sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Bom Ano 2012 para os visitantes!


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

BOAS FESTAS, amigos visitantes!


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"A FLOR" rejeitada

A Flor era para Ti mas foi rejeitada
Numa noite fria a raiz cortada
Ilusão perdida queimada na geada
Ficas por aqui isolada no nada

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

AS REVOLTAS CONTRA A DITADURA e as PREPOTÊNCIAS DEMOCRÁTICAS ACTUAIS

A campanha eleitoral do general Humberto Delgado

Ao contrário do que muitos pensam, durante a Ditadura lutou-se muito mais do que actualmente nesta Democracia que conduziu o País à ruína é à bancarrota. Apesar da violência empregue  pelas forças da ordem de Salazar e Caetano e das dezenas de mortos caídos pela causa da Liberdade, a população militar e civil esteve sempre activa com o objectivo de derrubar o regime. Revoluções, intentonas, pronunciamentos, manifestações e greves gerais saíram inúmeras vezes à rua a morder os calcanhares ao regime autocrático. Sem medo. Os portugueses nunca foram, como escreveu o mundano Eça de Paris, Londres e Viena que mal conheceu o seu País e viveu amargurado por ser filho bastardo, um povo com cangas ao pescoço. Só no século passado, a população agitou-se contra a opressão em condições particularmente difíceis por dezenas de ocasiões. 
Deixo aqui uma breve resenha de apenas algumas (há muitas mais) das iniciativas revolucionárias desde 1928 para desfazer esse mito urbano que os portugueses são dóceis e manipuláveis. Nada disso. Nas alturas próprias eles marcharam até contra os próprios canhões. 
E agora por que não sai esse mesmo Povo à rua, a não ser em "marchas" devidamente autorizadas pelas autarquias e vigiados e enquadrados pela Polícia? Eu sei qual é a razão mas fica para outra oportunidade...
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Prisões de 5 de Junho de 1928: Polícia política detecta e desarticula nova revolta do reviralho. Várias prisões; Revolução do Castelo (20 a 27 de Julho de 1928 ); 
Revolta do batalhão de Caçadores 7 do Castelo se S. Jorge em Lisboa, sob o comando do capitão João Augusto Gonçalves, apoiado por Jacinto Simões e Agatão Lança. O comando pertence ainda ao reviralho, visando repor a situação derrubada pelo 28 de Maio de 1926, sendo activa na conspiração a chamada Liga de Paris. O inspirador parece ter sido o antigo ministro da guerra, coronel José de Mascarenhas. Jugula a revolta o coronel Farinha Beirão, em Lisboa, e o major Lopes Mateus em Viseu. Há também levantamentos conjugados em Pinhel, Setúbal, Castelo Branco, Guarda, Entroncamento e Barreiro. Estava para ser lançada uma proclamação assinada por José Mascarenhas, Filémon de Almeida e Sarmento Beires. Outros implicados são Maia Pinto, Aquilino Ribeiro, Neves Anacleto, António Gomes Mota, Amâncio Alpoim e o capitão Carlos Vilhena. 7 mortos, 20 feridos e 240 prisões. Governo emite Decreto nº 15 790, em 27 de Julho, sancionando os implicados. Em 31 de Julho cria uma Intendência Geral de Segurança Pública, integrando a GNR, a Polícia de Segurança Pública, a polícia internacional e a polícia de informações. Para o comando é nomeado em 22 de Agosto o coronel Fernando Mouzinho de Albuquerque;
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Intentona de Outubro de 1929: Em notas oficiosas de 4 e 11 de Outubro, o governo anuncia a prisão de vários militares e civis que estariam implicados em mais uma movimentação revoltosa de cariz reviralhista; 
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Intentona de 21 de Junho de 1930: Vaga de prisões a 17 de Junho: Sá Cardoso, Helder Ribeiro, Augusto Casimiro, Rego Chaves, Ribeiro de Carvalho, Carlos Vilhena, Maia Pinto, Correia de Matos, Pinto Garcia, João Soares, Moura Pinto, Tavares de Carvalho, Carneiro Franco, Raúl Madeira e Francisco Cunha Leal. Estava prevista movimentação revoltosa a 21 de Junho. Várias deportações para os Açores de alguns dos implicados no processo.
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Manifestações de Fevereiro de 1931: A chamada revolta da farinha, dado que o governo decidira suspender a importação de farinha, aumentando o preço do pão, o que serviu de pretexto para uma revolta que dura de 5 a 11 de Fevereiro de 1931. Estruturas anarco-sindicalistas e comunistas organizam greves e manifestações em 25 de Fevereiro de 1931 em várias localidades. Exigem liberdade sindical e medidas de combate ao desemprego.
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Revolta da Madeira  (1931): Nova revolta comandada  pelo General Sousa Dias, desencadeada no Funchal na madrugada de 4 de Abril de 1931. Estava para se seguida no Continente, mas apenas se estendeu aos Açores e á Guiné. Apoiam-no o coronéis Fernando Freiria e José Mendes dos Reis, bem como o tenente Manuel Ferreira Camões. O chefe civil é o antigo ministro Pestana Júnior. Outros revoltosos são Carlos Vilhena, Sílvio Pélico. Defende-se um governo republicano que restaure as liberdades públicas e regresse à ordem constitucional. Encontravam-se na ilha vários deportados políticos, nomeadamente os líderes do 7 de Fevereiro de 1927. Segue-se a adesão de várias ilhas dos Açores ao movimento desencadeado na Madeira. Liderada pelo comandante Maia Rebelo, com o capitão de mar e guerra João Manuel de Carvalho, do sidonista Lobo Pimental e do major Armando Pires Falcão, pai de Vera Lagoa. Ingleses, norte--americanos e brasileiros decidem criar uma zona neutral nalguns hotéis do Funchal. Os oposicionistas no exílio, sob a liderança da chamada Liga de Paris, chegam a falar na constituição de uma República da Atlântida. O governo da Ditadura Nacional envia uma expedição que começa por controlar os revoltosos açorianos. O ministro da marinha Magalhães Correia comanda a expedição à Madeira e desembarca no Caniçal. Segue-se a conquista do Machico por uma força comandada pelo capitão Jaime Botelho Moniz, isolando-se o Funchal. O levantamento chega ao fim em 2 de Maio.  Em 19 de Maio a polícia encerra o Grémio Lusitano, sede do Grande Oriente Lusitano.
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Revolta dos aviadores de Alverca  26 DE aGOSTO DE 1931: Revolta militar em Lisboa que dura cerca de 9 horas. A partir dos Caçadores 7.  Quatro dezenas de mortos. Entre os líderes da revolta o tenente-coronel Utra Machado, o major-aviador Sarmento Beires, Dias Antunes, Helder Ribeiro e Agatão Lança. Participam vários aviadores. Revolta jugulada pelo governador militar de Lisboa, brigadeiro Daniel de Sousa, logo promovido a general, sendo relevante a acção do general Farinha Beirão da GNR. Em defesa do regime, destacam-se David Neto, Mário Pessoa Costa e Jorge Botelho Moniz. Os chefes da revolta são deportados para Timor. A revolta estava para ser desencadeada ao mesmo tempo que a da Madeira. Ligações ao Grupo de Buda e à Liga de Paris, com algumas relações com socialistas espanhóis.
Revolta de Bragança  - 27 para 28 de Outubro de 1933: Amotinação militar ocorrida em Bragança. Preparada outra para 20-21 de Novembro, sendo detido Sarmento Beires.
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Greve Geral  18 de Janeiro de 1934: Greve geral contra a criação de sindicatos nacionais, que teve especial incidência na Marinha Grande, mas que se manifestou também em Almada, Barreiro e Silves. No Poço do Bispo em Lisboa, há rebentamento de bombas. Há corte de circulação de comboios em Xabregas. A central eléctrica de Coimbra é ocupada. Conjugada com uma insurreição militar, organizada por um comité revolucionário político, liderado por Sarmento Beires. Instala-se na Marinha Grande um soviete que poucas horas dura. Os líderes da revolta são conduzidos para um campo de concentração criado na foz do Cunene, no sul de Angola, logo no dia 20. A revolta marca o fim da influência dominante do anarco-sindicalismo nas movimentações operárias portuguesas que, a partir de então passa a receber a coordenação revolucionária do PCP.  Com efeito, o remanescente aparelho da CGT vai ser desmantelado pela polícia política do Estado Novo, constituindo o movimento o último estertor do ancien régime sindical.
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Revolta dos generais do 28 de Maio (Abril de 1934): O ministro da guerra Luís Alberto de Oliveira, juntamente com Farinha Beirão, então comandante da GNR, João de Almeida, Vicente de Freitas e Schiappa de Azevedo pressionam Carmona no sentido da demissão de Salazar. O ministro da guerra, no dia 15 de Abril, numa festa realizada no Regimento dos Caçadores 5, discursa perante Carmona, declarando que o presidente era a única fonte do poder e somente com ele o Exército iria para bem da nação. No dia seguinte, Salazar pressiona-o no sentido da demissão, que apresente ao presidente da república. Este que cobrira o discurso como solidariedade passiva, ao não demitir Salazar, fica dele dependente.
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Atentado anarquista contra Salazar  4 de Julho de 1937
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Conspiração da Shell (1942): Organização secreta de inspiração britânica que pretendia a criação de um rede de anglófilos, ligada a quadros da companhia Shell e aos serviços ingleses de propaganda. Visava enfrentar uma eventual invasão alemã. Entre os detidos, Cândido dos Reis, fundador de A Bola, e o médico oposicionista de Coimbra, Ferreira da Costa, que estiveram no Tarrafal. A conspiração foi desmantelada pela polícia política em finais de Março de 1942 e Salazar protestou junto do embaixador britânico que considerou a estrutura limitada e modesta. A embaixada alemã espalhou o boato da mesma visar derrubar Salazar facilitando o desembarque dos aliados nos Açores.
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Manifestação pró-aliados em Lisboa-8 de Maio de 1945: No dia da capitulação da Alemanha, com discurso de Salazar na Assembleia Nacional, grande manifestação em Lisboa pela vitória dos Aliados, de que aproveitaram os oposicionistas. Uma greve estudantila acompanha o processo das manifestações. No dia 19, há uma manifestação de apoio a Salazar e a Carmona no Terreiro do Paço.
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Revolta abortada de Norton de Matos em Agosto de 1945: Conspiração a ser liderada por Norton de Matos, com João Soares, o brigadeiro Miguel dos Santos, Teófilo Carvalho Santos e José António Cardoso Vilhena.
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Revolta da Mealhada - 11 de Outubro de 1946: Revolta organizada por um grupo de oficiais milicianos a partir do Porto. A coluna marcha até à Mealhada onde é detida. Comanda a revolta o tenente Fernando Queiroga, participando, entre outros, Fernando Pacheco de Amorim. Descrição do processo em Fernando Queiroga, Portugal Oprimido, Rio de Janeiro, germinal, 1958. O julgamento ocorre em Março de 1947, sendo defensores dos revoltosos Ramada Curto, Vasco da Gama Fernandes, Adelino da Palma Carlos e Abranches Ferrão. A revolta estaria para ser acompanhada por um levantamento em Tomar e teria a coordenação de Mendes Cabeçadas.
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Revolta da Junta de Libertação Nacional 1947: Movimento encabeçado por Mendes Cabeçadas, com a participação de João Soares. Participam o general Marques Godinho e Palma Inácio. A revolta foi duramente reprimida por Santos Costa. Dão-lhe o nome de Abrilada. Visa-se a criação de uma Junta Militar de Libertação Nacional, presidida por Mendes Cabeçadas, ao que parece com o apoio de Carmona. O secretário-geral da Junta é Celestino Soares. Estão também implicados os brigadeiros Corregedor Martins, Vasco de Carvalho e António Maia, os coronéis Celso de Magalhães, Carlos Afonso Santosm Luís Gonzaga Tadeu, bem como os civis Ernesto Carneiro Franco, Duarte Furtado Castanheira Lobo e Francisco Correia Santos. No decorrer do processo Palma Inácio sabota aviões na base de Sintra. Em 14 de Junho, nota oficiosa do governo revela que no anterior conselho de ministros do dia 1 foram demitidos vários oficiais e professores universitários, por estarem implicados no movimento revolucionário abortado. Entretanto em 24 de Dezembro morre no hospital da Estrela o general Godinho, detido na Trafaria. O advogado da viúva, Adriano Moreira, depois de apresentar uma queixa na Polícia Judiciária contra Santos Costa acaba também por ser detido.
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Campanha eleitoral de Norton de Matos 1949: Realizam-se dois grandes comícios. No dia 23 de Janeiro de 1949 no Porto, com cerca de 100 000 pessoas. Em 10 de Fevereiro em Lisboa.
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Morte de Militão Ribeiro 2 de Janeiro de 1950: Depois de preso em Março de 1949, Militão Ribeiro morre em 2 de Janeiro de 1950 na Penitenciária de Lisboa, depois de fazer uma greve da fome. Nesse mês morrem também na cadeia outros militantes comunistas como José Martins e José Moreira. Em 4 de Junho será morto em Alpiarça o comunista Alfredo Dias Lima que organizava uma greve.
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Explosão de Braço de Prata 1953 - Em 24 de Novembro de 1953, deu-se uma explosão na fábrica de material de guerra em Braço de Prata, com 12 mortos e duzentos feridos.
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Morte de Catarina Eufémia: Em 19 de Maio de 1954, morte da militante comunista Catarina Eufémia no Baleizão pela GNR.
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Incidentes em Lisboa - 5 de Outubro de 1958 - Incidentes em Lisboa junto à estátua de António José de Almeida. Polícia ataca manifestantes com gás lacrimogéneo.
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Revolta da Sé 1959  - Para 11 de Março de 1959 estava prevista uma revolta contra o regime salazarista, liderada por Manuel Serra e pelo major Calafate, em torno de um Movimento Militar Independente, onde também terá participado o capitão Vasco Gonçalves, sob a protecção de Delgado. Outro dos conspiradores foi o crónico capitão Carlos Vilhena. Participariam também o major Pastor Fernandes e o capitão Almeida Santos, oficial de ligação a Craveiro Lopes. A revolta foi planeada em 18 de Dezembro de 1958 e estava para deflagrar logo em 28 de Dezembro. Será a primeira vez que sectores católicos actuam numa conspiração. Manuel Serra será a partir de então qualificado como o Manecas das intentas. Com efeito, a revolta abortada deu origem a uma série de intentonas. As reuniões conspiratórias ocorriam na Sé de Lisboa, com a condecendência do pároco, o padre Perestrelo de Vasconcelos. Depois de julgados e presos, os implicados são repartidos por Caxias, Aljube, Trafaria e Elvas. Desta última prisão acabam por evadir-se o capitão Almeida Santos e o médico miliciano Jean-Jacques Valente, com o apoio do cabo Gil da guarda nacional republicana. As circunstâncias da fuga levarão ao assassinato de Almeida Santos, dando origem ao romance de José Cardoso Pires, A Balada da Praia dos Cães, donde foi extraído um célebre filme.
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Greve de Aljustrel. 1960 - Em Abril de 1960 assinala-se uma greve em Aljustrel com ocupação das minas e da sede do sindicato. Cerca de uma centena de detidos.
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Desvio de avião da TAP - O oposicionista Palma Inácio desvia um avião da TAP que fazia a carreira Casablanca-Lisboa, em 10 de Novembro de 1961. Sobrevoando a capital portuguesa, lança panfletos assinados por Galvão e Delgado em nome da DRIL.
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Morte de José Dias Coelho (1961) - O militante comunista José Dias Coelho é morto por agentes da PIDE em Alcântara, no dia 16 de Novembro de 1961. Segundo a versão dos comunistas trata-se de um assassínio. Segundo a polícia política, mero acidente.
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Assalto ao quartel de Beja  1 de Janeiro de 1962 - Na noite da passagem do ano foi assaltado o quartel de Infantaria 3 em Beja. A revolta foi comandada pelo capitão Varela Gomes. Morto, durante os acontecimentos o tenente-coronel Jaime Filipe da Fonseca, então sub-secretário de Estado do exército. Outro dos organizadores foi o civil Manuel Serra, participando o major Francisco Vasconcelos Pestana, filho do antigo ministro da I República, Pestana Júnior, o capitão Pedroso Marques e o tenente Brissos de Carvalho, bem como o civil Fernando Piteira Santos. Depois de um tiroteio com o major Calapez, comandante do quartel que consegue evadir-se e avisar as autoridades, Varela Gomes é gravemente ferido. Entretanto, Humberto Delgado entra clandestinamente em Portugal, chega a dormir em Lisboa numa pensão, e vai para Beja na companhia de Adolfo Ayala, verifica o fracasso e volta ao exílio, onde denuncia a ineficácia da polícia política face aos disfarces que apresentou.
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Revolta estudantil  1962 - Em 6 de Abril de 1962 começa uma greve estudantil em Lisboa. Os incidentes desenrolam-se ao longo de todo o ano, insurgindo-se contra o ministro da educação Lopes de Almeida. Logo em 9 de Março realiza-se em Coimbra o I Encontro Nacional de Estudantes, apesar de proibido, criando-se o Secretariado Nacional dos Estudantes Portugueses. O Dia do Estudante, marcado para 24 de Março, é proibido no dia 21 pelo ministro da educação. O processo estende-se a Coimbra. Com efeito, face à proibição as Academias de Lisboa e de Coimbra decretam luto académico. As autoridades, tentando a conciliação, autorizam que o dia do estudante se comemore nos dias 7 e 8 de Abril, mas no dia 5 surge nova proibição da comemoração, levando à demissão do próprio reitor da Universidade de Lisboa, Marcello Caetano. Era o mais importante movimento de subversão estudantil depois das greves de 1927 e de 1930. Seguem-se incidentes no 1º de Maio e greves no Ribatejo e no Alentejo. Em 10 e 11 de Maio a polícia assalta a sede da Associação Académica de Coimbra, seguindo-se novo luto académico, decretando-se a greve aos exames. Por seu lado, em Lisboa, estudantes, acompanhados por alguns professores, decidem ocupar as instalações da cantina universitária, com nova intervenção policial. Há uma concentração insurreccional no Instituto Superior Técnico em 25 de Novembro, contra do decreto nº 44 632 de 15 de Outubro que condiciona a eleição das associações de estudantes. Entre os líderes da revolta, destaca-se o estudante de direito, Jorge Sampaio, futuro presidente da República, bem como Medeiros Ferreira, secretário-geral da Reunião Inter-Associações e Eurico Figueiredo, líder do Secretariado Nacional dos Estudantes Portugueses. 47 professores de Lisboa apoiam formalmente os estudantes em carta ao Presidente da República. Marcello Caetano, então reitor da Universidade de Lisboa, demite-se. Magalhães Godinho é então demitido de professor do ISCSPU pelo governo. Lopes de Almeida é substituído por Inocêncio Galvão Teles e Paulo Cunha sucede a Marcello Caetano. Os líderes estudantis de então decidem pela criação de um Movimento de Acção Revolucionária, onde dominam socialistas e católicos progressistas.
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Incidentes em Aljustrel 1962 - Em 30 de Abril de 1962, incidentes em Aljustrel: dois mortos e quatro feridos.
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Incidentes na Baixa de Lisboa 1962 - Em 8 de Maio de 1962, incidentes na Baixa de Lisboa. Um morto e quatro feridos. No final do mês, bombas no ministério das corporações e no Secretariado Nacional de Informação.
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Incidentes em Maio de 1963 - Incidentes em Lisboa no dia 1 de Maio de 1963. Um morto.
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Assassinato de Humberto Delgado (1965) - Brigada da PIDE assassina Humberto Delgado em 13 de Fevereiro de 1965. O tiro fatal foi disparado pelo agente Casimiro Monteiro. A brigada era chefiada por Rosa Casaco. Henrique Cerqueira, em Rabat, dá alarme àcerca do desaparecimento do general. Os cadáveres do general e da secretária apenas são descobertos no dia 24 de Abril.
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Bombas da FAP (1965) - GAPs (Grupos de Acção Popular), ligados à FAP lançam bomba contra instalações da Polícia. Em 26 de Novembro a FAP assassina num pinhal em Belas um tal Mateus considerado como um agente infiltrado. No mês de Outubro a PIDE havia prendido Pulido Valente.
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Assalto ao Banco de Portugal (1967) - Uma brigada oposicionista, em 17 de Maio de 1967, liderada por Palma Inácio assalta a agência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, desviando 29 mil contos. A partir destes fundos será criada a LUAR.
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Revolta estudantil de Coimbra (1969) - Incidentes desencadeados a partir de 17 de Abril de 1969. Marcello Caetano está ausente do país. Américo Tomás, acompanhado pelo ministro da educação José Hermano Saraiva vão a Coimbra inaugurar o novo edifício universitário das Matemáticas. A recém eleita direcção da Associação Académica de Coimbra, através dos seu presidente, pede para falar na cerimónia, Tomás recusa. Foi o rastilho para o movimento acirrado pelas prisões feitas pela polícia dos dirigentes estudantis. Até Outubro a cidade de Coimbra vai viver em estado generalizado de desobediência cívica, não sendo suficientes as medidas repressivas, dado que estas serviram para reforçar a unidadeestudantil e do domínio da esquerda. No dia 2 de Junho começa a greve aos exames, apenas desmobilizada em Setembro. Cerca de 49 estudantes são compulsivamente integrados no serviço militar, não se concedendo o adiamento da incorporação. Em 11 de Abril de 1970, tudo parece terminar quando uma comissão de estudantes, com Alberto Martins à frente vem a Lisboa pedir benevolência a Américo Tomás, na presença do ministro da justiça, Mário Júlio de Almeida Costa, com discursos do reitor, Gouveia Monteiro, e de Teixeira Ribeiro, numa manobra que contou com a ajuda de Sebastião Cruz e Mota Pinto.
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Bomba no navio Cunene - Em 30 de Outubro de 1970, a primeira acção armada da ARA, braço armado do PCP. Nova acção ocorre em 25 de Novembro. Bomba em Tancos em 7 de Março de 1971.
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Ocupação da Capela do Rato 30 de Dezembro de 1972 - Grupo de cristãos progressistas ocupa a Capela do Rato, organizando uma vigília contra a guerra colonial. Visa-se o Dia Mundial da Paz e invoca-se o lema A Paz é Possível. Na acção destacam-se Luís Moita e Nuno Teotónio Pereira.

PS-Alguns excertos da autoria do professor José Adelino Maltês

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Uma CASCATA de LUAR prá Ó...!



Pediste-me a Lua, pintei-te o Luar
Vestida de noite abraçada à Cascata
Dei-lhe as cores do nosso gostar
Água com finos reflexos de prata 


Vermelhos, azuis, castanhos, amarelos
Imagens das tuas desejadas aparições
Sorriso aberto de rebeldes olhos belos
Escultura em movimentos de ilusões


E de tantas razões uma houve sobretudo
Foi dedicá-lo a ti, mais-que-tudo !



E uma da violino para dar música à......Cara Lindaaaaaa...!





domingo, 4 de dezembro de 2011

SÓCRATES - O FUTEBOLISTA-MÉDICO DA DEMOCRACIA CORINTHIANA "transferiu-se" !


Em 1982 o Corinthians não era só um das eauipas  com a maior massa associativa  do Brasil - era um clube  capaz de mostrar, em plena ditadura militar, que liberdade e democracia eram valores possíveis. Um dos maiores movimentos políticos do futebol mundial, a Democracia Corinthiana foi uma época histórica para o clube e para o país.

A equipa era encabeçada nos relvados  por jogadores como Sócrates, Wladimir, Casagrande, Zé Maria, Biro-Biro, Zenon e no cenário dos media  nacionais  por pessoas públicas como Rita Lee, Juca Kfouri, Boni - “recrutados” pelos esforços do famoso publicitário Washington Olivetto, que na época assumiu o marketing do Corinthians (dispensando salário para função).

A Democracia surgiu com a ascensão de Waldemar Pires na presidência do clube, após a saída de Vicente Matheus e a péssima temporada em 1981, na qual o Corinthians amargou um péssimo 26º lugar no Campeonato Brasileiro, e o 8º lugar no Paulista daquele ano. A presidência descentralizada de Pires e a presença do sociólogo Adilson Monteiro Alves como gerente de futebol, somadas à articulação política de alguns jogadores daquele elenco permitiram o nascimento de um modelo inédito (e nunca mais repetido) de autogestão no Desporto.

Não havia no Corinthians daquela época nenhum integrante do clube, do roupeiro ao presidente, com poder de voto maior que o outro: todas as decisões do clube  eram tomadas de maneira democrática. Isso significava que desde a escolha  da formação  até à  contratação ou demissão de jogadores e funcionários tudo  passava pela escolha popular de quem era parte do Corinthians entre 1982 a 1984.
Os frutos dessa gestão visionária, corajosa e inovadora foram, para o Corinthians, dois títulos do Campeonato Paulista (1982 e 1983) e um alívio  financeiro que vieram com o saldar  de todas as dívidas e um super-havit  de U$3milhões de dólares deixados para a p temporada seguinte. Para o Brasil, a Democracia Corinthiana foi além: ao entrar em campo com seus dizeres em prol da democracia política, o Corinthians reacendeu a massa na luta para a liberdade e o fim do regime ditador.
Em 1984 começa o fim da Democracia, com a saída de Sócrates e Casagrande e o novo movimento do futebol comercial: inicia-se o Clube dos 13 e a figura dos caciques volta  em  força. O fim definitivo chega em 1985 com a não eleição de Adilson Monteiro como o substituto de Waldemar Pires.
No entanto, a importância da Democracia Corinthiana é inegável. Poucas vezes na história mundial, e nunca antes do Brasil, um movimento do Desporto teve caráter tão marcante para o cenário político de um país. A coragem de desafiar a ditadura e sublevar o povo numa luta para reconquista de direitos é um marco que não pode ser esquecido, e uma das provas irrefutáveis do que é o Corinthians, em sua verdadeira história e essência, o grande time do povo.
Vi o grande, enorme, em talento e tamanho, jogar muitas vezes, nomeadamente nos Mundiais de Espanha, em 82, e no México, em 86. Era um jogador tipo Playstation, que fazia o que queria com a bola do alto do seu quase 1,90m. Impunha-se pela técnica prodigiosa e pela personalidade vincada ao lado de Zico, o Pelé "Branco", Falcão e Toninho Cerezzo. Um festival de futebol que esbarrou eliminado na Itália do fabuloso goleador Paolo Rossi e quatro anos depois na França carregada às costas pelo uma pérola chamada Platini. 
O perfume de Sócrates não envolveu Florença nem a Fiorentina na fugaz passagem pela Europa. Mas brilhou no Brasil até ao fim da carreira e nos consultórios onde tratava os seus pacientes sempre com a mesma classe e urbanidade que espalhava pelos relvados. 
Aos 57 anos, Sócrates, entrou na equipa celestial. O Futebol cá de baixo agradece-te!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

MILITARES JURAM DEFENDER PORTUGAL E NÃO O PRESIDENTE DA REPÚBLICA OU O GOVERNO !


Tem havido por aqui muita confusão acerca do papel das Forças Armadas na vida do País e também sobre "golpes de estado" e "revoluções". O juramento dos militares é feito exclusivamente à Bandeira Nacional e comprometem-se a defender a Constituição, as Leis e a Pátria, mesmo com o sacrifício da própria vida. Posto isto, os oficiais, sargentos e praças do Exército, da Marinha e da Força Aérea não têm qualquer obrigação para com o Presidente da República, embora este seja o seu "chefe" por inerência do cargo, o Governo, a Assembleia da República ou qualquer outro organismo estatal. 
Em Democracia e num Estado de Direito, as Forças Armadas encontram-se submetidas hierarquicamente ao ministro da Defesa, mas em virtude de estarem obrigadas pelo Juramento de Bandeira a respeitarem a Constituição e a Lei podem, e devem, intervir imediatamente se o Governo ou a Assembleia da República se afastarem das suas obrigações constitucionais e legais perante os cidadãos. Os militares são, portanto, os guardiões armados não só da independência do País mas também do funcionamento legal das instituições, competências completamente diferentes das assumidas pela Polícia de Segurança Pública e da Guarda Nacional Republicana, esses sim, organizações cívicas armadas e para-militares na dependência directa do Governo.  
Em 25 de Abril de 1974 aconteceu um Golpe de Estado e não uma Revolução. A génese do Movimento dos Capitães desenvolveu-se em Bissau, na Guiné, por motivos corporativos. A falta de candidatos nos cursos da Academia Militar, havia apenas 72 alunos em 423 vagas em 1973, obrigou o governo de Marcelo Caetano a publicar o decreto-lei 353/73, o qual permitia aos oficiais milicianos ultrapassar em antiguidade e promoção os do Quadro Permanente mediante determinados pressupostos. 
A discussão da situação profissional e político-militar dividiu os militares em três facções distintas:
Os mais chegados ao general António de Spínola defendiam a queda do Estado Novo e uma solução federalista de Portugal com as Colónias; os radicais de direita do general Kaúlza de Arriaga, especialmente os da Força Aérea, pretendiam um golpe de Estado ortodoxo e a revitalização das teses de Oliveira Salazar, quer quanto à sociedade, quer quanto às províncias ultramarinas; os oficiais do Movimento, entre os quais o major Melo Egídio, repudiavam as duas facções anteriores e bateram-se pela democratização do País e a negociação da independência dos territórios além-mar. 
Formou-se em Bissau a Comissão do Movimento dos Capitães formada pelo major Almeida Coimbra e os capitães Matos Gomes, Duran Clemente e António Caetano, cujo objectivo era enviar ao Governo um documento de protesto pela publicação do decreto-lei 353/73. Em 21 de Agosto do mesmo ano, em Lisboa, no Depósito de Indisponíveis, reuniram os capitães Vasco Lourenço, Bicho Beatriz, Diniz de Almeida e outros para escolherem o local de uma reunião mais alargada. A Herdade do Sobral, em Alcáçovas, mereceu a preferência pela discrição do lugar e 136 oficiais estiveram presentes. 
Após várias reuniões e muitas divergências quanto ao modo como se manifestariam, a opção de uma "greve de braços caídos no Terreiro do Paço chegou a ser colocada em cima da mesa, o tenente-coronel Luís Banazol, em 24 de Novembro de 1973 na Colónia Balnear de "O Século", desatou o nó górdio do impasse ao clamar por um golpe de estado militar que derrubasse pela força o regime do Estado Novo. "Se for preciso atira-se com uma bomba de 200 kgs para cima da Assembleia Nacional com todas as consequências que daí advenham", proclamou perante os oficiais atónitos com a perspectiva de se enveredar pela via da força. 
E foi assim que nasceu o Golpe de Estado do 25 de Abril. A Revolução propriamente dita iniciou-se no dia seguinte com o Povo a libertar-se das grilhetas da Ditadura social e profissionalmente. 
Tal como então, as Forças Armadas, ante a dramática situação que se prevê para o País, devem estar atentas e intervir se a Constituição e as Leis saídas da Assembleia da República ou os diplomas do Governo forem contrários aos interesses do País e dos seus cidadãos. 
Os militares já avisaram em discurso directo: "Não contem com as Forças Armadas para reprimir o Povo em caso de convulsão social". 
Acredito! 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

20 mil visitas!



Agradeço aos meus caros amigos que me vêm acompanhando desde Março o facto de me terem "visitado" mais de 20 mil vezes no meu despretensioso blogue. Continuarei a fazer por merecer as vossas espreitadelas. Obrigado!
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