Blogue de António (Tozé) Santos Costa. Pintor, Escritor, Jornalista, Coleccionador, Má-língua, Teimoso, Anarquista, contra tudo e todos, sempre a favor de quem se opõe não interessa a quê.
terça-feira, 25 de junho de 2013
Frases&mortais: FERNANDO PESSOA
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Frases&mortais: JÚLIO CÉSAR
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Frases&mortais: CAMÕES
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Frases&mortais: Pombal
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segunda-feira, 24 de junho de 2013
Frases&mortais: "E NÃO SOBROU NINGUÉM"...SÓ EU
"Quando os nazis levaram os comunistas
eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista.
Quando eles prenderam os sociais-democratas,
eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata.
Quando eles levaram os sindicalistas
eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista.
Quando levaram os judeus,
eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu.
Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse
Mas preenchi o livro de reclamações e voltei para o Facebook"
VLADIMIR MAIAKOVSK adaptado por MARTIN NIEMOLLER
(e não de BERTOLT BRECHT como muitos ignorantes insistem)
eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista.
Quando eles prenderam os sociais-democratas,
eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata.
Quando eles levaram os sindicalistas
eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista.
Quando levaram os judeus,
eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu.
Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse
Mas preenchi o livro de reclamações e voltei para o Facebook"
VLADIMIR MAIAKOVSK adaptado por MARTIN NIEMOLLER
(e não de BERTOLT BRECHT como muitos ignorantes insistem)
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sábado, 22 de junho de 2013
A NOITE MAIS CURTA DO ANO
Sempre adorei o solstício de Verão por uma razão simples: a partir de agora, as noites começam a ser mais longas e os dias mais curtos, o que a minha costela de lobisomem agradece e até coincidiu com a Lua Cheia. Auuuuuuuuuuuh! Bom, para começar, uma vez que a minha prima Vera estava de saída, dei uma vista de olhos (cada vez vejo pior e umas lunetas já davam um certo jeito) rápida pelo Big Brother Vip na vã esperança de uma aparição retumbante da Raquel Henriques, a "brasa incendiária" que um tal de Edmundo não vasculha diligentemente nem sai de cima.
Quem me saltou para cima, a propósito, foi a minha gata "Nika", persa-tartaruga-azul-mesclada e peluda, que se enroscou no meu peito e mal me deixava ver o ecrã da televisão ao fundo da cama, tendo de espreitar por entre os longos pêlos dela o jogo final da NBA entre os Miami Heat e os Santo Antonio Spurs. Os Heat eram o "meu" Benfica e os Spurs esse tal clube de pijama às riscas verdes.
LeBron James & Cª jogam o tipo de basquetebol de rua: gingão, improvisado e individualizado por pinceladas de génio, como o triplo de Chalmers a dar vantagem à rapaziada da Florida dos pântanos dos "uoligatores" frente ao sistema muito arrumadinho e organizadinho, comandado por esse tipo com ares de quem não parte um prato, o esfíngico Tim Duncan. Yessssssssss, triunfaram os Miami Heat e por cada cesto deles saía um berro que fazia estremecer o novelo de pêlo que ressonava em cima de mim.
Acabado o prélio da bola ao cesto, deu-me a fome. Uma sandes de queijo flamengo, ao qual me esqueci de tirar o plástico e depois uma cigarrada no local mais sagrado de qualquer lar, o WC.
Novo mergulho na cama e a atenção fixa no filme "Era Uma Vez na América". Desta vez sem a "Nika" empoleirada em cima de mim mas a "Dolfa", com o cio, a clamar desalmadamente pela presença do "Tomassas", que não perde uma...Ah pois...
O filme de gangsters é longo e pode dividir-se em duas partes: cerca de dois terços da história está ao nível excelente do cinema americano, mas o último terço assemelha-se às chachadas dos filmes portugueses e para ser essa pobreza franciscana completa só faltou aparecer por lá um tal Nicolau Breyner, a bojuda figura que aparece à frente de toda a aparelhagem relacionada com a sétima arte...
Já era dia mas não hora de dormir. A bem nutrida sandes de queijo inchava cá dentro e mais uma cigarrada despertava umas tossidelas. O "Tomassas", entretanto, já cumprira os deveres conjugais felinos com a "Dolfa" e a "Nika" ajeitou-se em cima do roupão.
O filme "Encontro Acidental" (salvo erro porque os olhos já estavam turvos...) não é uma obra-prima como a minha prima Vera que está noutro "post", mas entretém sem compromissos intelectuais complexos. É um caso de amor à primeira vista mas com muitos desencontros até ao encontro "imediato" de primeiro grau, que não acabou na cama, como é costume, mas numa pista de gelo, como o briol que entrava pela minha janela. Eu também ando desencontrado aí com uma eventual mais-que-tudo. A discrição, no entanto, é a melhor armadilha que se pode montar a uma tipa 12 numa escala de 0 a 10...
E foi já com a população que ainda tem a sorte (ou o azar) de estar a bulir no emprego que eu finalmente adormeci. E até sonhei com uma frondosa amiga aqui do Face...
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# noite curta # coisas da vida
domingo, 27 de janeiro de 2013
"VIRA PARA LÁ ESSA MERDA!", uma frase de JAIME NEVES para a HISTÓRIA de PORTUGAL
Morreu o major Jaime Neves. Foi com esta patente militar que o conheci pessoalmente. Era já um ícone, uma lenda do Exército Português e da força de "Comandos".
Terreiro do Paço. 25 de Abril de 1974. A situação das forças revolucionárias comandadas pelo saudoso capitão Salgueiro Maia encontra-se periclitante. O poder de fogo dos carros de combate M-47, do Regimento de Cavalaria 7, apoiante do regime do Estado Novo, é incomensuravelmente superior ao das Panhard, Chaimite e Daimler da Escola Prática de Cavalaria. Se os carros pesados do brigadeiro Junqueira dos Reis e
a fragata do comandante Louçã (pai do ex-coordenador do Bloco de Esquerda) dispararem o golpe de estado cairá por terra num mar de sangue e destroços.
Na Rua do Arsenal, solitário, com um heróico sangue-frio, frente aos dois M-47 que ocupam a largura da via, o major Jaime Neves grita para o major Pato Anselmo: "Vira para lá essa merda!".
A "essa merda" referia-se aos mortíferos canhões de 90mm dos M-47. O major Pato Anselmo cedeu e mandou rodar as peças em direcção ao rio Tejo. Um dos momentos críticos do levantamento militar do 25 de Abril fora ultrapassado. Posteriormente, com o seu 10º grupo de Comandos foi "conquistar" a Legião Portuguesa, na Penha de França.
Almoçámos numa tarde gelada de Fevereiro de 1975, no Centro de Instrução de Operações Especiais, em Lamego, quando uma vasta coluna do Regimento de Comandos se empenhou na Operação Nortada, uma incursão pedagógica ao interior do País. Também se encontrava presente o alferes Marcelino da Mata, o "comando africano" mais condecorado do Exército Português.
O major Jaime Neves nunca escondeu, antes do golpe do 25 de Novembro, que além dos objectivos militares seria necessário erradicar o PCP da vida política portuguesa. Porém, quer o tenente-coronel Ramalho Eanes como o tenente-coronel Melo Egídio persuadiram-no a mudar de ideias, após negociações complexas do então presidente da República, Costa Gomes, com o general Otelo Saraiva de Carvalho, comandante do COPCON, e Álvaro Cunhal, secretário-geral do PCP, tudo na perspectiva de se evitar a guerra civil que se adivinhava e que motivou a fuga de Mário Soares e vários outros socialistas para o Porto, onde se dispunham a concentrar o Poder, com o apoio do brigadeiro Pires Veloso e muitos outros elementos da extrema-direita, alguns deles ligados à rede bombista do MDLP, responsável por vários actos terroristas em Portugal.
Com o PCP e o COPCON fora de acção, Jaime Neves e o seu Regimento de Comandos atacaram o Regimento de Polícia Militar, comandado pelo major Campos de Andrada e o major Tomé (o político da UDP) e após violenta troca de tiros foram abatidos dois "comandos" e um "polícia militar". Só a grande capacidade de liderança e carisma de Jaime Neves evitou que os seus soldados partissem para a vingança pela morte dos camaradas e chacinassem os aterrorizados PM's que rapidamente se renderam.
Sempre frontal e directo, nunca se furtou às questões mais incómodas sobre a Guerra de África, onde combateu em todas as frentes. Quando inquirido sobre a violência de algumas acções, Jaime Neves, ao contrário de muitos outros, não se encolheu nos labirintos da retórica. "Quando nos mandavam "limpar" era mesmo para "limpar" tudo!"
Bon-vivant, noctívago, audaz e carismático, o major Jaime Neves viveu sempre nos limites. Sobrevive o mito.
Foi um prazer conhecê-lo. Até sempre!
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