domingo, 14 de agosto de 2011

E o POVO saiu à rua em ALJUBARROTA



Às 18 horas do dia 14 de Agosto de 1385, em Aljubarrota, a independência de Portugal decidia-se numa cumeeira estreita entre as ribeiras da Calvaria e do Vale da Mata. Frente a frente os exércitos de Portugal, lideradas por Nuno Álvares Pereira e o rei D. João I, reforçado com umas centenas de archeiros e besteiros de Inglaterra, e as forças de Castela, comandadas por D.Juan I, e reforçadas por tropas de França, Reino de Aragão (actual Catalunha), reinos italianos e uma força de cavalaria... portuguesa, integrando os fidalgos traidores à causa da liberdade lusitana. 
A elite intelectual nacional não pretendia ver D. João Mestre de Aviz coroado rei de Portugal. O Povo, sempre o Povo na História de Portugal a decidir o seu destino..., saiu à rua, cercou os castelos dos senhores feudais, matou muitos deles e obrigou outros a fugirem para Castela, onde se colocaram às ordens do rei nosso inimigo. Daí se compreenda a sua presença em Aljubarrota.
A peleja decorreu conforme o planeado pelo Condestável Nuno Álvares Pereira. O rei D. Juan I mandou flanquear as nossas forças e caiu na armadilha. A cavalaria francesa viu-se comprimida no "beco" formado pelas duas ribeiras e a sua enorme superioridade numérica de nada lhe serviu. Trespassada pelas flechas e virotões dos arqueiros e besteiros e empaladas nas valas anteriormente cavadas e armadilhadas com estacas aguçadas, os homens do Marquês de Vilhena não conseguiram ultrapassar as paliçadas de troncos onde se resguardavam a infantaria portuguesa e não dava espaço para um cavalo penetrar. À medida que tombavam mortos ou feridos, os cavaleiros gauleses impediam a passagem dos seus companheiros mais atrasados. Os cavalos não saltam sobre obstáculos que instintivamente sabem não poder ultrapassar e a confusão instalava-se na inútil cavalaria pesada francesa. A golpes de malhos e alabardas, os cavaleiros, agora em pé, sucumbiram ou foram feitos prisioneiros pela infantaria portuguesa. 
A cavalaria ligeira espanhola do Marquês de Alcântara tentou envolver o pequeno exército português de 10 mil homens mas as barreiras naturais das ribeiras não o permitiam. No Chão da Feira, onde estavam posicionadas as tropas invasoras, o rei Juan I de Castela apercebeu-se da gravidade da situação, mandou avançar a infantaria pesada. Os homens, com pesadas armaduras e protecções, não conseguiam marchar em formatura sobre os cavalos e os cavaleiros caídos num terreno pejado de obstáculos. Apesar de terem avançado um pouco mais que a cavalaria francesa, os infantes castelhanos foram detidos pelo fogo cruzado dos arqueiros e besteiros luso-britânicos. 
A pouco e pouco, no confronto de lanceiros, a vanguarda portuguesa foi cedendo ao ímpeto e à força do número dos castelhanos, mas ao entrarem dentro do quadrado defensivo ficaram cercado pelas alas de arqueiros e besteiros, ao mesmo tempo que a cavalaria do próprio rei de Portugal, D. João I, carregou e fechou o inimigo numa armadilha mortal.  Quanto mais se amontoavam dentro desta ratoeira mais fácil se tornava aos lanceiros portugueses trespassar o inimigo, cujas lanças eram mais curtas e não dispunham de espaço para manejá-las. Espadas, machados, alabardas, malhos e achas de armas esquartejaram sem piedade uma massa humana castelhana encurralada e já descrente na vitória. 
Os prisioneiros invasores foram trespassados pelas armas dado que não era possível destacar homens para a sua vigilância, uma vez que a cavalaria ligeira do Marquês de Alcântara tinha encontrado uma aberta para atingir uma  rectaguarda portuguesa com poucos efectivos. O pânico, porém, já se instalara entre os catelhanos, franceses, aragoneses e italianos. A fuga desordenada começara. 
O rei Juan I retirou apressadamente e o grosso dos sobreviventes ficou entregue à sua sorte. No campo de batalha tinham perecido menos de mil portugueses e ingleses, quanto cinco mil inimigos jaziam mortos numa pequena parcela de terreno armadilhado. A população não ficou em casa depois da batalha e saiu à rua à caça dos castelhanos e seus aliados em fuga. Outros cinco mil foram chacinados pelas milícias populares que os rechaçou com machados, foices, ancinhos e tudo que o pudesse trespassar o odiado inimigo invasor. 
Este foi apenas um dos episódios da História de Portugal em que o Povo tomou os destinos do País nas suas mãos e defendeu-o com sangue, coragem e denodo contra invasores estrangeiros e traidores portugueses. Os verdadeiros patriotas não embarcam em "jangadas de pedra"...
E hoje, em 14 de Agosto de 2013?


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

XUXA e PATOLAS de PARABÉNS


Os meus felpudos e irrequietos felinos Xuxa Morgana e Jack Patolas the Ripper são hoje aniversariantes. Nasceram no dia 11 de Agosto de 2001. A mãe, Flufa the Flu, pariu-os dentro de um roupeiro e guardava-os com toda a atenção e garras afiadas, prontas a deixar marcas em qualquer intruso. O pai, Tomassas Tuta the Tuba, cheirou-os, reconheceu-os como filhotes, e foi à vida dele. Na estranha e misteriosa genética dos gatos os dois irmãos são completamente diferentes. A Xuxa é uma siamesa (tonquinesa) albina, uma variante rara, e o Patolas um gordo e grandalhão mau egípcio tigrado, uma raça que é considerada a "mãe" de todos eles. Em termos de pesonalidade também não podiam ser mais opostos. Ela é tímida, reservada e gosta de passar despercebida; ele é extrovertido, brincalhão e especialista em perseguir sombras nas paredes. Quando está frio não esquecem que são irmãos e normalmente enroscam-se juntos para se aquecerem mutuamente. A Xuxa, coitada, tem uma vida relativamente difícil para escapar aos ataques assassinos do irreverente e brigão sobrinho General Patton Kanoka. O Patolas não é de lutas, diverte-se nas brincadeiras, mas quando o provocam faz valer  o poder dos seus 10 quilos. Pelo meio vão destruindo a casa. Mas a casa não teria o mesmo encanto sem eles...Oe

domingo, 7 de agosto de 2011

JÁ ando aos CAIXOTES DO LIXO !


É a vida! Hoje já andei aos caixotes do lixo para almoçar. Ainda não integro a chaga social dos sem-abrigo, apesar dos esforços legislativos dos sucessivos governos para engrossar as hostes do já numeroso exército de desvalidos, mas esta tarde para confortar o estômago tive de andar a chafurdar nos detritos do contentor que a Câmara Municipal de Sintra me coloca à porta em troca dos 60 euros anuais que me extorque, com ameaça de juros e penhora se não cumprir um contrato que nunca assinei, em nome de uma abusiva taxa de "saneamento e esgotos" pontualmente nos meses de Setembro. 
Acordei tarde, como habitualmente, e depois de dar prioridade ao apetite dos gatos fui tratar do meu. Mas onde estava o arroz de pato que eu tinha deixado a descongelar, ontem, antes de me deitar, em cima do frigorífico? Dei voltas e reviravoltas à casa mas o pato tinha voado levando consigo o respectivo arroz e a caixa de plástico onde se encontravam encarcerados. Mau, aqui há pato, ou melhor, aqui há gato mas pato nem vê-lo. Confirmei que os meus gatos estavam inocentes deste estranho caso. Aliás, eles nem apreciam por aí além os menus humanóides. Reparei, entretanto já mais desperto, que a casa estava bastante mais limpa e arrumada do que antes de me deitar. A minha empregada tinha vindo fazer o seu trabalho enquanto eu dormia e nem  dera por ela. Que diabo, a senhora não é uma pessoa rica mas é uma rica pessoa incapaz de levar daqui o que quer que seja e muito menos um arroz de pato. "Não me digas que...", pensei. E estava certo. Ela achou que aquela caixa nada fazia sobre o frigorífico e deitou-a no lixo. Não é que não tivesse outros artigos de sobrevivência alimentar na dispensa mas queria muito, muito mesmo, aquele arroz de pato. Saí, fui ao contentor, revolvi alguma lixarada que nem sequer é muita devido às férias, e lá encontrei a minha caixinha de plástico com a respectiva ave acompanhada pelo arroz. "O que não mata engorda", dizia a minha saudosa avozinha com a sabedoria dos seus 82 anos. E por entre "boas tardes" de vizinhos curiosos por me verem aos caixotes trouxe o petisco para casa, para o prato, para o micro-ondas e para a boca. Estava óptimo!

sábado, 6 de agosto de 2011

O melhor AMIGO do HOMEM


Há dias em que um tipo anda "cinzento" e menos expansivo que o habitual. Só os idiotas pobres de espírito exteriorizam sempre o mesmo estado emocional. Não se saboreia devidamente a alegria se não se viverem momentos tristes. Nunca se sentirá a força da coragem se o medo não atravessar o nosso caminho. Estes pormenores, no entanto, são contas de outro rosário. Os amigos e conhecidos, e quantas vezes a própria família, nem sempre sabem interpretar no momento exacto se uma pessoa precisa de maior atenção ou de uma palavra estimulante na hora h. Como um dia escreveu o meu ex-colega Eduardo de Castro "a indiferença humana é egoísta e cruel". A propósito, o que é feito de ti, Eduardo? Ontem, fumava um cigarro no jardim adjacente a minha casa. Estava introspectivo por vários motivos. Amigos e conhecidos iam passando com uma "boa tarde" e mais umas palavras de circunstância normalmente relacionadas com o tempo. Que mania. Se quiser saber as condições temporais vou ver o boletim meteorológico. Por fim, apareceu uma senhora que raramente  encontro. Trazia uma cadela pela trela.  A lady canina parou junto a mim, cheirou-me demoradamente e sentou-se a olhar-me fixamente. De repente, sem que nada o fizesse prever porque nunca tinha visto a bicharoca, começou a lamber-me o pescoço, o queixo e a face. A dona ficou admirada e disse-me que ela não costuma ter essas atitudes com desconhecidos. Mas eu não me surpreendi. Ela tinha-me compreendido. E animou-me. Ou não fosse o melhor amigo do Homem. À excepção dos meus gatos, claro! 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Estar ou não estar QUIETO


Há, ou pelo menos havia, um cabeleireiro chique aqui pelos meus lados. Unisexo. Como já estava farto de ir ao barbeiro do Largo do Carmo, que cortava os cabelos ao pessoal como se fossem as crinas dos cavalos do quartel da GNR mesmo em frente ao seu estabelecimento, resolvi ir ao salão dar um jeito ao meu penteado sempre despenteado. 
Entrei e a recepcionista, pois é a casa finória tinha mesmo essa figura decorativa que faz a triagem dos clientes, encaminhou-me para a secção masculina, separada da feminina por um biombo. 
Detesto quase tanto as cadeiras destes sítios como as dos dentistas. Não gosto de me sentir preso, sem me poder mexer como e quando quero. Veio uma empregada muito simpática e lavou-me a cabeça naqueles lavatórios semelhantes a uma guilhotinha ou a uma coleira XXL de porcelana numa posição que por pouco não provoca um torcicolo ou um traumatismo cervical. Perguntou-me se queria o produto x, y ou z e disse-lhe que não. Os meus cabelos rebeldes como o dono nunca foram habituados a mariquices de luxos capilares. A extrovertida lavadeira de cabeças despediu-se com um sorriso e foi esfregar outras cabeças. 
Minutos depois apareceu a cabeleireira propriamente dita. Uma mulheraça alta, morena, na casa dos 30 anos, muito bem composta de corpo, uma autêntica Sofia Loren das tesouras. Deu uma "boa tarde" muito seca. Antipática. "Como quer o corte?", perguntou asperamente. "É só para aparar !", respondi-lhe, também sem grande gentileza. Trato as pessoas como me tratam a mim. Seja quem for...
Corte daqui, tesourada ali, a "miss não sei quantos" lá foi fazendo o trabalho dela, muitas vezes com uma brusquidão que me irritava. Ajeitava-me a cabeça para a esquerda, para a direita, para baixo, para cima com empurrões repentinos, como se estivesse a meter as mudança num carro sem caixa de velocidades sincronizada. Ao mesmo tempo não parava de roçar o corpo dela nos meus braços, nos ombros e algumas vezes até sentia os seus seios fartos pressionados no meu pescoço. E pelo contacto era evidente que não usava  nada sob a bata esverdeada. 
Inesperadamente, com aquele jeito típico de "femme fatale" dominadora, voltou-se para mim e advertiu-me com a falta de chá  sempre lhe faltara  desde que iniciara o trabalho: "Se você não está quieto não lhe posso cortar o cabelo como deve ser". Já pelos cabelos de aturá-la confesso que não fui muito simpático na resposta pronta: "E se você não estiver quieta com as mamas eu não me mexo tanto!"
Levantei-me, paguei na recepção e ela ficou de boca aberta até eu desaparecer  porta fora...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

POLÍTICA na PUBLICIDADE

Aqui pelo meu sítio tudo pode acontecer, tudo é possível e tudo é normal. Embora não o pareça aos forasteiros. A carrinha de uma empresa de construção civil, presumo, estacionou uma noite destas com um slogan publicitário genuinamente político pintado nos painéis laterais: "YES WE INSTALL IT". Alguém duvida que perante tamanha auto-confiança eles cumprem mesmo o prometido? É verdade que os publicitários são uns exagerados e os políticos mentem com todos os dentes e mais que tivessem nas bocas sujas de trapaças. Até o Obama, o pai de todos os "YES WE CAN", tem-se revelado uma completa desilusão e a sua política interna e externa um fracasso total. Mas se estes amigos da carrinha do "INSTALL" dizem e prometem que "CAN" é porque "CANEM" mesmo...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A BATALHA de ALCAFOZES há 201 anos



Faz hoje precisamente 201 anos que a III Invasão Francesa cruzou os cabeços e os barrocos graníticos da terra da minha mãe, Alcafozes, uma aldeia perdida numa franja da Beira Baixa, a menos de 10 kms em linda recta da fronteira com Espanha. Há muitos anos, quando estava sentado a descansar na parada da Escola Prática de Cavalaria, nessa altura aboletada em Santarém, reparei numa placa em azulejo por cima da porta de armas que memorizava os combates em que interveio a unidade. Nela constava uma inscrição que me sobressaltou "Batalha de Alcafozes - 1810". 
Desde então que tenho vasculhado, investigado, escrito, perguntado, à procura de pormenores sobre esse acontecimento histórico para aquele povoado, onde passei todas as "férias grandes" desde que nasci até aos 18-19 anos e visitas esporádicas posteriormente, mas sem grande sucesso. Em Portugal, infelizmente, não se dá a importância devida a certos acontecimentos relevantes na História do nosso velho País. Este tem sido um dos milhares de casos que permanecem anónimos, enterrados no esquecimento.
No entanto, o que não encontrei em por cá fui descobrir em França e em Inglaterra. Não são muitos os pormenores mas pelo menos acenderam uma luz ao fundo do túnel da indiferença para se aprofundar e desenvolver a matéria.
O Marechal André Massena, um dos comandantes preferidos de Napoleão, entrou em Portugal pela zona de Almeida, mas antes de atacar essa fortificação uma das colunas invasoras foi interceptado por forças portuguesas dos Regimentos de Cavalaria 5 e 11 em Salvaterra do Extremo, uma terra fronteiriça virada para Espanha, erguida sobre penhascos abruptos e altaneiros sobre o Rio Erges, afluente do Tejo. 
Após esse primeiro embate, a coluna napoleónica marchou sobre Alcafozes, onde encontrou a resistência do Regimento de Cavalaria 1, o antepassado da Escola Prática de Cavalaria. Segundo me contou um especialista de História Militar, era comum formarem-se grupos de guerrilheiros nas vilas e aldeias, normalmente liderados por padres, abades ou veteranos de conflitos anteriores, que armados de sachos, gadanhas, forquilhas, facas e navalhas espalhavam a morte e o terror dos soldados invasores de Intendência que se faziam acompanhar das mulheres e acabavam na sua maioria trespassados e degolados às mãos do Povo cioso de sua independência. 
Terá sido esse mesmo cenário de desgaste que Massena encontrou em Alcafozes, como aconteceu em centenas de cidades, vilas e aldeias de todo o País desde 1807 a 1810. 
Enquanto o valente Povo anónimo morria mas combatia pela independência de Portugal, a rainha e toda a corte, fidalgos, cortesãs e "intelectuais" fugiram para o Brasil, deixando expressa a ordem em decreto-real que não se resistisse ao invasor. Felizmente, como sempre, foi o Povo quem mais ordenou e resistiu heroicamente, apesar dos massacres de Castelo Branco, Évora e tantos outros que não vergaram a vigorosa vontade popular.
Os livros de História de Portugal passam normalmente muito superficialmente pelas Invasões Francesas por uma razão facilmente compreensível. Napoleão e a classe dominante gaulesa que sobressaiu após a Revolução Francesa integravam a Maçonaria. A "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" propostas pelos revolucionários tinha sido afogada em sangue pelo Grande Terror instigado pelas lojas maçónicas. Em Portugal, os maçons abriram os braços ao invasor e colaboraram com Junot, Soul e Massena na tentativa de subjugar o País e proibiram as manifestações religiosas populares, as missas e actos de fé e pilharam mosteiros, conventos, igrejas, não raras vezes assassinando os seus ocupantes. Tal como as purgas de Estaline e o holocausto de Hitler um século depois. 
Dez mil portugueses associaram-se e integraram o exército napoleónico com a designação de Legião Portuguesa. Destes traidores, porém, apenas menos de 100 sobreviveram e regressaram a Portugal, deixando os seus cadáveres espalhados pelos campos de batalha da Rússia, Prússia, Áustria, Polónia, etc. Os maçons colaboracionistas e grande parte dos miseráveis restos da Legião Portuguesa foram executados pelo Povo implacável por quem os traiu. 
Ainda hoje a Maçonaria nacional omite milhares de episódios nos Livros de História e evita que se aprofunde ou discuta um dos momentos mais marcantes da manutenção da independência lusitana. 
Mas eu não esqueço que faz hoje 201 anos que na aldeia dos meus heróicos ascendentes  se travou a Batalha de Alcafozes.