quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A II Guerra Mundial iniciou-se há 72 anos

Há precisamente 72 anos iniciava-se a II Guerra Mundial quando no dia 1 de Setembro de 1939, às primeiras horas da manhã, as tropas da Alemanha hitleriana passaram a fronteira da Polónia. A História escrita pelos vencedores, no entanto, não é rigorosa quanto aos acontecimentos que levaram à morte de mais de 60 milhões de pessoas. Se é verdade que a Alemanha de Hitler desafiou a Inglaterra e a França, dois países que se tinham comprometido a defender a independência polaca, normalmente é omissa quanto à intervenção da União Soviética, que, duas semanas depois, fez exactamente o mesmo que os alemães e anexou a parte Leste da Polónia. Assim sendo, por que razão os ingleses e os franceses declaram guerra apenas à Alemanha e não aos soviéticos? Afinal, nessa altura, Hitler e Estaline eram aliados, tendo este assassinado mais de 20 mil oficiais polacos no massacre da floresta de Katyn. 
Mas vejamos o que aconteceu nesses dias trágicos segundo o relato da "Área Militar"


Os acontecimentos desse dia, vieram na sequência de um ano até ali cheio de movimentações e tomadas de posição que pareciam aproximar a Europa da guerra. Em 1938 a Inglaterra e a França, tentaram apaziguar Hitler, dando-lhe parte da Checoslováquia. Em Março de 1939, Hitler conclui o negócio ao ocupar a Morávia e a Boémia (actual República Checa).A seguir à tomada desta parte da Europa, Hitler volta-se para a Polónia exigindo a devolução do chamado corredor de Danzig, que ligava a Polónia ao mar do norte, mas o objectivo de Hitler é claro: Varrer a Polónia do mapa.

A Inglaterra, entende então que não vale a pena continuar a apaziguar Hitler e que será necessário fazer-lhe frente. Avisa a Alemanha de que se entrar na Polónia isso implicará a guerra com a Inglaterra.

Hitler vacila. A Alemanha não está preparada para a guerra em 1939. A sua marinha não teria capacidade para fazer frente à Royal Navy e poderia repetir-se o problema da primeira guerra, com uma Alemanha isolada.

Em 21 de Agosto, numa reunião com os seus mais próximos colaboradores no entanto, fica demonstrado que os alemães estão convencidos de que a Inglaterra não entrará em guerra por causa da Polónia. Entre aqueles que afirmam isso, está o chefe da Luftwaffe, Hermann Goering.

Para explicar porque a Inglaterra e a França vão ficar quietas, afirma que os seus exércitos estão desactualizados e que as suas forças estão dispostas de forma defensiva. As forças aéreas não têm condições de defrontar a Luftwaffe.Os líderes da Alemanha nazista, passam por cima do facto de a Grã Bretanha ter dados garantias explícitas à Polónia.

Nesse mesmo dia (15 de Agosto) são emitidas as ordens para a invasão da Polónia. O código é «Casa Branca I.Y –D = 26.8 –H = 4,30».Mas nessa mesma noite, é emitida uma contra-ordem, suspendendo novamente a invasão, embora o movimento de tropas tenha começado. Quando a 31 de Agosto é recebida novamente a ordem de ataque, os generais aguardam até ao último momento que a ordem de atacar a Polónia seja cancelada.

Essa ordem, não chegará.

Em Berlim, às 09:00 da manhã do dia 1 de Setembro (um Domingo) o Rolls Royce do embaixador britânico para à frente da Wilhelmstrasse, a chancelaria do Reich. Do veículo sai o embaixador britânico para se encontrar com o ministro dos negócios estrangeiros Von Ribbentrop.

Von Ribbentrop informa Hitler da visita do embaixador britânico. Hitler fica lívido, e Goering estupefacto, afirma na altura: «… Se perdermos esta guerra, que Deus tenha piedade de nós!»Contra todas as expectativas, as democracias ocidentais decidiram agir. A Grã Bretanha entregou à Alemanha um ultimatum, informando que ou as forças alemãs que entraram na Polónia voltam para trás, ou a Grã Bretanha declarará guerra à Alemanha. O embaixador da França, entregou um ultimatum idêntico.

Muitos dirigentes alemães estão em pânico. 80% do exército está envolvido na invasão da Polónia. Se a ocidente a França atacar. Não há nada para impedir os franceses de tomarem toda a região a ocidente do rio Reno em poucos dias.

Mas a inacção da França e da Inglaterra vão jogar a favor da Alemanha. A declaração de guerra seguirá o seu caminho, mas os aliados ocidentais não se movem, e selam desta forma o destino da Polónia e o destino da Europa durante os seis anos seguintes.

O ataque à Polónia

O ataque à Polónia, efectuado pelas forças alemãs, leva o III Reich a movimentar 1.500.000 soldados. Às 04:45 começará a invasão.
A posição das forças na vespera da invasão


A invasão começa com a criação de um falso incidente em que participam tropas das SS disfarçadas de militares polacos que rebentam a sua própria estação de rádio para criar um incidente e abrindo caminho à justificação da invasão.A invasão decorre em três frentes. A sul em direcção a Cracóvia está o general List com o X e VIII exércitos, equipados com carros blindados. No centro-norte, o general Von Reichenau comanda um considerável numero de carros blindados. A norte, da Prússia e da Pomerânia, descem os exércitos de Von Bock e Von Kuchler.
A progressão da invasão alemã durante os primeiros nove dias do conflito, altura em que os alemães já se encontravam às portas de Varsóvia.



O exército polaco, não está à altura da organização alemã. Como o exército francês, ainda se baseia nos cavalos como principal meio de locomoção. Toda a sua artilharia tem que ser rebocada por cavalos e a sua cavalaria ainda efectua cargas com sabres.Chega a ocorrer uma carga de cavalos sobre os blindados alemães.No entanto, não é correcto pensar que o exército polaco é todo ele equipado com armamento antigo. Os polacos dispõem de alguns blindados de fabrico próprio e artilharia relativamente moderna. O problema principal, é a absoluta incompatibilidade das suas tácticas com as tácticas alemãs que evitam entrar em confronto directo.Quando a infantaria polaca ou os seus poucos tanques atacam de frente, os alemães fogem à luta, inflectem à direita ou à esquerda e prosseguem o avanço. Mais à frente encontrarão forças alemãs provenientes de outro sector e juntos cortarão os abastecimentos aos polacos que ficam assim cercados.Grandes unidades polacas ficam assim cercadas nos primeiros dias e a 9 de Setembro já os alemães se encontram nas proximidades de Varsóvia. Uma bolsa de forças polacas tenta libertar-se mas não consegue. Antes que se completem 15 dias de guerra, a Polónia perdeu já 60.000 militares, e 130 canhões. Sete divisões polacas são aprisionadas.O passeio alemão apenas para à entrada de Varsóvia. A 10 de Setembro os alemães já tentam entrar na cidade,que se encontra cercada e isolada dos principais corpos de exército polacos. Os alemães deparam-se com uma resistência meticulosa e organizada, mas como a resistência de Varsóvia depende do apoio que possa receber de outros sectores e o exército polaco está fraccionado, isolado e em muitos casos cercado, não consegue guarnecer as posições para a defesa da cidade.
Até 18 de Setembro, um dia depois de a URSS ter invadido a Polónia, grande parte do território que seria controlado pela Alemanha estava já tomado.



A 17 de Setembro, cumprindo a clausula do pacto Germano-Soviético, a União Soviética ataca a Polónia, cuja fronteira tinha sido completamente abandonada pelas forças polacas que se dirigiram para ocidente para combater os alemães.A 20 de Setembro, as tentativas polacas de aliviar a posição de Varsóvia fracassam. A sul, o X exército alemão faz mais 80.000 prisioneiros e captura 320 canhões e 130 aviões polacos, enquanto que o VIII exército captura mais 90.000 prisioneiros. Em apenas 20 dias a Polónia perdeu 250.000 homens e uma enorme quantidade de material.Com estas vitórias, o destino de Varsóvia está selado. O governo abandona a cidade e estabelece-se a sul, junto à fronteira com a Roménia.Hitler ordena que Varsóvia seja tomada, antes que os russos avancem demasiado para ocidente. A 25 de Setembro Varsóvia é atacada por ar, num dos primeiros grandes ataques aéreos da II Guerra Mundial. No dia 27 às 12:00 a cidade devastada, decide render-se. Mais 120.000 soldados polacos rendem-se aos alemães.A resistência polaca ainda continuará por alguns dias na área que separa alemães de russos, mas toda a resistência será fútil. Sem qualquer apoio e sem meios para resistir o exército polaco é derrotado e os soldados rendem-se em todas as frentes.Hitler declara: A Polónia deixou de existir.
Alguns dados sobre a Polónia em 1939

Pretextos para uma invasão:

Em 1 de Setembro de 1939, a  invasão alemã da Polónia não foi apresentada ao povo alemão pelo ministro da propaganda Goebbels como uma simples invasão, mas sim como uma expedição punitiva destinada a defender os alemães que viviam na Polónia.

Os jornais alemães e as actualidades do cinema, mostraram imagens de alemães mal tratados , mulheres alemãs violadas pelos polacos, e toda a sorte de violências do tipo.

As alegações alemãs foram todas fabricadas, e apresentadas de tal forma à opinião pública alemã, que muitos alemães acreditaram nelas até ao dia em que as tropas russas entraram em Berlim, cinco anos e meio mais tarde.

Grande desproporção de meios

Quando a guerra começou, a população da Polónia era de aproximadamente 30 milhões, contra uma população alemã de 80 milhões. No entanto, quando se analisam os gastos militares da Alemanha e da Polónia a diferença é enorme, principalmente por causa da grande desproporção entre a economia da Alemanha e da Polónia em 1939.


A proporção de gastos militares alemães para os gastos militares polacos foi a seguinte nos cinco anos anteriores ao inicio da guerra:

1935: 1 para 21
1936: 1 para 21
1937: 1 para 25
1938: 1 para 29
1939: 1 para 54

A situação polaca foi ainda piorada pelo facto de os polacos terem tentado nacionalizar ao máximo a sua industria de defesa. As armas polacas ficavam na realidade mais caras que as armas importadas, o que acabou por agravar ainda mais a inferioridade polaca.

Entre outras razões da rápida derrota polaca, está também o facto de desde os anos 20 a Polónia ter construído muitas das suas defesas voltadas para a Rússia, país que tinha ocupado a Polónia, e não para a Alemanha.

Ocupação da Polónia oriental pelos soviéticos

Uma grande parte da Polónia caiu nas mãos de União Soviética e foi incorporada ao país. A parte norte tornou-se dependente da Bielorússia enquanto que a área a sul foi incorporada na Ucrânia.

Durante a primeira fase da ocupação soviética, grande parte dos militares polacos que escaparam dos alemães fugindo para leste, foram por sua vez juntos pelos soldados russos e assassinados em Katyn.

O massacre foi mais tarde descoberto, mas a União Soviética só reconheceu que tinham sido os russos a assassinar 23.000 militares polacos, depois do desaparecimento da União Soviética.


Partilha da PolóniaA Polónia deixou de existir como Estado Independente, conforme o acordo efectuado entre Hitler e Estaline.
1 - Directamente anexado ao III Reich.
2 - Governo-Geral da Polónia (administrado pela Alemanha)
3 - Anexado pela União Soviética (norte para a Bielorússia e sul para a Ucrânia)
4 - Incorporado à Lituânia e mais tarde incorporado à União Soviética quanto este país invadiu os estados do Báltico

terça-feira, 30 de agosto de 2011

As melhoras, RICARDO GOMES


O antigo futebolista do Fluminense, Benfica, Paris-Saint Germain e da Selecção do Brasil e actual treinador do Vasco da Gama, Ricardo Gomes, sofreu um grave percalço de saúde e encontra-se a recuperar de um AVC num hospital do Rio de Janeiro. 
O Ricardo Gomes foi o primeiro estrangeiro a envergar a braçadeira de "capitão" da equipa benfiquista e evidenciou-se como um  dos melhores defesas-centrais que passaram pelo clube da Luz. Muito correcto, um verdadeiro cavalheiro, Ricardo Gomes ficou célebre numa equipa muito fraquinha treinada por Toni, mas que chegou ao título de campeão graças a vários golos obtidos pelo ex-Flu nos últimos minutos dos encontros. 
Entrevistei o Ricardo Gomes para o jornal onde trabalhava. Uma longa entrevista e uma primeira página quase exclusiva com as suas declarações. Infelizmente, um colega meu, por má-fé ou incompetência, adulterou o título que eu tinha feito, deturpando completamente as palavras do jogador. 
Soube posteriormente que Ricardo Gomes tinha ficado fulo, e com razão, com as palavras publicadas que ele nunca proferiu e queria tirar satisfações comigo, que nada tinha a ver com o assunto. Mas, enfim, eram os ossos do ofício. 
No entanto, um amigo comum reuniu-nos num lauto jantar e o mal-entendido ficou sanado para sempre. 
Neste momento grave da sua vida, desejo ao Ricardo Gomes rápidas melhoras e a melhor recuperação possível como homem e se puder ser também como profissional. Este grande senhor do futebol e da vida merece-o. 
Um abraço!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

E acabou à...LAMBADA !


Na vida acontecem episódios que, tal como as telenovelas, se prolongam por anos a fio. Assim como nas intermináveis ditas cujas há uma multidão de figurantes a atrapalhar aquele final que facilmente se adivinha mas que é preciso prolongar até à exaustão. Aconteceu-me entrar na vida real numa dessas séries. Desde que nos conhecemos chispou uma tremenda atracção física mútua entre nós. Ao longo dos tempos, porém, erguiam-se sucessivamente barreiras que nos impediam de nos aproximar-mos como pretendíamos. Ou era amigo meu que namorava com ela -- e a rapaziada da noite naquela altura tinha códigos de honra severos -- ou era o meu serviço militar que me fez correr Seca e Meca, ou  ainda outras relações posteriores quer de um quer de outro que iam adiando o inevitável. 
Ela ainda me chegou a ir visitar ao Campo Militar de Santa Margarida, quando estava mobilizado para Angola, mas ia acompanhada do "respectivo" da altura. Naquela data encontravam-se lá aboletados cinco batalhões de "carne para canhão" pronta a ser exportada para África. Escusado será dizer o sucesso que Ela fez entre os milhares de homens e no final da visita tinha quase uma Companhia (120 homens) de tipos à minha volta a querer saber pormenores sobre a belíssima morena que estivera a conversar comigo cerca de uma hora no bar do meu batalhão.
De volta à vida civil eu e Ela fomos a festas, cinemas, farras, etc., mas como íamos acompanhados de "alguém", foi-se sempre protelando o desfecho da "coisa". 
Passaram-se mais de dez anos, nesse período houve namoros e casamentos pelo meio, até que um dia. Ou melhor, uma noite, um grupo de amigos se encontrou numa discoteca muito em voga na altura, perto da Avenida de Roma.
Eram os tempos áureos da "Lambada", aquela dança que dava vista a cegos, pernas a coxos, mãos a manetas e por aí fora...Encontrá-mo-nos lá. Por acaso estávamos os dois acompanhados mas não eram "casos" importantes. Eu não sou muito de dançar a não ser que algo de estimulante me proporcione esse prazer. Era Ela! Dançámos aquela música malandra quase até à exaustão. Os nossos cabelos e as nossas roupas colavam-se ao corpo com o suor de tantas voltas e reviravoltas...
De repente parámos. Fixámos o olhar um no outro. O mundo em nosso redor extinguiu-se. Saímos, deixando tudo e todos para trás e chegámos nem sei bem como a casa Dela. O carro foi um grande amigo nessa noite e levou-nos sem olharmos a estrada... Ela abriu a porta de casa...Eu nem sequer a fechei...Nessa noite, depois de tantos anos...
Houve "Lambada" !

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

EXPOSIÇÃO DE PINTURA VERÃO 2011

As minhas pinturas concluídas este Verão: 

"OLHARES" (Acrílico sobre tela - 40cms x 50 cms) 

"ÁRVORE SOLITÁRIA" (Acrílico sobre tela - 40cms x 50 cms)

"ORGASMO NO FEMININO" (Acrílico sobre tela - 40 cms x 50 cms)

"MULHER DE FOGO" (Acrílico sobre tela - 40 cms x 50 cms)
"A GATA" (Acrílico sobre tela - 50cms x 60cms)

"COMANDO" (Acrílico sobre tela - 40cms x 50cms)

"SEREIA" (Acrílico sobre tela - 70cms x 50cms)

"AMIZADE" (Acrílico sobre tela - 70cms x 50cms)

"VALE DO DOURO" (Acrílico sobre tela - 70cms x 50cms)

"A PONTE" (Óleo sobre tela - 100 cmsx70cms)

"NINHADA" (Óleo sobre tela - 80cmsx70cms) emoldurado

"CASCATA" (Óleo sobre tela - 80cms x 70cms) emoldurado

terça-feira, 23 de agosto de 2011

"O CAMPEÃO" do "vale de lágrimas"...



Segundo o jornal "Expresso", depois de estudados mais de 250 filmes e seleccionadas 78 cenas, foram analisadas as reações de uma audiência de 500 voluntários.
Os resultados do trabalho desenvolvido pelos investigadores Robert Levenson e James Gross da Universidade da California (EUA), resultaram numa lista de 16 trechos capazes de estimular emoções específicas (como nojo, raiva ou tristeza), publicada em 1995.

A cena que mais levou a audiência às lágrimas foi, de todas as candidatas, a da criança T.J. (interpretado pelo ator Ricky Schroder) a chorar sobre o corpo sem vida do pai.
Dois minutos e 51 segundos é quanto dura este trecho, que tem sido usado numa série de estudos em todo o mundo sempre que, para bem da ciência, se torna necessário acabar com a alegria dos participantes.
Fui ver este filme, "O Campeão", ao cinema Mundial, situado numa transversal da Avenida Fontes Pereira de Melo. Uma sala muito bem situada, por acaso, dado que por baixo existia um bar-discoteca, "As Caves do Mundial", onde "desfilavam" algumas das mais vistosas "raparigas" de Lisboa. 
Segui a fita na primeira fila do primeiro balcão. A minha mulher (oficial) da altura acompanhava-me e estava sentada ao meu lado esquerdo. Esta cena do filme é realmente comovente, o cinema  inundava-se num vale de lágrimas, ouviam-se nitidamente os soluços de choros mais ou menos convulsivos e a minha mulher também encharcou um lenço. 
No entanto, dentro desta cena uma outra "cena" inesperada aconteceu-me. A "menina" morena de cabelos compridos, mini-saia e botas altas, à minha direita, à falta de melhor, ou de companhia, resolveu exteriorizar as suas emoções, agarrando-me um braço e encostando a cabeça ao meu ombro, deixando um rasto bem visível de "rimmel" diluído em lágrimas na minha camisa. 
A minha mulher não achou muita graça ao ver a "menina" das "Caves do Mundial" num pranto de Madalena a desabar sobre a minha pobre e inocente pessoa e por pouco a cena do filme não foi ofuscada por uma outra "cena" bem mais real no primeiro balcão do cinema "Mundial"...E eu, sem culpa alguma, entalado entre aquelas duas feras prestes a esgatanharem-se furiosamente...
Saí de fininho, como se costumam classificar as retiradas estratégicas, e daí até casa respondi dezenas de vezes "não" às insistentes perguntas da minha mulher se eu conhecia ou não aquela chorosa "menina". 
Será que conhecia?...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma namorada de TRÊS PERNAS


Fui sempre um apaixonado pelo "Plateau", aquela discoteca que começou como uma "caixinha" de madeira com o chão e as paredes cobertas de tábuas rústicas e foi evoluindo para outro tipo de decoração mais sofisticado e não sei se actualmente ainda existe, praticamente desde a sua inauguração nas inesquecíveis noites dos anos 80. 
Depois do "circuito" pelo Bairro Alto, o "Plateau" era normalmente onde desaguava a energia de umas danças "bombadas"  intervaladas com uns copos muitas vezes na companhia da minha inseparável comparsa destas lides, Paulinha. (Lembras-te, Paulinha?). 
Essa namorada de então era muito menos exuberante que a Paulinha e de vez em quando sentava-mo-nos nos bancos corridos encostados à parede na versão mais modernizada do "Plateau". Era o normal quando intervalávamos do "hard rock" típico da casa. 
Nessas alturas ficávamos encostados um ao outro e colocava-lhe a mão sobre as pernas. Uma das vezes, porém, com o copo na mão direita e com a mão esquerda toquei-lhe numa perna, na outra perna e por fim deixei a mão encostada sobre uma terceira perna..."Olá -- pensei -- esta "gaja" não pode ter três pernas". De início não liguei devido à agitação do local. Depois, mais consciente da situação, reparei que estava com a mão sobre a perna de uma desconhecida que se encontrava sentada ao lado dessa namorada.
A minha sorte de não ter levado uma bela tareia dos amigos que a acompanhavam foi a desconhecida ter compreendido que eu estava distraído e não a abusar dela e aceitou com simpatia e serenidade os meus pedidos de desculpa. Ao contrário dessa minha companheira de então. Ciumenta! 
A partir daí, em qualquer discoteca, passei a ter muito mais cuidado em ver onde colocava as mãos do que onde punha os pés...


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O "MISTÉRIO" daquela noite

Sempre senti um enorme fascínio por Sesimbra. É algo inexplicável e por isso não vou explicá-lo aqui porque pura e simplesmente não saberia como fazê-lo. Numa das muitas férias que por ali passei encontrei-me com um grupo de amigos que já conhecia de Lisboa. Eram várias as festas que realizávamos na Avenida D. Carlos I, muito perto da Assembleia da República, num sótão com uma vista esplendorosa sobre o casario em redor e o majestoso Tejo em fundo. 
Nessa tertúlia era constante a presença da Helena. A moça de 20-21 anos era bastante discreta, normalmente trajava de negro, a beleza dela não  deslumbrava ao ponto de me chamar a atenção, mas era bonita com uns cabelos escuros e lisos a emoldurarem-lhe um rosto de feições correctas. A Helena era bastante introvertida, não participava muito nas conversas e nas brincadeiras e daí passar algo despercebida naquele grupo de irrequietos "destravados".  
Naquele fim-de-semana, ou férias, em que nos reencontrámos em Sesimbra fomos jantar numa marisqueira pequena, mas excelente, numa das típicas ruelas estreitas por trás do então Hotel Espadarte. Lá estava a Helena. Sóbria, discreta e caladinha, como sempre. 
Confesso que não abusei apenas no marisco. As "canecas" de "loiras" também não  foram poupadas no festim...
No dia seguinte, cheguei à praia, precisamente no local da fotografia que coloquei reproduz, a Helena aproximou-se, sentou-se na minha toalha, deu-me um beijo na boca e exclamou, carinhosamente, com um sorriso de felicidade como nunca lhe tinha observado: "Bom dia, amor !". 
Só não caí na areia com o espanto porque estava sentado...
Não sou de me atarantar mas foi uma das poucas ocasiões na vida em que algo de inesperado me deixou sem reacção. 
Levantei-me, fui para dentro de água no intuito de refrescar ideias, ela seguiu-me, nadámos, mergulhámos e sempre que vínhamos à superfície, toma lá outro beijinho dela.
Até que não resisti mais e fui ter com a Gena, a "chefe" da ala feminina do grupo. 
"Gena, o que se passa com a Helena?", perguntei-lhe. 
"Nada, é a tua namorada!", respondeu ela com a maior naturalidade deste mundo.
"Minha quê???", quase gritei à minha amiga. 
"Então ontem não andaste com ela horas na praia às escuras?", disse-me a Gena.
"Andei???", perguntei ao mesmo tempo que tentava desesperadamente lembrar-me da noite anterior...
"Não estiveram a dançar em minha casa num "mel" desgraçado?", acrescentou ela.
"Foi???", interroguei-me, procurando abrir a cortina negra da minha memória.
"Não lhe disseste que era a mulher da tua vida, a tua namorada para sempre?", insistiu a Gena. 
"Disse???", murmurei cada vez mais espantado por ter acontecido tanta coisa e eu não me recordar de nada..."Não me estão a pregar uma partida?", titubeei na esperança que fosse aquela a explicação para o "mistério" daquela noite...
"Não dormiram os dois?", frisou ela, já a azedar comigo.
"Dormimos???", procurei a verdade, incrédulo, "Eu e a Helena dormimos os dois?"
Abandonei o grupo, atirei-me à água, nadei até à plataforma de saltos que nessa época ancorava ao largo da praia de Sesimbra e fiquei por lá o resto do dia, estendido ao sol, escavando nos recantos da memória qualquer vestígio de tudo o que a Gena me acabara de revelar.
Quando nadei de volta à praia, já o sol se abrigava por trás do morro sobranceiro ao Porto de Abrigo, esta encontrava-se deserta...
Lembrei-me deste episódio, na noite passada, quando de madrugada passou no canal Hollywood o inesquecível "Easy Rider". Porquê? Coisas da vida...

  




domingo, 14 de agosto de 2011

E o POVO saiu à rua em ALJUBARROTA



Às 18 horas do dia 14 de Agosto de 1385, em Aljubarrota, a independência de Portugal decidia-se numa cumeeira estreita entre as ribeiras da Calvaria e do Vale da Mata. Frente a frente os exércitos de Portugal, lideradas por Nuno Álvares Pereira e o rei D. João I, reforçado com umas centenas de archeiros e besteiros de Inglaterra, e as forças de Castela, comandadas por D.Juan I, e reforçadas por tropas de França, Reino de Aragão (actual Catalunha), reinos italianos e uma força de cavalaria... portuguesa, integrando os fidalgos traidores à causa da liberdade lusitana. 
A elite intelectual nacional não pretendia ver D. João Mestre de Aviz coroado rei de Portugal. O Povo, sempre o Povo na História de Portugal a decidir o seu destino..., saiu à rua, cercou os castelos dos senhores feudais, matou muitos deles e obrigou outros a fugirem para Castela, onde se colocaram às ordens do rei nosso inimigo. Daí se compreenda a sua presença em Aljubarrota.
A peleja decorreu conforme o planeado pelo Condestável Nuno Álvares Pereira. O rei D. Juan I mandou flanquear as nossas forças e caiu na armadilha. A cavalaria francesa viu-se comprimida no "beco" formado pelas duas ribeiras e a sua enorme superioridade numérica de nada lhe serviu. Trespassada pelas flechas e virotões dos arqueiros e besteiros e empaladas nas valas anteriormente cavadas e armadilhadas com estacas aguçadas, os homens do Marquês de Vilhena não conseguiram ultrapassar as paliçadas de troncos onde se resguardavam a infantaria portuguesa e não dava espaço para um cavalo penetrar. À medida que tombavam mortos ou feridos, os cavaleiros gauleses impediam a passagem dos seus companheiros mais atrasados. Os cavalos não saltam sobre obstáculos que instintivamente sabem não poder ultrapassar e a confusão instalava-se na inútil cavalaria pesada francesa. A golpes de malhos e alabardas, os cavaleiros, agora em pé, sucumbiram ou foram feitos prisioneiros pela infantaria portuguesa. 
A cavalaria ligeira espanhola do Marquês de Alcântara tentou envolver o pequeno exército português de 10 mil homens mas as barreiras naturais das ribeiras não o permitiam. No Chão da Feira, onde estavam posicionadas as tropas invasoras, o rei Juan I de Castela apercebeu-se da gravidade da situação, mandou avançar a infantaria pesada. Os homens, com pesadas armaduras e protecções, não conseguiam marchar em formatura sobre os cavalos e os cavaleiros caídos num terreno pejado de obstáculos. Apesar de terem avançado um pouco mais que a cavalaria francesa, os infantes castelhanos foram detidos pelo fogo cruzado dos arqueiros e besteiros luso-britânicos. 
A pouco e pouco, no confronto de lanceiros, a vanguarda portuguesa foi cedendo ao ímpeto e à força do número dos castelhanos, mas ao entrarem dentro do quadrado defensivo ficaram cercado pelas alas de arqueiros e besteiros, ao mesmo tempo que a cavalaria do próprio rei de Portugal, D. João I, carregou e fechou o inimigo numa armadilha mortal.  Quanto mais se amontoavam dentro desta ratoeira mais fácil se tornava aos lanceiros portugueses trespassar o inimigo, cujas lanças eram mais curtas e não dispunham de espaço para manejá-las. Espadas, machados, alabardas, malhos e achas de armas esquartejaram sem piedade uma massa humana castelhana encurralada e já descrente na vitória. 
Os prisioneiros invasores foram trespassados pelas armas dado que não era possível destacar homens para a sua vigilância, uma vez que a cavalaria ligeira do Marquês de Alcântara tinha encontrado uma aberta para atingir uma  rectaguarda portuguesa com poucos efectivos. O pânico, porém, já se instalara entre os catelhanos, franceses, aragoneses e italianos. A fuga desordenada começara. 
O rei Juan I retirou apressadamente e o grosso dos sobreviventes ficou entregue à sua sorte. No campo de batalha tinham perecido menos de mil portugueses e ingleses, quanto cinco mil inimigos jaziam mortos numa pequena parcela de terreno armadilhado. A população não ficou em casa depois da batalha e saiu à rua à caça dos castelhanos e seus aliados em fuga. Outros cinco mil foram chacinados pelas milícias populares que os rechaçou com machados, foices, ancinhos e tudo que o pudesse trespassar o odiado inimigo invasor. 
Este foi apenas um dos episódios da História de Portugal em que o Povo tomou os destinos do País nas suas mãos e defendeu-o com sangue, coragem e denodo contra invasores estrangeiros e traidores portugueses. Os verdadeiros patriotas não embarcam em "jangadas de pedra"...
E hoje, em 14 de Agosto de 2013?


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

XUXA e PATOLAS de PARABÉNS


Os meus felpudos e irrequietos felinos Xuxa Morgana e Jack Patolas the Ripper são hoje aniversariantes. Nasceram no dia 11 de Agosto de 2001. A mãe, Flufa the Flu, pariu-os dentro de um roupeiro e guardava-os com toda a atenção e garras afiadas, prontas a deixar marcas em qualquer intruso. O pai, Tomassas Tuta the Tuba, cheirou-os, reconheceu-os como filhotes, e foi à vida dele. Na estranha e misteriosa genética dos gatos os dois irmãos são completamente diferentes. A Xuxa é uma siamesa (tonquinesa) albina, uma variante rara, e o Patolas um gordo e grandalhão mau egípcio tigrado, uma raça que é considerada a "mãe" de todos eles. Em termos de pesonalidade também não podiam ser mais opostos. Ela é tímida, reservada e gosta de passar despercebida; ele é extrovertido, brincalhão e especialista em perseguir sombras nas paredes. Quando está frio não esquecem que são irmãos e normalmente enroscam-se juntos para se aquecerem mutuamente. A Xuxa, coitada, tem uma vida relativamente difícil para escapar aos ataques assassinos do irreverente e brigão sobrinho General Patton Kanoka. O Patolas não é de lutas, diverte-se nas brincadeiras, mas quando o provocam faz valer  o poder dos seus 10 quilos. Pelo meio vão destruindo a casa. Mas a casa não teria o mesmo encanto sem eles...Oe

domingo, 7 de agosto de 2011

JÁ ando aos CAIXOTES DO LIXO !


É a vida! Hoje já andei aos caixotes do lixo para almoçar. Ainda não integro a chaga social dos sem-abrigo, apesar dos esforços legislativos dos sucessivos governos para engrossar as hostes do já numeroso exército de desvalidos, mas esta tarde para confortar o estômago tive de andar a chafurdar nos detritos do contentor que a Câmara Municipal de Sintra me coloca à porta em troca dos 60 euros anuais que me extorque, com ameaça de juros e penhora se não cumprir um contrato que nunca assinei, em nome de uma abusiva taxa de "saneamento e esgotos" pontualmente nos meses de Setembro. 
Acordei tarde, como habitualmente, e depois de dar prioridade ao apetite dos gatos fui tratar do meu. Mas onde estava o arroz de pato que eu tinha deixado a descongelar, ontem, antes de me deitar, em cima do frigorífico? Dei voltas e reviravoltas à casa mas o pato tinha voado levando consigo o respectivo arroz e a caixa de plástico onde se encontravam encarcerados. Mau, aqui há pato, ou melhor, aqui há gato mas pato nem vê-lo. Confirmei que os meus gatos estavam inocentes deste estranho caso. Aliás, eles nem apreciam por aí além os menus humanóides. Reparei, entretanto já mais desperto, que a casa estava bastante mais limpa e arrumada do que antes de me deitar. A minha empregada tinha vindo fazer o seu trabalho enquanto eu dormia e nem  dera por ela. Que diabo, a senhora não é uma pessoa rica mas é uma rica pessoa incapaz de levar daqui o que quer que seja e muito menos um arroz de pato. "Não me digas que...", pensei. E estava certo. Ela achou que aquela caixa nada fazia sobre o frigorífico e deitou-a no lixo. Não é que não tivesse outros artigos de sobrevivência alimentar na dispensa mas queria muito, muito mesmo, aquele arroz de pato. Saí, fui ao contentor, revolvi alguma lixarada que nem sequer é muita devido às férias, e lá encontrei a minha caixinha de plástico com a respectiva ave acompanhada pelo arroz. "O que não mata engorda", dizia a minha saudosa avozinha com a sabedoria dos seus 82 anos. E por entre "boas tardes" de vizinhos curiosos por me verem aos caixotes trouxe o petisco para casa, para o prato, para o micro-ondas e para a boca. Estava óptimo!

sábado, 6 de agosto de 2011

O melhor AMIGO do HOMEM


Há dias em que um tipo anda "cinzento" e menos expansivo que o habitual. Só os idiotas pobres de espírito exteriorizam sempre o mesmo estado emocional. Não se saboreia devidamente a alegria se não se viverem momentos tristes. Nunca se sentirá a força da coragem se o medo não atravessar o nosso caminho. Estes pormenores, no entanto, são contas de outro rosário. Os amigos e conhecidos, e quantas vezes a própria família, nem sempre sabem interpretar no momento exacto se uma pessoa precisa de maior atenção ou de uma palavra estimulante na hora h. Como um dia escreveu o meu ex-colega Eduardo de Castro "a indiferença humana é egoísta e cruel". A propósito, o que é feito de ti, Eduardo? Ontem, fumava um cigarro no jardim adjacente a minha casa. Estava introspectivo por vários motivos. Amigos e conhecidos iam passando com uma "boa tarde" e mais umas palavras de circunstância normalmente relacionadas com o tempo. Que mania. Se quiser saber as condições temporais vou ver o boletim meteorológico. Por fim, apareceu uma senhora que raramente  encontro. Trazia uma cadela pela trela.  A lady canina parou junto a mim, cheirou-me demoradamente e sentou-se a olhar-me fixamente. De repente, sem que nada o fizesse prever porque nunca tinha visto a bicharoca, começou a lamber-me o pescoço, o queixo e a face. A dona ficou admirada e disse-me que ela não costuma ter essas atitudes com desconhecidos. Mas eu não me surpreendi. Ela tinha-me compreendido. E animou-me. Ou não fosse o melhor amigo do Homem. À excepção dos meus gatos, claro! 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Estar ou não estar QUIETO


Há, ou pelo menos havia, um cabeleireiro chique aqui pelos meus lados. Unisexo. Como já estava farto de ir ao barbeiro do Largo do Carmo, que cortava os cabelos ao pessoal como se fossem as crinas dos cavalos do quartel da GNR mesmo em frente ao seu estabelecimento, resolvi ir ao salão dar um jeito ao meu penteado sempre despenteado. 
Entrei e a recepcionista, pois é a casa finória tinha mesmo essa figura decorativa que faz a triagem dos clientes, encaminhou-me para a secção masculina, separada da feminina por um biombo. 
Detesto quase tanto as cadeiras destes sítios como as dos dentistas. Não gosto de me sentir preso, sem me poder mexer como e quando quero. Veio uma empregada muito simpática e lavou-me a cabeça naqueles lavatórios semelhantes a uma guilhotinha ou a uma coleira XXL de porcelana numa posição que por pouco não provoca um torcicolo ou um traumatismo cervical. Perguntou-me se queria o produto x, y ou z e disse-lhe que não. Os meus cabelos rebeldes como o dono nunca foram habituados a mariquices de luxos capilares. A extrovertida lavadeira de cabeças despediu-se com um sorriso e foi esfregar outras cabeças. 
Minutos depois apareceu a cabeleireira propriamente dita. Uma mulheraça alta, morena, na casa dos 30 anos, muito bem composta de corpo, uma autêntica Sofia Loren das tesouras. Deu uma "boa tarde" muito seca. Antipática. "Como quer o corte?", perguntou asperamente. "É só para aparar !", respondi-lhe, também sem grande gentileza. Trato as pessoas como me tratam a mim. Seja quem for...
Corte daqui, tesourada ali, a "miss não sei quantos" lá foi fazendo o trabalho dela, muitas vezes com uma brusquidão que me irritava. Ajeitava-me a cabeça para a esquerda, para a direita, para baixo, para cima com empurrões repentinos, como se estivesse a meter as mudança num carro sem caixa de velocidades sincronizada. Ao mesmo tempo não parava de roçar o corpo dela nos meus braços, nos ombros e algumas vezes até sentia os seus seios fartos pressionados no meu pescoço. E pelo contacto era evidente que não usava  nada sob a bata esverdeada. 
Inesperadamente, com aquele jeito típico de "femme fatale" dominadora, voltou-se para mim e advertiu-me com a falta de chá  sempre lhe faltara  desde que iniciara o trabalho: "Se você não está quieto não lhe posso cortar o cabelo como deve ser". Já pelos cabelos de aturá-la confesso que não fui muito simpático na resposta pronta: "E se você não estiver quieta com as mamas eu não me mexo tanto!"
Levantei-me, paguei na recepção e ela ficou de boca aberta até eu desaparecer  porta fora...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

POLÍTICA na PUBLICIDADE

Aqui pelo meu sítio tudo pode acontecer, tudo é possível e tudo é normal. Embora não o pareça aos forasteiros. A carrinha de uma empresa de construção civil, presumo, estacionou uma noite destas com um slogan publicitário genuinamente político pintado nos painéis laterais: "YES WE INSTALL IT". Alguém duvida que perante tamanha auto-confiança eles cumprem mesmo o prometido? É verdade que os publicitários são uns exagerados e os políticos mentem com todos os dentes e mais que tivessem nas bocas sujas de trapaças. Até o Obama, o pai de todos os "YES WE CAN", tem-se revelado uma completa desilusão e a sua política interna e externa um fracasso total. Mas se estes amigos da carrinha do "INSTALL" dizem e prometem que "CAN" é porque "CANEM" mesmo...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A BATALHA de ALCAFOZES há 201 anos



Faz hoje precisamente 201 anos que a III Invasão Francesa cruzou os cabeços e os barrocos graníticos da terra da minha mãe, Alcafozes, uma aldeia perdida numa franja da Beira Baixa, a menos de 10 kms em linda recta da fronteira com Espanha. Há muitos anos, quando estava sentado a descansar na parada da Escola Prática de Cavalaria, nessa altura aboletada em Santarém, reparei numa placa em azulejo por cima da porta de armas que memorizava os combates em que interveio a unidade. Nela constava uma inscrição que me sobressaltou "Batalha de Alcafozes - 1810". 
Desde então que tenho vasculhado, investigado, escrito, perguntado, à procura de pormenores sobre esse acontecimento histórico para aquele povoado, onde passei todas as "férias grandes" desde que nasci até aos 18-19 anos e visitas esporádicas posteriormente, mas sem grande sucesso. Em Portugal, infelizmente, não se dá a importância devida a certos acontecimentos relevantes na História do nosso velho País. Este tem sido um dos milhares de casos que permanecem anónimos, enterrados no esquecimento.
No entanto, o que não encontrei em por cá fui descobrir em França e em Inglaterra. Não são muitos os pormenores mas pelo menos acenderam uma luz ao fundo do túnel da indiferença para se aprofundar e desenvolver a matéria.
O Marechal André Massena, um dos comandantes preferidos de Napoleão, entrou em Portugal pela zona de Almeida, mas antes de atacar essa fortificação uma das colunas invasoras foi interceptado por forças portuguesas dos Regimentos de Cavalaria 5 e 11 em Salvaterra do Extremo, uma terra fronteiriça virada para Espanha, erguida sobre penhascos abruptos e altaneiros sobre o Rio Erges, afluente do Tejo. 
Após esse primeiro embate, a coluna napoleónica marchou sobre Alcafozes, onde encontrou a resistência do Regimento de Cavalaria 1, o antepassado da Escola Prática de Cavalaria. Segundo me contou um especialista de História Militar, era comum formarem-se grupos de guerrilheiros nas vilas e aldeias, normalmente liderados por padres, abades ou veteranos de conflitos anteriores, que armados de sachos, gadanhas, forquilhas, facas e navalhas espalhavam a morte e o terror dos soldados invasores de Intendência que se faziam acompanhar das mulheres e acabavam na sua maioria trespassados e degolados às mãos do Povo cioso de sua independência. 
Terá sido esse mesmo cenário de desgaste que Massena encontrou em Alcafozes, como aconteceu em centenas de cidades, vilas e aldeias de todo o País desde 1807 a 1810. 
Enquanto o valente Povo anónimo morria mas combatia pela independência de Portugal, a rainha e toda a corte, fidalgos, cortesãs e "intelectuais" fugiram para o Brasil, deixando expressa a ordem em decreto-real que não se resistisse ao invasor. Felizmente, como sempre, foi o Povo quem mais ordenou e resistiu heroicamente, apesar dos massacres de Castelo Branco, Évora e tantos outros que não vergaram a vigorosa vontade popular.
Os livros de História de Portugal passam normalmente muito superficialmente pelas Invasões Francesas por uma razão facilmente compreensível. Napoleão e a classe dominante gaulesa que sobressaiu após a Revolução Francesa integravam a Maçonaria. A "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" propostas pelos revolucionários tinha sido afogada em sangue pelo Grande Terror instigado pelas lojas maçónicas. Em Portugal, os maçons abriram os braços ao invasor e colaboraram com Junot, Soul e Massena na tentativa de subjugar o País e proibiram as manifestações religiosas populares, as missas e actos de fé e pilharam mosteiros, conventos, igrejas, não raras vezes assassinando os seus ocupantes. Tal como as purgas de Estaline e o holocausto de Hitler um século depois. 
Dez mil portugueses associaram-se e integraram o exército napoleónico com a designação de Legião Portuguesa. Destes traidores, porém, apenas menos de 100 sobreviveram e regressaram a Portugal, deixando os seus cadáveres espalhados pelos campos de batalha da Rússia, Prússia, Áustria, Polónia, etc. Os maçons colaboracionistas e grande parte dos miseráveis restos da Legião Portuguesa foram executados pelo Povo implacável por quem os traiu. 
Ainda hoje a Maçonaria nacional omite milhares de episódios nos Livros de História e evita que se aprofunde ou discuta um dos momentos mais marcantes da manutenção da independência lusitana. 
Mas eu não esqueço que faz hoje 201 anos que na aldeia dos meus heróicos ascendentes  se travou a Batalha de Alcafozes.