segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A "Geração (à) Rasca"

Há uns tempos tive uma avaria eléctrica em casa que me deixou apenas com uma lâmpada funcional. Vim à net à procura daqueles serviços de 24 horas que acorrem aos mais diversos serviços de urgência doméstica. Passadas umas horas, bateu-me à porta um jovem de mais ou menos 25 anos, que logo deitou as mãos ao trabalho assim que lhe expliquei as avarias.
O rapaz esmerou-se no seu trabalho, subiu e desceu degraus do escadote, mudou-me a instalação eléctrica enquanto o diabo esfrega um olho, mudou os candeeiros e a iluminação e meia dúzia de horas depois fiquei com a casa quase tão bem iluminada como a extinta Feira Popular.
Fiquei tão satisfeito com a eficiência e a rapidez do trabalho que acrescentei vinte euros à conta que ele me apresentou. Antes de sair, pedi-lhe um cartão com o contacto não fosse acontecer  outro azar semelhante. Ele deu-me e reparei no nome da empresa e no nome pessoal de engenheiro Fulano de Tal. Perguntei ao rapaz se aquele engenheiro era o patrão dele. "Não -- respondeu-me-- eu sou formado em engenharia electrotécnica, o meu patrão só tem a quarta classe".
Acabara de ser surpreendido por um exemplar genuíno da "geração (à) rasca". Depois de anos a fio a estudar, obtido o canudo e a licenciatura, o destino do engenheiro Fulano de Tal é andar a mudar lâmpadas e a colocar fios eléctricos, vivendo, obviamente, em casa dos pais, recebendo 450 euros mensais em troca de recibos verdes.
O patrão, com a quarta classe, reside numa vivenda perto de Sintra, conduz uma viatura topo de gama e a mulher leva os filhos para o colégio num jipe que custa dez anos de ordenados do jovem engenheiro que deu luz à minha casa.
Este é um dos muitos milhares de exemplos de um "parvo" que "precisou de estudar" para "ser escravo".
Dizia um "situacionista" há pouco no programa da RTP "Prós e Contras" que não se pode comparar a situação na Libía ou no Egipto com a de Portugal porque aqueles eram regimes ditatoriais e corruptos e nós somos uma democracia.
Quero fazer uma rectificação: concordo com a opinião do "situacionista" sobre a Líbia e o Egipto, mas em Portugal não existe uma democracia mas sim uma partidocracia e quanto a corrupção estamos à altura da Máfia, da Camorra ou da Cosa Nostra e à mercê de sucateiros e outros xicos-espertos especialistas em saltos à "vara"...




domingo, 27 de fevereiro de 2011

Socorro !

Eu e os detergentes definitivamente não somos compatíveis. Há tempos, como não tinha nenhum para meter na máquina de lavar loiça meti-lhe uma boa dose de Fary. A máquina começou o seu trabalho e eu fui acabar o trabalho que tinha entre mãos. Uma hora ou duas depois, quando ia a entrar na cozinha deparei-me com uma barreira branca de espuma com mais de metro e meio de altura e uns três metros de comprimento, envolvendo tudo o que eram máquinas, frigoríficos, arca congeladora, caixote dos gatos, lava-loiça, fogão e armário sobre o qual se encontra o micro-ondas.
A minha ideia de utilizar Fary na máquina de lavar loiça tinha sido uma péssima decisão e demorei mais de duas horas até atirar toda aquela montanha de espuma pela janela fora. Como era madrugada ninguém soube de onde saiu toda aquela espumarada.
Agora ando às voltas com a roupa. A roupa branca está toda amarela-acinzentada e a de qualquer cor tornou-se áspera como lixa. Cá por mim acho que ando a fazer aselhice com os detergentes.
Alguma das minhas queridas amigas poderia ajudar-me a resolver este problema e dar-me uma sugestão para a minha roupa voltar a ser branca e macia?
Socorro !!!
...E a minha cozinha ficou submersa em espuma...:P

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A GUERRA COM E SEM INTERNET

Assisti na madrugada passada a um excelente documentário da TVI sobre a presença das tropas portuguesas na Guerra do Afeganistão. Os soldados nacionais, 150 salvo erro, tropas de elite dos Comandos, Pára-quedistas e Fuzileiros, estão a formar sargentos para o exército afegão, em Cabul, na capital, longe dos locais onde os talibãs dominam os acontecimentos no terreno, embora numa guerra deste género não se esteja seguro seja onde for e já há a lamentar duas vítimas entre as nossas Forças Armadas desde o início do conflito.
A malta do nosso exército está bem e recomenda-se, cumpre o seu horário de trabalho durante o dia e depois senta-se em frente ao computador a comunicar com a família pela Internet, falando em directo com os pais, mulheres, namoradas, filhos, amigos, etc., e vendo, através do Skype, também os rostos  e não apenas a voz de quem está ao alcance de um ecrã.
Os conflitos são todos iguais mas estas mordomias modernas ao serviço dos militares em missão fora do país fez-me recuar ao tempo da Guerra de África.
Nessa altura, sem internet, sem telemóveis, sem telefones por satélite, os inúmeros batalhões e companhias em Angola, Moçambique e na Guiné passavam praticamente dois anos no mato, isolados do mundo exterior, sem televisão quando mais estas modernices, esperando pelos célebres aerogramas com notícias desactualizadas no tempo pela  demora da distância e da censura e escrevendo em resposta páginas de sentimentos e emoções nos intervalos das operações, das patrulhas e do dia-a-dia das bases.
Quantas vezes, nessa altura, quando chegava a desejada carta o destinatário já se encontrava morto; quantas vezes, nos programas de Natal da RTP os soldados que apareciam no ecrã desejando na curta mensagem à família  "boas festas e até ao meu regresso" já deixara há dias o mundo dos vivos...
São as novas tecnologias aplicadas e utilizadas pelas forças de combate.
Pela minha parte, no entanto, preferia o método antigo. Que motivação sentiria para combater depois de ter estado horas antes a ver e a falar no Skype com uma pessoa querida? Nenhuma, obviamente...Por isso nem cartas escrevia...
Bem, mas passados quase 40 anos, agradou-me ver ainda em acção a velhinha espingarda G3, embora estas de coronha retráctil, e até senti saudades dela embora gostasse mais de usar as AK russas. 
Há coisas que nunca mudam !
A Guerra em África
A Guerra no Afeganistão

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Senilidade?!

Será que o primeiro sinal de senilidade é não apertar o fecho das calças antes de sair para a rua? Hmmmm !
Vou estar atento...

Sócrates encontra-se com Merkel

Sócrates: -- Bom dia, Fraulein Merkel !
Merkel: -- Bom dia, sente-se!
Sócrates: -- Ya! (alemão técnico)
Merkel: -- Então continuas a gastar o meu dinheiro à tripa forra...
Sócrates: -- Telefunken...(alemão técnico)
Merkel: -- Estou a ver que ainda continuas a comprar os fatos em Nova Iorque...
Sócrates: -- Volkswagen...(alemão técnico)
Merkel: -- Acabaram-se os fatos caros em Nova Iorque à minha custa...Vai à Zara ou aos Armazéns do Conde Barão...
Sócrates: -- Mercedes (alemão técnico)
Merkel: -- Já estou farta de te sustentar...Pareço uma daquelas das montras dos bairros vermelhos e tu...
Sócrates: -- Audi ... (alemão técnico)
Merkel: -- Vais ver se não te enfio com o FMI pelo...país acima...
Sócrates: -- Bom Bosch...(alemão técnico)...
Merkel: -- Que raio é que medidas tomas que as taxas de juro não descem para ti...
Sócrates: -- Messerschmitt... (alemão técnico)
Merkel: -- Agora sem os teus amigos socialistas Khadafi, Ben Ali e Mubarak no poder quero ver o que vais fazer...
Sócrates: -- Porsche...(alemão técnico)
Merkel: -- Só tens Magalhães da treta para venderes ao teu camarada Chavez...
Sócrates: -- Siemmens...(alemão técnico)
Merkel: -- Por tua causa e por causa dos ordenados milionários que pagas aos teus "boys" qualquer dia temos revoltas em Portugal e na Europa...
Sócrates: -- Stuttgart-Benfica...Cardozo(alemão técnico)
Merkel: -- Consegues ser mais tangas do que os gregos...Desaparece da minha vista...
Sócrates: -- Heil ! (alemão técnico)

Portugal enterrado até ao pescoço...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Santa inocência infantil

A "minha" esplanada costuma ser frequentada assiduamente por dois casais. As mulheres são irmãs; os homens nem por isso... Um dos casais tem uma miúda de 4 anos, muito gira, bochechuda, cabelinho encaracolado e língua destravada. Fala pelos cotovelos. Os primos dela são mais crescidos e menos palavrosos. O miúdo terá uns 14-15 anos e evidencia sinais de alguma doença mental; a catraia rondará os 7 ou 8 anos, espigadota e às vezes um bocadinho irritante, muito susceptível a birras sonoras.
O tema desse fim de tarde era a vontade dos garotos em ficarem juntos nessa noite. Os primos da pequenota tentavam convencer os tios a prescindirem da filhota até ao dia seguinte mas sem sucesso. A cada negativa dos tios os catraios avançavam com novos argumentos, esbarrando sempre num rotundo não.
Como se apercebeu  da incapacidade dos primos em convencerem os seus pais, a pequenina entrou em acção.
"Ó mãe, eles são irmãos e podem brincar os dois e eu não tenho irmãos, não tenho com quem brincar". A mãe dizia-lhe para ela se entreter com as bonecas, o que, obviamente, não a convenceu.
E voltou à carga:
"Ó mãe, eu quero uma irmã para brincar"..."Ó pai, eu gostava de uma irmã do meu tamanho"..."Ó mãe, por que é que eu não tenho irmãos?".
Os pais lá se esforçavam para explicar as razões, de um modo mais ou menos atabalhoado, porque ela é filha única.
Nenhum dos argumentos satisfez a pequenina dos caracolinhas.
Inesperadamente, a miudinha saiu-se com um pedido que deixou tudo e todos mudos e embaraçados:
"Ó tio, faz uma mana para mim"...

Humor negro de um sportinguista


Comentário de um sportinguista desesperado com a eliminação do Sporting, na Liga Europa, pelo Glasgow Rangers: "Só existe um 11 pior que o do Sporting...o 11 de Setembro". 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

SISMOS - Ó pernas para que te quero

Na madrugada de 28 de Fevereiro de 1969 a terra tremeu em Lisboa com um sismo violento de magnitude 7,3 da escala de Richter. Tal como aconteceu agora em Christchurch, na Nova Zelândia, o tremor de terra provocou vítimas, pânico e elevados estragos materiais. Tenho o sono pesado mas, não sei porquê, assim que a cama abana acordo imediatamente. Foi o que aconteceu nessa noite quente de Fevereiro. Levantei-me de um salto, corri às escuras pela divisão da velha casa no Bairro Alto até chegar ao quarto onde se encontravam a minha mãe e o meu irmão mais novo. Pelo caminho, encontrava-me na divisão mais afastada da porta da rua, além de ter de equilibrar-me como se navegasse num navio no alto mar, senti cair a chaminé da cozinha e o grande candeeiro da sala de jantar.
Cheguei junto à cama da minha mãe e disse-lhe para fugirmos.
"Não, filho, eu quero morrer aqui com o teu irmão!" -- sussurrou ela com a voz embargada pelo terror. "Está bem, mas eu não quero ficar aqui soterrado", respondi-lhe. Dei-lhe um beijo de despedida e forcei a porta da escada até ela abrir.
Esperava-me 92 degraus de um quinto andar para atingir, se conseguisse, a rua. O prédio pombalino do Bairro Alto oscilava e rangia. Mas lá resistia. Choviam vidros da enorme clarabóia central. Galguei os degraus saltando de patamar em patamar. O rugido do sismo que saia das entranhas da terra em fúria sobrepunha-se à queda de tijolos e do estuque. Ouvi um berro atrás de mim: "Corre, porra!"
Era o José António, o meu vizinho do lado que estava prestes a embarcar para a Guiné, como furriel-miliciano enfermeiro.
Finalmente chegámos à rua. Ainda o prédio não terminara de baloiçar e por pouco não fomos atingidos pelas telhas do beiral e pedras das varandas. Já relativamente a salvo num largo a uns metros da nossa morada demorámos uma eternidade até recuperarmos o fôlego. Acabáramos de fazer umas das mais perigosas corridas das nossas vidas. O alcatrão queimava-nos os pés descalços e feridos dos cacos que pisáramos. O ar encontrava-se anormalmente quente e pairava um intenso odor a enxofre que realçava a vermelhidão de um céu que deveria estar escuro àquela hora.
A pouco e pouco juntava-se uma pequena multidão naquele largo tão bem-vindo num sismo como uma ilha para um náufrago. Passado o choque daquela irritação da Natureza fui observando uma verdadeira passagem de modelos de pijamas, cuecas, roupões, camisas de noite, baby-dolls e, finalmente, pude apreciar a vizinha do 1º andar do nº3, uma loira bombástica só em tanga e soutien, que era corista num teatro de revista.
O cagaço deu lugar à cobiça masculina, apesar de ela ser uns dez anos mais velha que eu. Mirei-a até ela regressar a casa. De repente lembrei-me: "Ai a minha mãe!"...
Em 69, tremi mas não caí...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

SIC suspende PLANO INCLINADO

Medina Carreira silenciado

A SIC Notícias suspendeu o programa PLANO INCLINADO, que estava no ar desde Novembro de 2009, por decisão do director do canal, António José Teixeira. O programa contava com a presença do controverso Medina Carreira, o economista que atacou sem dó nem piedade a política incompetente, descuidada e virada para os amigalhaços do Partido Socialista, do governo de José Sócrates.
Medina Carreira, no programa moderado por Mário Crespo, não se limitava a lições de retórica. Sustentava a política suicida e desleixada do governo com números, factos e gráficos. A popularidade e a linguagem afiada mas certeira de Medina Carreira conquistou a simpatia de milhares de portugueses que se reviam nas posições do ilustre economista e compreenderam, por fim, que a degradação da qualidade de vida da população em geral se deviam à máquina do Estado e empresas públicas, uma sequiosa devoradora de impostos dos cidadãos em proveito próprio, para manter ordenados faustosos e mordomias várias, como automóveis topo de gama, cartões de crédito dourados, telemóveis sem restrições e prémios de produtividade mesmo quando os organismos que administram são verdadeiros aspiradores dos dinheiros públicos.
Medina Carreira chamava os bois pelos nomes, o que obviamente incomodava os "bichos", e António José Teixeira, o director do canal, subserviente às suas simpatias socialistas e do alto da sua opinião inócua, tipo OMO lava mais branco de uma pobreza opinativa confrangedora e reveladora de incapacidade profissional para o lugar, calou uma voz que fazia comichão aos portadores dos cartões cor-de-rosa. E não só...
A Comunicação Social está agora muito mais pobre, menos democrática, mais a uma só voz, a caminho da unanimidade do velho SNI do regime de Salazar.
A Democracia em Portugal está caquética, controlada e subjugada à Partidocracia que asfixia o País e castiga quem rompe o açaime do politicamente correcto .
Até um dia !... 

Tenho um leitor na Índia ! Yuuupi !

O meu blogue viu a luz do dia no início do mês. São escritos caseiros. Não me importam se são muito ou pouco divulgados. Faço-o porque, apenas e só, gosto de escrever. Agora, ao dar uma volta pelas funções e definições do blogue, reparei que tenho um leitor na...Índia. Eheheheheheheh ! Os meus únicos contactos com a Índia são uma viagem até aquele grandioso e exótico país e um primo e um ex-colega meu que foram prisioneiros dos indianos aquando da invasão de Goa, Damão e Dio.
Se calhar quer pedir-me desculpa ! Eheheheheheh !

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A REVOLTA DOS DESVALIDOS

O Mundo está em convulsão.
Os árabes deram o pontapé de saída da revolta.
Contra as ditaduras milionárias que exploram povos pobres.
É a revolta geral dos desvalidos.
Tunísia e o Egipto caíram.
A Líbia está por um fio.
Jordânia, Bahrein, Iémen, Argélia, Marrocos, Irão e Sudão fervilham.
A China, ainda que timidamente, deu sinais de insatisfação e milhares manifestaram-se.
O Mundo da exploração global não percebe que 20% da população detenha 80% da riqueza.
Na Europa a Albânia é o primeiro país a mobilizar-se contra este "status".
O movimento dos pobres contra as riquezas tão mal distribuídas também incendiarão a Europa.
Não faltará muito para o Sócrates pegar no Magalhães e fugir.
Só não sei onde se exilarão os corruptos de todo o Mundo !

domingo, 20 de fevereiro de 2011

AS PESSOAS E OS ANIMAIS

Tenho andado um bocado neurótico devido a várias circunstâncias. A (falta de) saúde do meu pai preocupa-me muito, há coisas que não me têm corrido bem e também não esperava a reacção de uma pessoa em relação a um gesto que tive com ela. Por estas e por outras a disposição não tem sido a habitual e têm sido raras as minhas habituais brincadeiras. No entanto, se as pessoas já não me desiludem, embora pontualmente ainda aconteçam algumas pequenas surpresas, porque já sei o que a casa gasta, como se costuma dizer, felizmente que tenho os animais junto a mim. Ao contrário das pessoas a quem tenho, se me apetecer, de explicar tim-tim- por-tim-tim os motivos pelos quais ando aborrecido, os meus gatos entendem imediatamente o meu estado de espírito e agem em conformidade com ele. Não são necessárias palavras nem gestos, desabafos nem queixumes. Eles sabem, muito melhor que as pessoas, dar-me toda a atenção, prestar-me o devido apoio na hora e, por fim, animar-me com a sua atitude cúmplice e revigorante.
Há dois ou três dias, encostei-me no sofá um bocado desanimado, algo que não é comum na minha pessoa. De imediato, a minha gata Nikita se aproximou, sentou-se à minha beira com os seus olhos grandiosos fixos em mim, e assim se manteve, quieta e muito atenta, até que lhe dirigi a palavra, falei com ela e o "mau tempo" passou.
Por acaso consegui captar esse momento fantástico de compreensão animal para com o seu dono e aqui está o resultado:
Elucidativa a expressão da minha Nikita, não é? 

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A (NOVA) TOURADA

Não importa sol ou sombra
ameaças ou barreiras
toureamos ombro a ombro os beras.

Ninguém nos leva ao engano
protestamos mano a mano
só nos podem causar dano mais esperas.

Entram ministros chulos e regabofes
e pandilhas secretas
entram secretários de estado rapazotes
e Alegres patetas
entram Varas robalos e dichotes
porque tudo o mais são tretas.

Entram vacas depois dos deputados que não fazem nada.
Soam brados e olés dos autarcas que não pagam nada
e só ficam as vítimas de brega
cuja profissão não pega.

Com palavras de ordem de esperança
pela verdade estamos na avenida da Liberdade.
Vamos pegar este Estado imundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza graça.

Entram vereadores têgêvês e socialistas
entram os ladrões
entram subsídios e ppdistas
entram aldrabões
entram assessores e mota-engilistas
entram BPN's e BPP's de crista.

Entram faces ocultas em catadupa
do seu oportunismo
entra aquela demagogia maluca
do socratismo
entra a aficionada e a caduca mais o cavaquismo
e cismo...

Entram comunistas moralistas entram louções
entram submarinos e centristas
e corrupções
e entra muito euro muito freeport que saca lucros aos milhões.

E diz o inteligente que acabaram as canções


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

À mesa com um cadáver...

Tenho um amigo a quem chamo Xico Ministro. Mas não é Francisco nem político. "Baptizei-o" assim pela sua personalidade sui generis, a sua fala tipo os antigos lentes das universidades e a sua figura física um misto de Charlie Chaplin e Luís Marques Mendes. Nas situações do maior stress, o meu amigo Xico Ministro fica com uma fome  incontrolável e não consegue reagir às situações antes de encher o estômago. Só depois reage aos acontecimentos.
Nesta macabra onda de idosos encontrados mortos em casa, o drama bateu à porta da candidata a namorada do meu amigo Xico Ministro. A Anita chegou ao remanso do lar doce lar depois de um dia de trabalho num consultório médico e quando entrou na cozinha sentiu o tremendo choque de se deparar com um quadro sinistro: a mãe caída no chão. Morta. A senhora já se encontrava muito doente, a vida persistia há anos por um fio, mas finou-se sozinha, entre os lava-loiça e as máquinas de lavar. Apesar de estar preparada para este desfecho trágico, a Anita ficou, como se deve calcular, em pânico. Ligou, nervosamente, para a polícia, os bombeiros e o...Xico Ministro.
O primeiro a chegar foi o meu amigo e candidato a namorado da Anita, logo de seguida os bombeiros e mais tarde os agentes da autoridade. O corpo da velhota encontrava-se prostrado nos azulejos e o Xico Ministro saltitava sobre ela, abrindo o frigorífico e ligando o fogão, abrindo e fechando armários até encontrar uma desejada frigideira.
Sentada numa cadeira, entre polícias e bombeiros, a Anita desabafava o seu pranto. Naturalmente. Ao mesmo tempo, o candidato a namorado, indiferente a tudo e todos, cozinhava ovos mexidos a meio metro da defunta, numa cozinha superlotada à espera da chegada do delegado de saúde.
O Xico Ministro sentou-se ao lado da Anita, devorou os ovos mexidos para acalmar a fome provocada pelo stress do momento, e depois da refeição, quase à mesa com um cadáver, perguntou à chorosa candidata a namorada:
-- Posso fazer alguma coisa?
-- Podes -- respondeu-lhe ela -- Vai para o raio que te parta !


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Porque não marcha 1 milhão em Lisboa?


Por que não aderem os Portugueses à iniciativa? 700 mil são funcionários públicos e sabem que a net é passada à lupa pelo SIS, 200 mil têm o Magalhães mas usam-no para outras "vidas", 100 mil, entre governantes, deputados, autarcas, governadores-civis, vereadores municipais, das juntas de freguesia são políticos ou empregados em empresas públicas ou municipais e estão bem na vida, cem mil são assessores e consultores do governo, das autarquias, das regiões autónomas, todos a mamar à custa do Estado, 2 milhões não têm ou não sabem mexer em computadores, 3 milhões é malta nova que ou emigra ou faz que estuda e vive à custa dos pais e não querem saber se o País está bem ou mal desde que apareça o dinheiro para os telemóveis, os i-pods, as discotecas, os carros, etc., 2 milhões são idosos vergados às maleitas da idade e que mal conseguem ir à mercearia da esquina quanto mais à Avenida da Liberdade, 1 milhão é da classe média-alta e acha foleiro este género de iniciativas, sobretudo sendo longe de Cascais ou do Algarve, das Seychelles ou das Ilhas Virgens. Os restantes são reformados já com o "seu" garantido e para quê gastar solas de sapatos em avenidas ou pertencem aqueles grupos que berram na Segurança Social por tudo e mais alguma coisa e os funcionários receosos acedem a todas as suas exigências. Por fim, para quê a malta chatear-se se os bancos emprestam todas as semanas milhares de milhões de euros para o pessoal viver à beira-mar plantado? Os alemães e os nórdicos que verguem a mola e dêem cá o "nosso" para os gastos e mai nada.
Pode ser que um dia acordem e tenham uma surpresa...


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

UM PIJAMA COM URSINHOS

Já passaram por minha casa umas tantas mulheres, entre casamentos, divórcios, ajuntamentos, desajuntamentos e encontros casuais. Para onde quer que olhe avisto uma prenda desta, uma oferta daquela, um miminho de outra, uma recordação já nem sei de quem e uma série de alianças, roupas, artigos de higiene e de beleza que por aqui foram deixando.
Normalmente não durmo de pijama. Há dias, a temperatura desceu tanto que fui obrigado a procurar um. Abri um dos armários da roupa, puxei algo que me parecia um pijama, na penumbra do quarto iluminado apenas pela imagem da TV ao fundo da cama, e depois de confirmar que era mesmo uma toilette para dormir  vesti-o e deitei-me.
Horas mais tarde, acordei com alguém a tocar à campainha. Levantei-me, estremunhado, com o sonho a esfumar-se da cabeça à medida que me aproximava da porta. Eram dois empregados do Jumbo que me traziam a comida que encomendara para mim e para os gatos.
Os homens, à medida que tiravam os produtos das caixas de plástico e as colocavam na cozinha passavam por mim e miravam-me de cima a baixo. Mesmo ensonado reparei nesses olhares insistentes e já estava prestes a irritar-me, quando, felizmente, o transporte acabou e eles foram-se embora.
Fui para a casa de banho e quando estava a barbear-me via reflectido no espelho qualquer coisa que não batia certo.
A água fria despertou-me por completo e só então reparei, ao limpar a cara depois de escanhoado,  nuns bonecos na vestimenta do ó-ó. E aí deduzi a razão pela qual os dois homens do supermercados me tinham fixado tão atentamente. Na confusão de procurar a roupa na noite anterior tinha vestido um pijama cor de rosa enfeitado de ursinhos, que alguma das minhas "exs" deixara para trás na pressa de me deixar...
Foi direitinho para o lixo para não repetir a triste figura !

domingo, 13 de fevereiro de 2011

UMA NOITE DE PESADELO DE SÃO VALENTIM

Sempre tive sorte com as namoradas. Gostava delas e elas eram como eu gostava. Apresentada esta regra é óbvio que teria de existir uma excepção. Umas existem para confirmar as outras. Conhecê-mo-nos acidentalmente. Como sempre me acontece. Detesto apresentações. As relações assim nascidas não têm o picante do olhar furtivo, o sorriso insinuante, o toque acidental, a palavra improvisada no momento. Lá fomos contactando cada vez mais assiduamente até chegar o dia, ou melhor, a noite daquele jantar.
O ambiente era fascinante. As luzes tremelicavam na ondulação calma do Tejo.
No entanto, a "coisa" não correu bem. Pelo menos para mim. A lady resolveu entrar numa de gozo que de ironia nada tinha. Aguentei a pé firme, controlando o meu mau feitio que geralmente dispara nestas ocasiões. E a lady cada vez mais divertida à minha custa. Se ela soubesse o que me passava pela mente ter-se-ia levantado e ido embora sem mais. Não. Insistiu em levar até ao fim a sua auto-diversão.
Nos dias seguintes portei-me como um seduzido apesar de os dichotes da lady serem cada vez menos frequentes. A pouco e pouco ela foi mudando o seu comportamento comigo. Os meus (falsos) cuidados com ela encaminharam-na na via da paixão. Tinha caído na armadilha. Não me conhecia o suficiente para saber que quem me as faz paga-mas.
Era noite de São Valentim. Restaurantes repletos de parzinhos mais ou menos entrelaçados nos seus amores. Corremos Seca e Meca até encontrar um local muito aprazível. Desempenhei o meu papel de apaixonado com a capacidade notável de um actor profissional. Estava orgulhoso de mim próprio. Ela não desconfiava de nada. A inevitável noitada em casa dela seria a cena seguinte. Uma noite de São Valentim com todos os condimentos. Disse-lhe para subir enquanto ia arrumar o carro. Ela correu radiante para a porta e entrou. Esperei meia dúzia de minutos até ver luz dentro do apartamento. Saí do carro, tirei um envelope previamente escrito, coloquei-o dentro da caixa do correio dela. Arranquei com o automóvel e fui-me embora.
O meu telemóvel tocou. Era ela a perguntar-me onde estava e porquê a demora.
"Estou na tua caixa do correio. Vai lá e lê" -- respondi-lhe.
Desliguei.
Ela leu e deve ter gostado tanto do conteúdo da minha missiva que até hoje nunca mais me falou. Também tenho a certeza de que nunca mais deve ter gozado com alguém...
Sou Carneiro, pois claro !


sábado, 12 de fevereiro de 2011

ANDAR AOS CAIXOTES DO LIXO

Sou um bocado distraído. Hoje, porém, acho que rebentei a escala. Trouxe o jantar para casa, um bem parecido linguado (peixe, claro...) com batatas cozidas e feijão verde, pão, um queijo de Azeitão e uma torta de chocolate. Mmmm. Tudo isto acondicionado em caixas de plástico e as ditas cujas dentro de um saco também da mesma matéria. Coloquei os petiscos em cima da arca congeladora e arrumei os detritos do almoço para dentro de outro saco. Feita a limpeza, abri a porte e fui à escada deitar o saco dos restos pela conduta do lixo. Terminada a operação-higiene preparei-me para dar ao dente. Abri o saco das pantagruélicas delícias e, ups, que aconteceu? Em vez delas deparei-me com os resquícios do almoço, caixas de cartão amarrotadas e latas vazias.
Não queria acreditar numa hipótese horrível que me passou pela cabeça. Depois de várias voltas pela cozinhas e respectivos apetrechos concretizaram-se os meus piores receios. Em vez de deitar pela conduta o saco do lixo  enfiara por aquela negra garganta funda o meu rico jantar. E não havia qualquer hipótese de substituí-lo tão rapidamente como a minha fome exigia. Desci pelo elevador, pedi as chaves da arrecadação do contentor do lixo à porteira, esgravatei pelo meio da montanha de sacos iguais aos meus até que, voilá, resgatei a minha querida refeição daquele antro malcheiroso e com sombras suspeitas de roedores de que me abstenho de escrever o nome.
"Vai comer isso, senhor António?", perguntou-me, incrédula, a porteira, com um trejeito de nojo no rosto.
"O que não mata, engorda, nunca ouviu dizer dona Joaquina?" -- respondi-lhe, à moda dos judeus. A uma pergunta responde-se com uma interrogação.
Só vos digo que o jantar me soube que nem gingas.
Amanhã se andar de calças na mão teclo-vos do WC..
.

PINTURA CENSURADA NOS ESTADOS UNIDOS

Na lendária terra da Democracia instituída por Thomas Jefferson, John Adams e Benjamin Franklin e militarmente conquistada na guerra contra o colonialismo de Inglaterra a Liberdade, apesar da estátua à entrada do porto de Nova Iorque, não é um valor totalmente instalado na sociedade dos sobrinhos do Tio Sam. Há uma meia dúzia de anos pintei esta pintura, denominada "Paixão", uma alegoria à crucificação de Jesus Cristo e à sua controversa relação com Maria Madalena.
Passei, como sempre, a foto do trabalho para galerias de arte dos Estados Unidos e após a sua inserção é imediatamente retirada momentos depois. Já me deram as mais diversas justificações para a não publicação da pintura. A mais ridícula que recolhi foi a de que a "senhora" está com os seios desnudados.
Vindos de um país que anda pelo mundo fora a instalar umas espécies de Democracia à força das armas mais sofisticadas, que, no entanto, aniquilam mais civis que guerreiros, não deixo de sorrir com a importância que um par de seios pode ter exercer na moral de um povo. Esta censura, para mim, é tão importante como um Oscar de Hollywood.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

CAIRO MORENA COMO GRÂNDOLA



  
 Cairo, cidade morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Cairo, cidade morena

Em cada esquina um egípcio
Em cada rosto igualdade
Cairo, cidade morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Cairo, cidade morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma pirâmide
Que já não sabia a idade
Jurei uma luta unânime
Cairo a tua vontade


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Má vizinhança ? Não !

O meu filho ofereceu-me um relógio. Adorei. Um relógio do tipo das antigas estações dos comboios. Tem duas faces, um braço para prender na parede e assim pode-se ver as horas de todos os ângulos da sala. Eram duas da manhã e já estava sozinho em casa. Olhei para o relógio e decidi. Para quê pregá-lo amanhã na parede se o posso fazer hoje ?
Todo o prédio dormia. Fui buscar o Black&Decker, coloquei-lhe a broca, apertei, liguei-a à tomada e bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz aquele barulho rotativo do aço a abrir um buraco na parede. Os meus gatos, que dormiam profundamente, saltaram cada um para seu lado. Tentei concluir a operação o mais rapidamente possível para despertar os vizinhos mas não a sua ira. Felizmente no meu prédio os sons propagam-se mas não se consegue detectar o local da sua origem.
Eu sei que á chato mas também eles de manhã me acordam com portas a bater, campainhas a tocar e carros a buzinar. Não é vingança mas não conseguia esperar mais pela colocação do relógio.
E fui dormir, feliz da vida, com a prenda no local devido e os gatos já refeitos do susto do bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz eléctrico.
No dia seguinte fui ao café. Duas vizinhas minhas interrogaram-me: "Ó vizinho, não ouviu a barulheira no prédio esta noite?".
Respondi afirmativamente, inventando uma expressão de indignação.
"Se soubesse quem foi o animal fazia queixa à Polícia", disse-me a vizinha.
"E eu era sua testemunha", retorqui-lhe, com o ar mais furibundo deste mundo, "Tem toda a razão, há gente que não devia viver em comunidades".
Representei tão bem o meu papel que nunca lhe irá passar pela cabeça que os barulhos fora de horas são meus.
Eheheheheh !

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Amar ao ritmo de Gary Moore

Conhecia-a de vista. Trocávamos apenas olhares cúmplices. Era inevitável falarmos um dia. Aconteceu. As circunstâncias nem eram muito favoráveis a uma saída quanto mais a uma relação. O pai dela era intratável e o namorado violento. Estava muito nervosa porque esperava um exame médico e receava um diagnóstico positivo de uma doença grave. Animei-a. Eu próprio fui levantar esse documento que lhe poderia mudar a vida e aproximá-la do fim da existência. Olhámos o envelope selado e decidimos abrir. Negativo. Uma sensação de alívio invadiu-a naturalmente e contagiou-me. Combinámos sair essa noite. Eu protegê-la-ia da eventual violência do pai ou do namorado. A nossa empatia acentuou-se de discoteca para discoteca. Toques suaves acicatava-nos por "algo" mais. Na minha casa, o meu castelo, ela estaria segura. Uma luz ténua recortava as nossas silhuetas cada vez mais fundidas e obstinadas em consumar desejos mútuos. A aparelhagem de som envolvia-nos com o som simultâneamente  frenético e relaxante de Gary Moore. A nossa primeira noite foi acompanhada pela guitarra incomparável deste genial músico que hoje desapareceu do mundo dos vivos. Sempre que o ouvia lembrava-me desta noite inesquecível. Agora ouvi-lo-ei com saudade acrescida. "City Night"

Em memória dos mortos da Guerra de África


Pintei este combatente em memória dos 9 mil soldados que tombaram na Guerra do Ultramar.
A Pátria chamou-nos e nós respondemos presente.
Foi uma guerra justa?
Não há guerras justas.
São todas iguais.
Sangue, ferimentos, morte.
Felizmente as mães, os pais, as mulheres, os irmãos, os filhos não viram como tombaram os seus entes.
Os gritos lancinantes pelas mães, mulheres, filhos ou Deus.
Mas Deus ausenta-se das guerras.
Os filmes não reproduzem uma imagem fiel dos conflitos.
O cheiro a morte, a sangue, a ossos desfeitos, a feridas horríveis.
O odor penetrante da pólvora, da cordite, os assobios agudos dos projécteis e dos estilhaços de granadas.
O ar quente das explosões.
Memórias no corpo e na alma.
Fomos e muitos de nós voltámos.
Mas nunca esqueceremos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

GUERRA DO ULTRAMAR COMEÇOU HÁ 50 ANOS


Tinha uns tenrinhos 10 anos quando começou a Guerra do Ultramar.
Nunca pensei que me tocasse a mim.
Fui despedir-me de um primo que partiu para Angola no "Pátria".
Lembro-me dos gritos, das lágrimas e dos lenços a acenar despedidas.
E do monstruoso tamanho do barco.
Quando somos pequenos tudo à nossa volta é gigantesco.
Outro primo voou para África meses depois.
Deu-me uma prenda, um carrinho amarelo que rodava preso por um fio à volta de uma ventosa.
Esse disse adeus para sempre.
O avião que pilotava explodiu ao descolar de São Tomé e Príncipe.
A seguir marchou um tio. Foi curtir um desgosto de amor para as selvas de Moçambique.
Esteve lá 10 anos isolado. O meu avô não o deixara casar com a amada lá da terra.
E eu a ver os anos a passar. Chegaria a minha vez?
Amigos e vizinhos desapareciam da minha vida, todos com o mesmo destino: África.
O meu primo alferes de caçadores passou-se com a guerra no Norte de Angola.
Trouxe com ele 14 cabeças de pretos que ele matara. Perdeu dois dos seus homens em combate.
Uma vez, ladino como era, deixei as alunas de explicações da minha madrinha histéricas.
Corria atrás delas com as caveiras dos pretos e apareceu a Polícia.
Felizmente apareceu o meu tio, um imponente tenente da GNR e da Legião Portuguesa.
Comecei a ver cenas lancinantes quando estava internado num hospital na Parede.
Observava os mutilados de braços e/ou pernas que se amontoavam num anexo escondido.
O regime de Salazar ocultava os estropiados em "tocas" de um pinhal denso.
O meu pai tentava todas as noites ouvir a BBC em português depois do "Angola É Nossa" na E.N.
No liceu falávamos nos intervalos das aulas sobre a aproximação da idade militar.
A "coisa" estava a ficar preta...
Fui dar o nome ao CICA na Avenida de Berna, em Lisboa, e a inspecção em Setúbal, no R.I.
O capitão-médico perguntou-me: "Ó filho da puta, vês a parede atrás de mim?"
"Sim", respondi,
Catrapum ! O carimbo "APTO" esmagou a minha cédula militar de mancebo.
Antes de ir para a tropa acabei com as namoradas. Não queria  preocupações atrás de mim.
Abandonei uma delas perto da estação do Cais do Sodré. Ela chorava. Eu sentia um nó na garganta.
Nunca mais a vi.
O meu pai levou-me a Santa Apolónia e segui para a recruta em Santarém.
Depois a especialidade, em Lamego, no Centro de Instrução de Operações Especiais,
Aquilo nos Rangers era mais perigoso e mais duro que a guerra. Onde me fui meter, chiça !
Já graduado, fui mobilizado no Batalhão de Caçadores de Elvas.
Transferência no mesmo dia para o Regimento de Infantaria de Tomar.
Batalhão formado para Angola em Santa Margarida, na véspera de Santo António.
Ainda cheguei a tempo a Alfama para me embebedar como nunca nos santos populares.
Depois...
Fico por aqui!

ALICE COOPER, 63 anos de POISON

Vincent Damon Furnier (Detroit4 de fevereiro de 1948) , mais conhecido como Alice Cooper é um cantor e compositor de Rock. Originalmente Alice Cooper era o nome da banda que Vincent Furnier fazia parte como vocalista juntamente com Glen Buxton e Michael Bruce nas guitarras, Dennis Dunaway no baixo e Neil Smith na bateria, porém, após iniciar a carreira solo, Furnier trocou seu nome para Alice Cooper. Cooper é bastante conhecido pelas suas excêntricas apresentações ao vivo e frequentemente no palco cenas teatrais violentas e cheias de efeitos de horror e humor, com a finalidade de chocar e provocar o público. 
É um dos meus artistas favoritos e o seu POISON já me deu muito jeito em certos espectáculos a dois...
Parabéns, rapaz venenoso !

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Quando Maria Schneider alvoraçou um quartel

Morreu Maria Schneider. A intérprete de "O Último Tango em Paris", em que contracenou com Marlon Brando, foi um dos ícones da minha juventude. Ela era uma adolescente linda, não uma beleza de boneca perfeita mas de uma rebeldia fascinante. O filme foi exibido pouco depois da revolução do 25 de Abril e as cenas de nus, após 50 anos de feroz censura do Estado Novo, faziam furor entre um povo ávido de novidades e esgotavam as bilheteiras. "O Último Tango em Paris" era um "must", especialmente devido à cena de sexo anal em que Marlon Brando foi à cozinha buscar manteiga para facilitar a penetração no belo rabiosque da Maria Schneider.
Por essa altura, eu encontrava-me a cumprir o serviço militar na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém. E o filme chegou lá com estrondosa publicidade. O cinema esgotou. Acho que até estava sobrelotado. A esmagadora maioria da ávida assistência era composta por militares que passavam dias seguidos sem pôr um olho numa mulher...quanto mais o "resto"...
O filme teve dois efeitos.
Antes da ponte sobre o Tejo para Almeirim havia um casebre com uma prostituta. Ninguém sabia o nome dela. Toda a gente a conhecia por "Valvolina". Quem não sabe o que é valvolina que procure no dicionário e terá uma ideia sobre as características e funções do produto...
Nessa noite, a "pobre" da "Valvolina" não teve mãos nem tudo o mais a medir para atender a clientela. Fez mais dinheiro desde o "The End" no ecrã até ao toque da alvorada do que no resto do ano.
Graças à Maria Schneider também o jargão de caserna mudou durante uns tempos. Em vez do muito habitual "vai levar no cu" utilizado normalmente pelos militares passou a ouvir-se "vê lá se queres levar com a manteiga" no alvoraçado quartel de onde saíra meses antes a coluna do capitão Salgueiro Maia para derrubar o regime de Marcello Caetano.
Aos 58 anos, depois de uma vida atribulada em que deixou a sua carreira esmorecer no droga e nas tentativas de suicídio, Maria Schneider "partiu para outra". Acompanham-na um pedacinho das minhas memórias.
Nunca te esquecerei. 

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Dia de cão e noite de águia !

Há dias assim. Um tipo acorda e o mundo está virado do avesso. Não tinha televisão, nem internet, nem telefone, nem telemóvel, sem carga e com pouca vontade de captar energia, e a comida que me trouxeram para os gatos foi trocada e eles não tocavam naquela papa para eles estranha.
Por onde começar um dia assim?
Bem. Lá me vesti com a alma cinzenta e fui à rua à procura de alguém que me emprestasse um telefone para começar a resolver os meus problemas. Estava o sol a pique, algo a que não estou habituado, morcego como sou.
O dono de uma loja deu-me autorização para usar o telefone dele. Ligo para a Zon e sai-me na rifa uma brasileira simpática mas que não entendia peva do que eu lhe tentava explicar. "Esteja ao pé dos seus equipamentos da Zon", ordenava-me repetidamente, sem perceber que não podia. A chamada felizmente desligou-se e atendeu-me depois um português que me percebia, por um lado, mas não conseguia meter naquela cabecinha pensadora que eu sem telefones no meu lar doce lar não podia dar-lhe os números dos modens que ele pretendia saber.
Após quase duas horas desesperantes ao telefone lá descobriu que havia uma avaria da Zon na minha zona.
Eureka !
Vim para casa e ligaram-me para o telemóvel para me darem o número da equipa técnica que me iria devolver a vida à televisão, à internet e ao telefone. O raio do telemóvel, preguiçoso em carregar, desligava-se de minuto a minuto.
Aos bocadinhos a casa foi ganhando contacto com o exterior. Primeiro a tv. Ufff ! Pelo menos ia acompanhando a revolta árabe no Médio Oriente. A seguir regressou a internet em todo o seu esplendor. Óptimo, já podia trabalhar. Por fim o telefone. Hip! Hip! Hurra!, já estava ligado ao mundo exterior.
Os gatos iriam ter no prato a sua comida favorita depois de mais uns telefonemas com referências para aqui, referências para ali e mais umas trocas e baldrocas da menina do hipermercado.
A tarde finou-se neste labirinto intrincado da tecnologia.
Refastelo-me para ver o FC Porto-Benfica. Boca no jantar e olhos na televisão. Fábio Coentrão, o puto reguila do bairro de pescadores das Caxinas não deitou as redes ao mar mas enfiou a bola na baliza dos dragões. Braços no ar e uma nódoa na camisa. Que se lixe. A máquina lava. Mais umas mastigadelas e mais uma nódoa na minha camisa amarela, que um dia me fez perder a cabeça e uma boa fatia do cartão multibanco. De Espanha nem bom vento nem bom casamento mas o espanhol Javi Garcia disparou de longe um tiro mais certeiro que os dos célebres 88 alemães da II Guerra Mundial. Que estoiro.
Como já se desvaneciam na memória do tempo as atribulações assim que pus os pés fora da cama, graças ao Glorioso SLB !
Bem, vou meter a camisa na máquina de lavar...