, obviamente. Interrogaram-me minuciosamente mas atenderem às minhas explicações é que nada de nada, verificaram a arma e toda a gente dentro do avião à espera que o meu problema se resolvesse. Furiosos e impacientes.
No meio dos meus azares, porém, tenho tido alguma sorte. Naquele avião viajava um pessoa importante do nosso país, cujo nome me escuso de revelar, e também o antigo presidente do Sporting, João Rocha, os quais intercederam por mim, pelas minhas boas intenções e também pela minha amada arma. Já livre das masmorras bascas entrei no super atrasado avião (esteve prestes a não descolar naquele dia porque o aeroporto encerrava às 20h00, salvo erro) sob um coro de apupos e vaias, como devem imaginar. A minha linda e querida pistola foi entregue à responsabilidade do piloto. 
À chegada a Lisboa, lá tive de andar outra vez em bolandas com a Polícia. Vocês já descobriram o motivo. Claro, a minha preciosa Remington calibre 45. Mais uma vez quis o destino que eu e ela não nos separássemos. O oficial da Polícia em serviço no aeroporto tinha estado comigo na tropa, em Santa Margarida,  quando fomos mobilizados para Angola e tudo se resolveu para que eu e a minha pistola vivamos juntos e felizes há mais de 20 anos !
Como podem ver na imagem...


"Recuerdo" de Bilbao...:P

sábado, 12 de março de 2011

GERAÇÃO À RASCA com OS IRMÃOS METRALHA



O Conselho de Ministros aprovou mais um PEC

Ainda o PEC III não expirou o seu prazo de validade e os Irmãos Metralha, perdão, o Conselho de Ministros engendrou um PEC IV para tapar os buracos do seu desgoverno  de pírulas desfasados com a realidade do País. Hoje em dia, o Orçamento de Estado de Portugal assemelham-se àquelas jeans rasgadas com cortes nas pernas, tipo Dolce & Gabanna,  deixando à vista do FMI ou de qualquer merceeiro de esquina não só a porosidade das carnes mas sobretudo os buracos nas contas de Texeira dos Santos e da sua fantasiosa aritmética de 2+2=22 para o rebanho do partido e 2+2= -4 para os gentios que vegetam fora das pétalas da rosa socialista.
Perspectiva-se, portanto, um tsunami social, cujo primeiro abalo inundou as principais cidades deste reino de reis e roques sôfregos de poder e mordomias com mais de 300 000 jovens dos 7 aos 77 anos, os mais novos porque estudaram de mais e têm empregos a menos  e os mais velhos que usufruíram de empregos a mais embora com estudos a menos. 
As próximas vagas serão bastante mais alterosas e nada garante que o Ali Babá e os 40 Ladrões se aguentem na onda. A grande maioria dos portugueses está a ser atirada para as catacumbas da fome e da exclusão e a sofrer a desagregação da Saúde, da Justiça e da Educação  até que um dia os desesperados da vida, como os franceses antes da Tomada da Bastilha, assaltem São Bento e Belém e coloquem um ponto final nesta defunta III República. 

sexta-feira, 11 de março de 2011

Já cheguei à China !

Abri o este meu blog há um mês. Mais dia menos noite. Posts banais, despretensiosos, sem publicidade ou indicá-lo a amigos ou conhecidos. Anda por aqui nos labirintos manhosos da world wide web ao sabor do acaso. É um bocadinho da minha ginástica mental. Apesar de toda esta descrição o trokatintasnews.blogspot.com atingiu as 500 visualizações. Hip! Hip! Hurrah! O que me dá gozo em tudo isto é ver os países que acedem aos meus desabafos. Naturalmente que Portugal está no topo e talvez também não seja por acaso que do Brasil também já deram uma espreitadela. Deve ter sido do Carnaval...:P 
No entanto, o segundo país que mais me visita são os Estados Unidos. Hmmm...como sou um bocado rebelde calculo que seja a CIA, o FBI ou os mercenários da BlackWater a ver se me porto bem. Não acredito que a Demi Moore, a Madona ou a Sharon Stone cusquem  por aqui quando estão com insónias. O Obama ou a Hillary Clinton dispenso, muito obrigado. França e o Reino Unido vêm a seguir. Emigrantes? Talvez! Coitados, gostam tanto do país natal que lêem qualquer coisa em Português. Embora eu  recuse liminarmente o Acordo Ortográfico, como já devem ter reparado...
Angola também está presente no meu livro de visitas. É um prazer receber angolanos por aqui. Só foi pena que das duas vezes que me desloquei a Angola uma fosse para a Guerra do Ultramar e na segunda vez fosse apanhado na Guerra Civil entre o MPLA e a UNITA. 
Os espanhóis andam muito pouco aqui pelo meu espaço. Eles lá pressentem que não morro de amores por eles. Apesar de a minha primeira ex ser meio espanhola. Toma ! Pela boca morre o peixe e é verdade !
Já tinha dado nota de que tinha um leitor na Índia...Como gosto de animais deve ser uma "vaca sagrada" seguramente. O Vasco da Gama de certeza que não é. Agora, surpresa das surpresas, reparei que alguém muito aborrecido com a vida abriu a minha página a partir dos Emirados Árabes Unidos.  Das duas uma, ou é o Bin Ladden (Vocês sabem que cada vez que se escreve este nome na net ou em sms os satélites americanos vêm logo vasculhar tudo o que fazemos? Já devem estar alerta...eheheheh) ou algum camelo amigo que deixei por lá quando andei pelas arábias... Qualquer dia coloco fotos dessa epopeia na net...
Mas a grande novidade é que já cheguei à China. Imaginem. Eu que me recusei a ir lá porque não suportaria restaurantes com cães e gatos em jaulas, vivos, à espera de serem comidos. Grrrrrrrrrrrrrrrr!!! É verdade. Alguém na China anda a seguir-me. Será uma Lim-Pó-Pó? 
Será alguma destas?

O meu 11 de MARÇO de 1975


1ª página do "Diário de Lisboa" sobre o 11 de Março

Encontrava-me em Lamego quando se desencadeou o golpe militar do 11 de Março de 1975. Era aproximadamente meio-dia e fazíamos exercícios de fogo real na Serra das Meadas. O ambiente de rara beleza natural acentuado pelo manto de neve estremecia com os disparos secos das G-3, o matraquear das HK-21, MG-42, Bren, Dreise e outras máquinas de matar de cadência rápida, intercalados com as explosões  imponentes dos morteiros 60 e 81.  Um jipe chegou em grande velocidade pelo caminho de terra. O alferes trazia uma mensagem urgente (relâmpago) para o oficial que se encontrava a comandar os grupos de Rangers que afinavam a perícia com as armas. O tenente leu a mensagem, chamou os oficiais e sargentos e conferenciaram. Os rostos fechados não auguravam boas notícias. 
O material bélico foi recolhido rapidamente para as Berliet e os Unimog e em menos de um fósforo iamos a caminho do Centro de Instrução de Operações Especiais. 
Os Rangers estavam sempre preparados para qualquer eventualidade com um grau de prontidão mais rápido que a própria sombra. Chegados ao quartel, depará-mo-nos com uma actividade ainda mais frenética que o normal. Montavam-se anti-aéreas quádruplas Breda, armadilhava-se locais estratégicos, espalhavam-se bidões de combustível pela parada. O pessoal estava todo armado e municiado até aos dentes. 
O oficial-de-dia, um tenente que sobrevivera milagrosamente no Ultramar à explosão de minas sob a sua Berliet por duas vezes, não teve papas na língua para informar todo o pessoal: 
-- Camaradas, a Força Aérea revoltou-se e anda a bombardear unidades em Lisboa. Não sei quem está a favor ou contra quem, mas aqui a questão é simples. Qualquer filho da puta que se atreva a aproximar do quartel é abatido! Está entendido ? A gente está com a revolução do 25 de Abril mas o nosso quartel é sagrado. Aqui ninguém mete as patas. Destroçar e cada um para o seu posto de combate. 

[Elementos ligados ao movimento, incluindo António de Spínola. Reuniram-se em casa do major Martins Rodrigues.

8:00 – O coronel Moura dos Santos, comandante da Base, perante oficiais e sargentos, fez um briefing explicando os objectivos políticos, alvos a atingir e meios a utilizar. Os majores Mira Godinho e Neto Portugal e o capitão Brogueira reuniram com os comandantes e pilotos, distribuindo as missões que a cada uma cabia.
8.30 – Os oficiais, sargentos e praças da Base Aérea nº 3 foram informados de que a instrução normal do princípio da manhã fora cancelada. Perto, no regimento de Caçadores pára-quedistas, o coronel Rafael Durão reuniu os oficiais para lhes explicar a operação, dizendo ter recebido ordens do CEMFA (Chefe de Estado Maior da Força Aérea), o que não era verdade
.
9:00 – Em Tancos, entrou em cena o general Spínola que, no seu estilo grandiloquente, falou em nome da «pureza do processo de 25 de Abril», dizendo que para evitar «a prostituição das Forças Armadas», era preciso dizer “basta!” à escalada comunista. Enquanto o general perorava, na pista, aviões T-6, helicópteros e helicanhões eram abastecidos e municiados.

9:40 – Na Base Aérea nº 6 (Montijo) , o coronel Moura de Carvalho, comandante da base, colocou em estado de alerta todos os meios aéreos.
10.30 – O major Casanova Ferreira, comandante distrital da PSP de Lisboa, deu conhecimento do golpe a alguns oficiais daquela corporação.
10:45 – De Tancos, descolaram os seguintes aviões: dois T-6 armados com metralhadoras e ninhos de foguetes anti-pessoal, pilotados pelo major Neto Portugal e segundo-sargento Moreira, tendo como alvos, além do R. A. L. 1, as antenas da R. T. P. e Forte do Alto do Duque; dez 10 Allouette III, transportando um grupo de 40 pára-quedistas. Dois dos helicópteros estavam armados com canhão, tendo como missão o bombardeamento do R.A.L.1. Eram pilotados pelos major Zuquete e major Mira Godinho, aos canhões estavam os alferes Oliveira e primeiro-cabo Carapeta. Na operação inseria-se o lançamento sobre Lisboa de panfletos, missão que foi executada por dois dos heli-transportadores, pilotados pelos capitão Oliveira e tenente Jacinto. Os restantes heli-transportadores eram pilotados pelos alferes Chinita, alferes Afonso, alferes Mendonça, segundo-sargento Ladeira, segundo-sargento Souto e furriel Emaúz; três Noratlas com 120 pára-quedistas destinados a cercar o R.A.L.1.- dois T-6 desarmados, com missão de intimidação. Eram pilotados pelo capitão Faria e alferes Melo, ambos da B.A.7 e em diligência na B.A.3.
11:00 – O comandante da B.A.5 (Monte Real) o coronel Naia Velhinho, recebida uma indicação vinda de Lisboa por via normal, colocou a base em estado de prevenção rigorosa.
11:15 – A B.A.6 (Montijo) entrou também em prevenção rigorosa.
11:30 — Todas as Unidades da Força Aérea passaram a prevenção rigorosa. A esta hora chegaram à B.A.5, num Aviocar vindo de Tancos, o coronel Orlando Amaral e o tenente-coronel Quintanilha. Recebidos pelo comandante da Base, e na presença dos majores Simões e Ayala, enunciaram os tópicos da operação. Invocando o general Spínola, pediram a Velhinho que enviasse aviões F-86F para fazer passagens baixas de intimidação sobre o RAL1, a Avenida da Liberdade e o quartel-general do COPCON. Desconfiado, o comandante telefonou CEMFA, não obtendo resposta conclusiva. Entretanto o major Simões fez um briefing com os pilotos da esquadra dos F-86F, repetindo o que escutara no gabinete do comandante da base. Alguns oficiais manifestaram-se imediata e abertamente contra, recusando-se a aderir àquilo que, desde logo, configurava um golpe de direita.
11:45 — Chegaram à B.A.3, de helicóptero, o brigadeiro Lemos Ferreira e o tenente-coronel Sacramento Marques, delegados do C.E.M.F.A. e C.E.M.E., procurando esclarecer a situação.
11:45,/11:50 – O RAL.1 começou a ser atacado pelos T6 da Base Aérea nº 3, sendo atingidas as casernas dos soldados e os principais edifícios do aquartelamento. Morreu o soldado Joaquim Carvalho Luís e houve 15 feridos e muitos estragos nas instalações da unidade. Neste, ataque foram consumidas 220 munições de metralhadoras calibre 7,7mm e 99 foguetes Sneb 37mm anti-pessoal dos T-6 e 318 munições de MG-151 de 20mm dos helicanhões.
11:50 – Na base do Montijo aterraram dois helicópteros Alouette III, estando um armado. O héli desarmado aterrou numa das ruas de acesso à placa, tendo deixado um pára-quedista ferido e cujo piloto, o alferes Chinita, também ferido, viria a ser recuperado pelo heli-canhão uns metros mais à frente.
12:00 – Tropas pára-quedistas, do Regimento de Pára-quedistas de Tancos, sob o comando do major Mensurado cercaram o RAL 1. À mesma hora o COPCON iniciara a movimentação para neutralizar o golpe, ocupando o Aeroporto e encerrando-o ao tráfego civil No Quartel do Carmo, oficiais da G.N.R. no activo e outros afastados do serviço, comandados pelo major Freire Damião, prenderam o comandante-geral e outros oficiais fiéis ao MFA.

12:05 – As forças do RAL 1, comandadas pelo capitão Diniz de Almeida, tomaram posições de combate e estabeleceram um perímetro de segurança, ocupando prédios em frente do quartel.
12:20 – Da Base de Tancos descolaram três helicópteros Allouette, com 12 elementos para sabotar as antenas do Rádio Clube Português, em Porto Alto. Um deles estava armado com canhão, sendo pilotado pelo segundo-sargento Leitão, tendo ao canhão o segundo-sargento Bernardo de Sousa Holstein. Os outros dois eram pilotados pelo alferes Laurent e segundo-sargento Serra. A esta hora, da Base do Montijo descolaram cinco helicópteros com destino a Tancos tendo um deles levado o pára-quedista ferido ao Hospital da Força Aérea no Lumiar e juntando-se aos outros na Chamusca.
12.45 – No exterior do RAL 1 ocorreu o diálogo entre o capitão Diniz de Almeida e o capitão pára-quedista Sebastião Martins gravado pelas câmaras da RTP: “Diniz de Almeida: – porque é que o camarada não vem comigo ao COPCON? Reconhece ou não a autoridade do COPCON? o General Carlos Fabião, o Chefe do Estado Maior do Exército? Os nossos chefes deram-nos ordens contrárias…A si de atacar…a mim de me defender…Porque não deixamos que eles discutam o assunto? Sebastião Martins: – As Forças Armadas não estão consigo. Diniz de Almeida: – Se assim for, não terei a mínima dúvida em me render à maioria. Mas, que eu saiba, o Exército está connosco, a Marinha está connosco, só vocês é que não. Sebastião Martins: – Vamos ver. Vamos então esperar que os nossos chefes decidam.” Os dois comandantes, Coronel Mourisca do RAL 1 e Major Mensurado dos pára-quedistas deslocam-se ao Estado Maior da Força Aérea para esclarecer a situação e tentar um acordo]
Com o Centro de Instrução de Operações Especiais já preparado para "receber" quem quer que fosse com o rótulo de "IN" (inimigo), organizámos a segurança activa fora do perímetro do quartel, ocupando pontos estratégico em redor da cidade com pequenos grupos emboscados e a perspectiva de ir ao aeródromo de Vila Real rebentar com aquilo tudo. 
Com a fuga do general António Spínola e dos cúmplices do golpe para Espanha o objectivo da pista de Vila Real deixou de ser um objectivo concreto mas tomámos todas as estradas em redor de Lamego durante dias a fio. 
Felizmente, apesar da morte do soldado Joaquim Luís e de vários feridos no bombardeamento do Regimento de Artilharia, em Lisboa, o bom-senso prevaleceu e evitou-se por um triz uma sangrenta guerra civil. 
Já lá vão 36 anos.  


      Duas Chaimites em posição no 11 de Março                          

quinta-feira, 10 de março de 2011

BOLACHA um gato para a eternidade

Bolacha, um gato inesquecível 

Se fosse vivo o meu Bolacha faria hoje 20 anos. Nasceu no Porto em 11 de Março de 1991. Comprei-o numa loja de animais na Rua de Santa Catarina. Uma das minhas ex-mulheres apaixonou-se por ele e ele por ela. Era o mais irrequieto de uma ninhada de 3 siameses. Por causa dele tive de ficar uma noite mais no Hotel D.Henrique porque encontrá-mo-lo por acaso naquela montra no dia 25 de Abril e o estabelecimento encontrava-se encerrado. 
Viemos no comboio Alfa para Lisboa e logo aí vimos como ele era completamente doidolas mas muito senhor do seu nariz. Saltitava, sem receio algum, de lugar em lugar e toda a gente simpatizava com ele. Mas também aí revelou a sua outra faceta mais felina: arranhava sem hesitação quem não lhe agradava. 
Passados uns dias foi ao veterinário. Nesse lugar onde normalmente os animais se acanham ele saltitava por todo o lado e ferrou os dentes na dra Cláudia, uma jóia de médica da bicharada. 
O Bolacha foi crescendo e fazendo das suas. Não tinha medo de nada nem de ninguém. Não deixava a empregada pegar no telefone. Atirava-se a ela se o tentasse. Nunca descobrimos a razão desse seu comportamento. Outra vez veio um pintor cá a casa para mudar a cor das paredes e do tecto. Era um indivíduo duro e destemido. Mas isso não intimidou o Bolacha. O gato esperou que ele subisse até ao alto do escadote para se atirar ao homem. Caiu ele, o tabuleiro da tinta, o rolo e quando chegámos a casa estava tudo salpicado de tinta. O pintor, esse, nunca mais quis entrar aqui em casa nem para receber o dinheiro. 
Outra empregada esteve de baixa durante 3 meses. A sorte dela foi eu estar em casa e a muito custo lá consegui que ele lhe largasse o braço, onde lhe cravara as unhas e mordia com toda a fúria. 
Foi longa a lista de vítimas do meu terrível Bolacha, muito mais eficaz que um cão de guarda. Numa noite de Natal saíram de minha casa a sangrar o meu pai, a minha mãe, o meu irmão, cunhada e sobrinho. Escapei eu a minha minha mulher e o meu filho. 
O curioso é que ele nunca se assanhava nem bufava antes de atacar. Pelo contrário, mostrava-se sempre calmo e com ar inocente. 
Os cães, coitados, eram uns mártires. Fossem eles alltos, baixos, grandes ou pequenos. Nenhum intimidava o Bolacha. Atirava-se aos focinhos deles, esgatanhava-os e colocava-se à frente deles a lavar o pêlo, como se nada tivesse acontecido. 
Quando me separei ele sentiu a falta da dona. Curiosamente ele adorava as loiras. Quando iam para a minha cama ele passava horas a lamber-lhes os cabelos. Às morenas não ligava nenhuma. 
Uns anos depois trouxe uma gata para casa. O bravo e terrível Bolacha tratava-a com a delicadeza de um cavalheiro. Nasceram os filhos e era um pai exemplar. Os filhotes saltitavam por cima dele sem que ele alguma vez se aborrecesse. Podia estar cheio de fome que esperava pacientemente que a família comesse para então se aproximar do prato. 
Há quatro anos, cheguei a casa de madrugada e ele, já com 16 anos, estava estendido, com um arfar que augurava o final da sua agitada mas feliz existência. Só sofreu durante duas horas. Dei-lhe dois xanax para acelerar o inevitável enquanto o veterinário não chegava. Mesmo muito cambaleante lá foi ao caixote fazer as suas últimas necessidades. O veterinário apareceu e concordou com o meu "diagnóstico". Ajudei-o a dar a injecção letal e o meu Bolacha desapareceu da minha vida, que nunca da minha memória, sempre afagado com a minha mão. Não lhe tirei a coleira que ele tanto adorava e que ele nunca permitia que lhe retirassem do pescoço. E vi-o desaparecer na noite embrulhado no seu cobertor azul de sempre...
A saudade aperta-me mais o nó na garganta ! 





quarta-feira, 9 de março de 2011

Ufffff ! O "coiso" perdeu as espinhas !!!




Estava a dar uma voltas pelos jornais  quando me arrepiei todo. Então não é que um americano estudioso de pirilaus não foi descobrir que o pénis do Homem ficou sem espinhas graças a uma perda de sequências de ADN ao longo da sua evolução, concluiu um estudo, quarta-feira, publicado na revista Nature.
Argggghhhhhh, torço-me eu aqui no sofá a ler e a escrever isto e a pensar como conseguiria "verter águas" se tivesse de pegar num...num...num...esse mesmo...cheio de espinhas como uma sardinha assada chupadinha numa noite de santos populares...Ai...ui...ai...ui...
Estas alterações, diz o tal estudioso de pirilaus, poderão ter favorecido a formação de casais monogâmicos e o surgimento de estruturas sociais complexas, permitindo criar os bebés humanos.
Bebés humanos, pergunto eu, como seria possível se em vez de um rolinho de carne sem osso uma mulher tivesse de deixar entrar nas suas entranhas algo parecido com uma piranha ? Só uma maluca qualquer sem sensibilidade para tudo e mais alguma coisa... 
A equipa de Gill Berejano, o tal investigador de pirilaus da Universidade norte-americana de Stanford, identificou 510 sequências de ADN ausentes no Homem, mas que permanecem nos chimpanzés e noutras espécies.
Este ADN que se perdeu com a evolução "servia para controlar, fundamentalmente, genes envolvidos nos sinais hormonais e nas funções do cérebro". Ok...ok...ele que invente uma teoria qualquer que o importante é o rico apetrecho poder ser manuseado sem espinhas...Sem espinhas na verdadeira acepção da palavra !
Segundo os investigadores, isto levou à perda de umas pequenas espinhas de queratina no pénis, presentes noutros mamíferos. Pois bem, esses que se aguentem à bronca que nós, homens, já nos livrámos desse problema. 
"A morfologia simplificada do pénis" no Homem teria favorecido "estratégias de reprodução entre os primatas", revelam os cientistas na revista britânica. Graças a Deus, digo eu, muito mais descansado. Bolas que até fiquei religioso repentinamente...

Antes assim...:P