terça-feira, 27 de agosto de 2013

A PILA DO SPARTACUS



Spartacus é uma figura mítica da revolta dos escravos contra Roma. Vi o filme há muitos anos, com o inesquecível Kirk Douglas a interpretar o famoso rebelde, e soube, recentemente, que a Fox estava a passar essa história por episódios. 
Esta noite, num zapping casual, encontrei finalmente o Spartacus. Nem a propósito. Apanhei uma cena em que ele (acho eu que era o trácio) se levantava da cama e dizia para uma mulher nua com um ar de enjoada até ao tutano: "Senti as tuas ancas mexer. Acho que começas a gostar de sentir a minha pila dentro do teu corpo". 
Mudei de canal, não por moralismo mas por desinteresse destas retóricas de alcova, com a promessa que nunca mais gozo com os diálogos indigentes de séries portuguesas como "Pedro e Inês" ou "O Processo dos Távoras" ressuscitados pela RTP2.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

FÁTIMA; FUTEBOL, FADO E...



Os fundamentalistas politicamente destros  ou canhotos não vêem para além dos seus dogmas. E inventaram essa falácia de que no Estado Novo os três mandamentos do Povo (como há tantos porta-vozes dele que por aí proliferam...) eram o Fado, Fátima e o Futebol. Hoje em dia, uns tantos arautos dos denominados "indignados" bradam aos ventos que se voltou ao passado dos 3F. 
Santa ignorância. 
No anterior regime, o Fado chegou a ser proibido de se cantar de improviso, sem que as letras passassem pela Censura. O Futebol profissional não foi permitido pelo Estado Novo até finais dos anos 60. Fátima nunca foi consensual na Igreja e existiram dentro da mesma correntes de opinião díspares e contraditórias sobre a veracidade das aparições. 
Em suma, a tríade dos 3 F não passa nem nunca passou de um mito urbano que se usa quando se pretende distorcer a realidade. 
O Povo (como dá jeito esta palavra tão utilizada por candidatos a novos caciques de costumes e capatazes de ideias) não é parvo, não senhor. 
Quando existe qualidade na Cultura, ele, o dito Povo, larga o conforto dos sofás, o remanso do lar, a tarde na praia, a telenovela, o jogo de futebol, a peregrinação a Fátima ou uns fados na tasca mais perto de si (dele), e faz uma romaria à exposição de Joana de Vasconcelos, no Palácio Nacional da Ajuda, aguentando horas numa bicha e desembolsando uns euros tão preciosos em tempos de crise para admirar, gostar ou não gostar,  umas quantas obras de arte.
Afinal, o Povo (uff, se não fosse esta denominação tão politicamente usurpada) não é tão alienado e obtuso como destros ou canhotos da  política o pretendem qualificar. Dêem-lhe, isso sim, arte em todo o seu esplendor e não lhe vendam gato por lebre... 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Entrevista a LURDES SANTANA, a cantora que foi e veio: "NUNCA DEI UM MAU ESPECTÁCULO !"


Lurdes Santana é Touro. De signo. Nunca desiste das suas ideias. É cantora. Tem uma bela voz. Clara e limpa. Emigrou para França em 1971. Voltou há pouco para Portugal. Tem público em França e não só. Adora o seu País, os espectáculos, a música, o filho Julian, o "homem da sua vida" e está cheia de projectos para novos êxitos. E vêm aí surpresas. 
Vejamos. Melhor,  leiamos:

-- Lu, nasceste para a música?

-- NÃO SEI SE NASCI PARA A MÚSICA MAS SEMPRE GOSTEI MUITO DE OUVIR E CANTAR. É UM FACTO QUE A MUSICA ME TRANSFORMOU, ESPECIALMENTE DESDE 1991, DATA EM QUE COMECEI A FAZER  ESPECTÁCULOS E, MAIS TARDE, EM 1992, QUANDO GRAVEI O MEU PRIMEIRO TRABALHO EM CASSETE, COM O TITULO " MEU POVO ALEGRE".

-- O que te deu para começares a cantar?
-- EM FRANÇA, NO INÍCIO DOS ANOS 91, COMECEI COM UM CONJUNTO TÍPICO DE MUSICA PORTUGUESA CHAMADO "NOSTALGIA". OUVI NA RÁDIO QUE ESTE GRUPO PROCURAVA UMA VOCALISTA E APRESENTEI-ME PARA FAZER UM "CASTING". FUI COM A MINHA IRMÃ ZAZA E NO FIM FICÁMOS AS DUAS...

-- Cantarolavas quando eras miúda?

-- SEMPRE ADOREI CANTAR.  AINDA ME LEMBRO DE O MEU QUERIDO E FALECIDO PAI ME PROIBIR DE CANTAROLAR "A DESFOLHADA", DA SIMONE DE OLIVEIRA, POIS ELE CONSIDERAVA QUE ERA UMA CANÇÃO MUITO ADULTA PARA SER CANTADA POR UMA CRIANÇA. CANTAROLAVA TUDO QUE OUVIA NA RÁDIO. JÁ ERA O  BICHINHO  A ALICIAR-ME.

--  Quando pensaste em cantar a sério?
-- LEVEI DESDE SEMPRE O MEU TRABALHO NA MÚSICA MUITO A SÉRIO. TEMOS UMA GRANDE RESPONSABILIDADE FRENTE AO PÚBLICO E DEVEMOS RESPEITÁ-LO. É UMA ACTIVIDADE QUE NÃO É FÁCIL, CONTRÁRIO DO QUE MUITA GENTE PENSA. É DIFÍCIL CATIVAR O PÚBLICO PORQUE EXISTEM MUITOS GÉNEROS DIFERENTES DE PÚBLICO.

-- Foste influenciada por alguém nessa fase? 
-- SIM, ALGUNS ARTISTAS FASCINARAM-ME NO INÍCIO DA MINHA VIDA ARTÍSTICA, COMO LINDA DE SUZA, DALIDA, JÚLIO IGLÉSIAS, ENTRE OUTROS... 

-- Lembraste da tua primeira música?
-- CLARO QUE ME LEMBRO... INTITULAVA-SE "O MEU POVO ALEGRE" O MEU PRIMEIRO TRABALHO GRAVADO EM CASSETE. ERA UMA CANÇÃO MUITO ALEGRE QUE DESCREVE EXACTAMENTE O QUE É UM PORTUGUÊS.

-- A música era o teu maior amor? 
-- MAIOR AMOR NÃO DIRIA, MAS MAIOR PAIXÃO SEM DÚVIDA ALGUMA. ABRAÇO A MINHA CARREIRA HÁ 23 ANOS COM MUITO CARINHO E MUITA ESTIMA DO PUBLICO EM TODA A PARTE.

-- E se não tivesses ido por aí? Pela música, claro...
-- É A PRIMEIRA VEZ QUE ME COLOCAM ESTA PERGUNTA. PROVAVELMENTE TERIA CONTINUADO NA EMPRESA QUE ABRI NA ALTURA, ESPECIALIZADA EM SEGURANÇA COM CÃES OU TALVEZ COMO SECRETARIA DE DIRECÇÃO, O QUE FIZ DURANTE ALGUNS ANOS EM PARALELO COM A MUSICA. PARA MIM, NA ALTURA, A MÚSICA REPRESENTAVA UM SUPLEMENTO DA MINHA ACTIVIDADE PROFISSIONAL.

-- És mais conhecida em França que em Portugal, certo?
-- EM FRANÇA FUI MUITO CONHECIDA, POIS FOI LA QUE COMECEI A CANTAR AO LADO DE GRANDES NOMES DA MÚSICA PORTUGUESA. NO INÍCIO, FIZ A PRIMEIRA PARTE DE ALGUNS DELES E MAIS TARDE, JÁ COMO ARTISTA PRINCIPAL, ENCHIA AS SALAS. OS EMIGRANTES ERAM MUITO MAIS SAUDOSISTAS DO QUE HOJE E COMPRAVAM OS NOSSOS TRABALHOS.  HOJE, É MAIS DIFÍCIL, JÁ NÃO SE CONVIVE TANTO NAS ASSOCIAÇÕES PORTUGUESAS E OS JOVENS PREFEREM AS DISCOTECAS E BARES. 
FOI SÓ A PARTIR DE 1997 QUE COMECEI  A SER CONVIDADA PARA FAZER ALGUNS ESPECTÁCULOS EM PORTUGAL E TAMBÉM PROGRAMAS DE TELEVISÃO E RÁDIO. QUERO AGRADECER DO FUNDO DO CORAÇÃO A TODOS AQUELES QUE ACREDITARAM EM MIM E QUE PASSARAM MUITO AS MINHAS MÚSICAS. NÃO POSSO CITAR TODOS, MAS O PEDRO VIEIRA, DA RENASCENÇA, O JAIME FERREIRA DE CARVALHO, DA COMERCIAL, O ROGÉRIO BATALHA, DE MAFRA, ETC., A TODOS ELES FICO ETERNAMENTE GRATA.

-- É difícil estar fora do País? 

 -- GOSTO IMENSO DE PORTUGAL É O MAU PAÍS E SINTO MUITO ORGULHO DESTE PAÍS MARAVILHOSO ONDE EU NASCI. SOU "MOURA", DO  BAIXO ALENTEJO, UMA LINDA TERRA E TAMBÉM GENTE BOA. É A TERRA DOS MEUS PAIS E SINTO MUITO ORGULHO QUANDO LÁ VOU ACTUAR. SAIR, IR TRABALHAR PARA O ESTRANGEIRO É SEMPRE MUITO COMPLICADO.  DEIXAR O NOSSO PAÍS, OS AMIGOS E FAMILIARES É TRISTE.  MAS QUANDO SE TEM UMA ACTIVIDADE COMO A MINHA É  MAIS FÁCIL PORQUE  PODEMOS VOLTAR SEMPRE PARA MATAR AS SAUDADES E APROVEITAMOS PARA ENTRAR EM ALGUNS ESPECTÁCULOS.  OS MEUS PAIS EMIGRARAM PARA FRANÇA NOS ANOS 70; UM ANO DEPOIS FUI EU E A MINHA IRMÃ.  AINDA ME LEMBRO COMO FOI DIFÍCIL  DEIXAR OS MEUS AVÓS. MAS DEPRESSA ME HABITUEI.  COMECEI  A ESTUDAR,  FIZ AMIGOS E ESTAVA PERTO DOS MEUS PAIS ... MAIS TARDE CASEI COM UM FRANCÊS E NASCEU O MEU FILHO JULIEN, QUE ADORO.  MAS É  UM SENTIMENTO ESTRANHO  SENTIR-SE  OBRIGADO A DEIXAR O PAÍS ONDE VIVEMOS E DE QUE GOSTAMOS PARA IR TRABALHAR PARA UM LUGAR ESTRANHO. É PRECISO MUITA CORAGEM. POR ISSO ORGULHO-ME  MUITO DOS PORTUGUESES QUE AINDA HOJE O FAZEM ...

-- Parece-me que te apreciam muito em França. Verdade?
-- É VERDADE QUE A FRANÇA ME ABRIU OS BRAÇOS E ME DEU ALEGRIAS INFINITAS E QUE TENHO LÁ UM PÚBLICO FIEL QUE GOSTA MUITO DE ME OUVIR CANTAR.  JÁ ME ACARINHA HÁ 23 ANOS. NUNCA ENTREI NESTA PROFISSÃO  PARA SER UMA VEDETA. PELO CONTRÁRIO, SOU UMA PESSOA MUITO HUMILDE  E AMIGA DOS MEUS COLEGAS E AMIGOS. QUEM ME CONHECE SABE BEM QUE DIGO A VERDADE .... A HUMILDADE  É UMA GRANDE RIQUEZA. SABER ESTAR NO SEU LUGAR É MUITO IMPORTANTE. INFELIZMENTE MUITO BOA GENTE E ATÉ COLEGAS TENDEM  A ESQUECER ISSO. DEVERÍAMOS SER MAIS UNIDOS UNS COM OS OUTROS,  SEM CIÚMES NEM HIPOCRISIAS. 

-- A carreira tem sido um êxito económico também? 
-- LEMBRO-ME DE VIVER DA MÚSICA DURANTE DEZ ANOS QUANDO OS ESPECTÁCULOS, QUER EM PORTUGAL QUER NO LÁ FORA, APARECIAM SEM GRANDES DORES DE CABEÇA. HOJE JÁ NINGUÉM PODE DIZER O MESMO, A NÃO SER 2 OU 3 NOMES SONANTES QUE VÃO TENDO MAIS TRABALHO. MAS VIVER EXCLUSIVAMENTE DA MÚSICA TORNOU-SE MUITO DIFÍCIL DERIVADO À SITUAÇÃO CATASTRÓFICA QUE ESTAMOS A VIVER NO NOSSO PAIS. MAS LÁ FORA TAMBÉM SE COMEÇA A SENTIR A FALTA DE VERBAS PARA PAGAR OS ARTISTAS.

-- Qual foi o teu maior sucesso?
--  EU DIGO SEMPRE QUE O MEU MAIOR SUCESSO FOI QUANDO PISEI O PALCO PELA PRIMEIRA VEZ COMO PROFISSIONAL E JÁ LA VÃO 23 ANOS. MUSICALMENTE, ALGUMAS CANÇÕES PODIAM TER FEITO A DIFERENÇA. E ALGUMAS ATÉ FIZERAM NO MOMENTO, MAS NÃO O SUFICIENTE, TALVEZ POR FALTA DE UMA BOA EDITORA NA ALTURA QUE PUXASSE PELO SUCESSO QUE ELAS MERECIAM, POIS SEMPRE TIVE O CUIDADO DE ESCOLHER CUIDADOSAMENTE OS TEMAS. AS BOAS EDITORAS FAZIAM-SE PAGAR BEM CARO E POR ISSO QUASE SEMPRE PREFERI SER PROMOTORA, EDITORA E PRODUTORA. APESAR DISSO,  AINDA HOJE TENHO ABERTAS AS PORTAS DAS MELHORES RÁDIOS DO PAÍS E DE ALGUNS JORNAIS.
ACREDITO NO SUCESSO QUE PODE FAZER O MEU ÚLTIMO ÁLBUM QUE É COMPOSTO POR 11 TEMAS CANTADOS EM ESPANHOL, PORTUGUÊS E FRANCÊS E ESTOU A CONTAR COM O APOIO DAS RÁDIOS, ONDE ALGUMAS CANÇÕES JÁ TOCAM E NOS PROGRAMAS DE TV.

-- Mudaste muito o teu visual...Porquê?
-- TENHO MUITO CUIDADO COM A MINHA IMAGEM EM PALCO. GOSTO DE VARIAR OS ESTILOS E ATÉ A COR DO CABELO...AGORA  É LOIRO E ACHO QUE VOU MANTÊ-LO ASSIM. O MEU PUBLICO, AMIGOS E FAMILIARES APROVAM.

-- Muitos espectáculos e viagens programados para o futuro?
-- TENHO PERSPECTIVAS PARA VOLTAR A CANTAR NO ESTRANGEIRO, ONDE JÁ ACTUEI MUITAS VEZES EM LONDRES, FRANÇA, SUIÇA, ALEMANHA E MÓNACO, MAS GOSTAVA DE IR MAIS ALÉM FRONTEIRAS,  AO CANADÁ, MÉXICO, ESTADOS UNIDOS, BRASIL, ETC ... SERÁ A SURPRESA PARA 2014 ...

-- O teu próximo projecto qual é?
-- UM ARTISTA NUNCA PÁRA. NEM PODE. TEM QUE ESTAR SEMPRE COM NOVOS PROJECTOS EM MENTE E EU GOSTAVA DE GRAVAR EM 2014 UM SUPER ÁLBUM COM MUSICAS LATINAS EM ESPANHOL E PORTUGUÊS. SÃO MUSICAS QUE MEXEM COM A MINHA SENSIBILIDADE MUSICAL E NUNCA ESTÃO FORA DE MODA.

-- Qual o espectáculo do qual guardas melhores recordações?
-- TODOS OS MEUS ESPECTÁCULOS ME EMOCIONAM IMENSO.  NUNCA ME LEMBRO DE TER TIDO UM MAU ESPECTÁCULO. SÃO TODOS DIFERENTES, TALVEZ UNS MELHORES QUE OUTROS, DEPENDE DOS LOCAIS, DO  PÚBLICO OU SE TENHO BAILARINOS OU BAILARINAS. MAS FICAM SEMPRE EXCELENTES RECORDAÇÕES.

-- Os portugueses têm evoluído na música? 
-- DEVO SER SINCERA: A MÚSICA PORTUGUESA ESTÁ COM MAIS QUALIDADE. EXISTE, TALVEZ, MAIS CUIDADO NA ESCOLHA DAS LETRAS E DAS MÚSICAS E TAMBÉM PENSO QUE O PUBLICO É MAIS EXIGENTE.

-- Até quando em França?
-- ESTOU DE NOVO RADICADA EM PORTUGAL, MAIS PRECISAMENTE EM LISBOA, E NÃO PENSO  VOLTAR A VIVER  EM FRANÇA. IREI LÁ, SIM,  PARA TRABALHAR  SEMPRE QUE FOR SOLICITADA PELA COMUNIDADE PORTUGUESA. ASSIM TAMBÉM APROVEITO PARA MATAR SAUDADES DOS AMIGOS QUE LÁ DEIXEI.

-- A vida tem-te sorrido? 
-- NÃO GOSTO DE SER PESSIMISTA MAS SIM POSITIVA E NUNCA PERCO A ESPERANÇA QUE AMANHÃ PODE SER MELHOR. DENTRO DO POSSÍVEL SOU UMA LUTADORA PARA A VIDA. SOU DO SIGNO "TOURO" E, COMO TAL,  NÃO OLHO  NUNCA PARA TRÁS. PARA A FRENTE E QUE É O CAMINHO, SEMPRE COM FÉ EM DEUS, QUE  ME TEM AJUDADO BASTANTE. POR ISSO HOJE SOU O QUE SOU E SINTO-ME UMA MULHER MUITO FELIZ AO LADO DE UM HOMEM MARAVILHOSO QUE ME DÁ MUITA FORÇA E CORAGEM E PARTILHA CADA DIA DA MINHA VIDA .. ..
ESTOU MUITO FELIZ POR VOLTAR AOS PALCOS E RECUPERAR O LUGAR QUE DEIXEI. ESPERO QUE VENHAM ASSISTIR AOS MEUS ESPECTÁCULOS, QUE OUÇAM AS MINHAS CANÇÕES E QUE ELAS  VOS SIRVAM DE INSPIRAÇÃO. APELO  TAMBÉM À HUMILDADE E À SOLIDARIEDADE DE TODAS AS PESSOAS E ARTISTAS POR UMA VIDA MELHOR. FIQUEM, EM SUMA, ATENTOS AO NOME DE "LURDES SANTANA" E AO ÚLTIMO ÁLBUM... "E SE FALÁSSEMOS DE AMOR". 

Pois bem, falámos com a Lurdes Santana. Agora vamos ouvi-la. Ok? 


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Entrevista a ANABELA QUENTAL, directora da "BOA ESTRELA": "Devo ter costela de padre"


Anabela Quental é a directora da revista "Boa Estrela". Uma publicação do "outro mundo". Como ela. A Anabela, claro. Poderia ter sido uma estrela de cinema se os "caçadores de belezas" não andassem a dormir. Além disso é daquelas pessoas com quem se simpatiza não se sabe bem porquê. Mas pela foto adivinha-se uma noção do tal "porquê". Há 19 anos que se empenha na lufa-lufa de ter pronta para as bancas mais uma edição. Já vai nas 230. Mais ou menos. É obra. Ah, também escreveu o livro "Contos do Além". E agora o diálogo, não só separado pelas perguntas e respostas mas também pelo Acordo Ortográfico. Ela adotou-o mas eu não abdico do "p"... Pffff!

-- Como apanhaste o "bichinho" do Jornalismo?

-- Desde que me conheço por gente que gosto de escrever. Andava no liceu e fazia redações para os meus colegas- adequadas ao estilo de cada um deles. Em compensação eles passavam-me os testes de Matemática, mas nem a copiar conseguia tirar positiva… Entretanto fui continuando a escrever, trabalhei num Infantário 8 anos, mais 8 anos nas Páginas Amarelas, até que um dia, quando fiz 37 anos, disse para comigo: «ou sais agora e fazes aquilo de que gostas, ou então estás condenada a passar a vida inteira a ganhar bem, mas sem realizações!». E saí!

-- O que te levou a entrar num projecto como a "Boa Estrela"?

-- Mera coincidência. Fui a uma banca e comprei uma revista que costumava ler: a «Crónica Feminina». Pediam um fotógrafo. Como tinha tirado um curso de fotografia, resolvi ir à sede da revista e oferecer-me para o lugar. Falei com a diretora, que se mostrou recetiva, e disse-lhe que, caso quisesse, também poderia fazer os textos. Ela aceitou (embora nunca me tenham pago…), e posteriormente disse-me que havia uma empresa que estava a pedir um projeto para uma revista esotérica. Fiz o projeto da edição 0, que acabou por ser a edição nº 1. E já lá vão quase 20 anos…

-- É uma revista fora do que é normal ler-se, não achas?

-- Sim, de facto é. Mas os conteúdos têm imensa aceitação, até porque em outros países existem revistas idênticas.

-- Acreditas, no fundo, em tudo o que publicas?

-- Eu coloco-me sempre na posição de observadora. Seria de mau tom envolver-me, até por uma questão de equilíbrio pessoal.

-- Tens muita gente a pedir-te conselhos?

-- Muita! Mesmo os amigos mais chegados… Eu costumo dizer que devo ter uma costela de padre, porque toda a gente me confessa segredos. Até pessoas ligadas à televisão, cantores, atores, etc., guardam qualquer coisa para contar depois de eu desligar o gravador.

-- Alguns dos temas não os consideras contra-natura?

-- Porquê?... Tudo aquilo que é publicado tem fundamento! Mais «anti-natura» são as revistas que fazem primeiras páginas a invadir a privacidade alheia.

-- O que te levou a enveredar por essa temática?

-- Considero interessantes estas matérias, embora reconheça que se tornam cansativas, porque não há descanso. Mas aceitei o desafio, e fui por aí fora durante estes 19 anos, que passaram a correr.

-- És religiosa no sentido tradicional do termo?

-- Diria que não. De qualquer maneira, se há alguma religião com a qual me identifico um pouco, será com o Budismo.

-- Segues na prática o que aconselhas aos outros?

-- Normalmente não. Mas confesso que também não peço conselhos a ninguém- tento resolver os meus problemas sozinha. Bem ou mal, tenho-os resolvido!

-- Vês as pessoas como um todo ou individualizas?

Individualizo. Cada pessoa é diferente da outra; não existem duas pessoas iguais!

-- Essa tua filosofia de vida ajuda-te no dia-a-dia?

-- Sim, de certa forma. Mas nos poucos momentos que tenho livres tento libertar-me desses pensamentos (embora não seja fácil…)

-- És uma apaixonada pela arte e também pela arte de viver?

-- Sou mais apaixonada pela arte de viver do que propriamente pela arte. Sou extremamente curiosa e, por exemplo, quando viajo, prefiro falar com pessoas do que andar a ver museus.

-- A "Boa Estrela" vai ficar por aqui ou pretendes desenvolvê-la?

-- Sim, pretendo desenvolvê-la. É uma revista que tem milhares de leitores e que coordeno desde o início. Não pretendo desiludir os leitores!

-- És mais influenciada pela Filosofia ou pela Natureza?

-- Diria que por ambas… A natureza é o complemento da filosofia. E a filosofia é o complemento da natureza. Quando o espírito se ocupa com questões laborais, está mais influenciado pela filosofia. Quando se liberta, entra a influência da natureza.

-- Vives segundo dogmas ou ao sabor dos acontecimentos?

-- Completamente ao sabor dos acontecimentos! Evito pensar no passado e no futuro. Acho que as «recordações», por melhores que sejam, são sempre negativas.

-- Viveste alguma experiência "sobrenatural"?

-- Sobrenatural, não. Mas tive dois casos na minha vida que foram marcantes pela premonição que envolveram.

-- Tiveste conhecimento de alguma através de alguém?

-- Ui, tantos!!!... Aliás, escrevi um livro, «Contos do Além», que é baseado em relatos verídicos de histórias que me foram contadas- umas por pessoas amigas, outras por pessoas que mal conhecia.

-- Alguma te impressionou?

-- Acho que perdi a capacidade de me impressionar. Ouço, registo e guardo esses relatos na memória. Possivelmente para morrerem comigo, ou então para escrever muito mais livros.

-- Nesta altura de crise, também existencial, procuram-te mais?

-- Sim, de facto existe uma tentativa por parte das pessoas de procurar «socorro». Mas é curioso: procuram-me mais por motivos amorosos do que propriamente financeiros…

-- O que te falta realizar para te realizares plenamente?

-- Acho que o ser humano nunca está plenamente realizado… Quando tem dinheiro não tem amor, quando tem amor não tem saúde, quando tem saúde não tem dinheiro… Quando está bem há sempre alguém ao lado que sofre… Enfim, faz parte da natureza do homem estar sempre à procura de «algo mais». Tenho plena consciência de que nunca estarei realizada!

That´s all, folks! Por agora...

domingo, 11 de agosto de 2013

"DOLFA" faz 12 ANOS


Entra hoje no seu 12º ano de existência a minha gata "Dolfa". Nasceu cá em casa, filha da "Nika", que faleceu recentemente, e do "Jack Patolas the Ripper". E tudo mudou desde que veio ao Mundo dentro do guarda-roupa esta bichana tartaruga cinzenta, amarela e branca. Alegre e irrequieta, transformou a casa num reboliço permanente com as suas corridas e brincadeiras felinas. É uma trepadora por excelência a cortinados, móveis e janelas. Tem uma paixão: o "Tomassas", outro gatuxo aqui da família, que também demonstra um grande fraquinho por ela e retribui de forma romântica. Apesar de todas estas tropelias é um doce quando quer. Não é, "Dolfa"?

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

"AS MINHAS ARMAS" - MG42


A MG-42 era uma autêntica máquina de arrasar quem lhe aparecesse pela frente. A sua fantástica cadência de tiro de 1200 (mil  e duzentas) munições por minuto alimentadas por fitas era um avanço em relação à sua antecessora MG-34 e superava inclusivamente a mais moderna HK-21. Natural da Alemanha, obviamente, a  Maschinengewehr 42, nome de baptismo e MG-42 para os "amigos", entrou ao serviço do exército alemão em 1942, na frente Leste e no Norte de África, revelando-se desde logo como a melhor e mais eficaz metralhadora ligeira da II Guerra Mundial. 
Produzida pela Metall und Lackierwarenfabrik Johannes Großfuß AG (estes nomes alemães, ai ai), a MG-42 só não contribuiu para um maior número de vitórias germânicas devido ao reduzido número saído das fábricas em comparação com as suas "inimigas" russas, americanas e inglesas. De fácil manuseamento, fiável e certeira a 1000 (mil) metros, o seu uso era apreciado pelo atirador, confiante na velocidade de saída do projéctil, na ordem dos 770 metros por segundo,
Em 1962 a MG42/59 de 7,62 mm começou a substituir as antigas metralhadoras ligeiras Dreyse m/937 como arma de apoio directo dos Pelotões de Infantaria do Exército Português. Em 1968 as MG42 começaram a ser complementadas pelas HK-21. O objectivo seria a substituição completa das MG42 pelas HK21. No entanto as MG42 foram sempre mais apreciadas pelos militares portugueses e acabaram por se manter em serviço até à actualidade.
Os americanos, impressionados com a qualidade e eficácia da MG-42, utilizaram-na como base para a concepção da M-60, embora reduzindo-lhe a cadência de tiro.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

HIROSHIMA - Crime contra a Humanidade


Hiroshima foi um crime contra a Humanidade. Há 68 anos, um bombardeiro pesado B-29, uma Super-Fortaleza Voadora, baptizada pelo seu comandante, o coronel Paul Tibbets, de Enola Gay, em homenagem à mãe, lançou a primeira bomba atómica sobre uma cidade pacata e sem objectivos militares importantes, matando imediatamente 80 mil pessoas e muitas dezenas de milhares com sequelas daquele dia já longínquo mas inesquecível de 6 de Agosto de 1945.
A História é sempre escrita pelos vencedores e nesta lógica maniqueísta os crimes de guerra e contra a Humanidade foram perpretados pela Alemanha de Hitler, a Itália de Mussolini e o Japão de Hirohito. Todos os outros foram uns "santos". Como se a Inglaterra, os Estados Unidos e a União Soviética não tivessem assassinado milhões de civis em Berlim, Hamburgo, Dresden, Colónia, Estugarda, Hiroshima, Nagasaki, Tóquio, Katyn, Budapeste, Kiev e centenas de outros lugares bombardeados seqm qualquer piedade pelos inocentes. 
A desumanidade dos americanos foi idêntica à dos nazis nos campos de concentração quando proibiram durante meses auxílio aos sobreviventes de Hiroshima e de Nagasaki para "estudarem" os efeitos da radiação a longo prazo no corpo humano. 
Mas para a História passou o embuste de que as bombas atómicas tinham salvo centenas de milhar de  vidas americanas na programada invasão do Japão, que acabou por não acontecer. 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

"AS MINHAS ARMAS" - BREN

A BREN foi das metralhadoras ligeiras que mais gostei de manobrar no Exército. Funcionava com um pistão recuperador de gases que expelia o cartucho gasto e introduzia na culatra uma nova munição. Era uma arma de fácil manuseamento, muito fiável, raramente encravava, bastante certeira a 100-200 metros. O cano era de boa qualidade, terminava num tapa-chamas que a tornava típica, embora devesse ser mudado a cada 300 disparos devido ao sobreaquecimento. Operava com carregadores curvos de 30 munições ou tambor de 100, de calibre 7,62 mm NATO, após transformação do mecanismo de disparo que anteriormente utilizava o já ultrapassado 7,92 mm.
O "coice" da BREN era relativamente suave, apesar dos 500 tiros por minuto que expelia, alcançando cada munição uma velocidade de saída de 420 metros por segundo. Foram produzidas um total de 750.000 distribuídas por quase todo o Mundo. 
A BREN, no entanto, não é um produto inglês na sua essência. Na década de 1930, o exército inglês abriu concurso para a melhor metralhadora equipar as suas fileiras. A vencedora nos testes foi a checa ZB-26, que impressionou os militares britânicos, superando em muito a Vickers, do Reino Unido e a BAR americana. 
Em Maio de 1935, depois de assinado o contrato com a fábrica checa, a BREN começou a ser produzida em Inglaterra e o seu nome resulta da aglutinação das duas primeiras letras das palavras BRNO e ENFIELD, ou seja, a cidade checa onde foi criada e a cidade inglesa onde foi fabricada.  

domingo, 4 de agosto de 2013

Cão, 77.000 - Criança, 0


Em 1484, o Papa Inocêncio VIII promulgou uma bula contra os feiticeiros, acusando de heresia milhares de pessoas, um bom número das quais sendo culpadas apenas por possuírem um gato. Por toda a Europa, milhares de pessoas inocentes foram torturadas em nome de Deus, por serem acusadas de feitiçaria e adoração a Satanás. E juntamente com elas, os seus gatos. Este Papa inquisidor incluiu o gato na lista dos perseguidos pela inquisição, campanha assassina da Igreja contra supostas heresias e bruxarias. Nesta mesma época, Leonardo da Vinci escreveu: "chegará o dia em que um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade." Leonardo era um admirador de gatos, e considerava “o menor dos felinos” uma obra-prima.

Era normal na Idade Média constituíam-se tribunais para julgar cavalos, burros, machos, mulas, cães, gatos, ovelhas, cabras e toda a espécie de animais que cometessem crimes contra a boa ordem religiosa e secular da época. Mas a aberração continua em pleno século XXI.

Vem este arrazoado a propósito de um cão que atacou e matou um menino de 18 anos, em Beja, na residência que partilhavam. O "Zico", arraçado de pitbull, já tinha atacado por duas vezes o próprio dono. Qualquer pessoa minimamente conhecedora da vida animal sabe que um cão depois de provar sangue pela primeira vez nunca mais é o mesmo. Adiante. 

Num País civilizado, e não numa chungaria como esta à beira-mar plantada, a família da criança seria acusada de homicídio por negligência e o cão abatido. Ponto final. Mas nesta espécie de estado independente de ADN anárquico-esquisitóide nada do que parece, é. 
O cão foi recolhido pelas autoridades e de imediato dez mil (!!!) cidadãos (?) enfileiraram-se em manada para assinar uma petição pública contra a sentença de morte do "Zico". O Ministério Público abriu um inquérito após participação da Polícia de Segurança Pública e quando pediram ao dono do cão (e tio da vítima) os documentos deste, a resposta foi "não me lembro onde os tenho"... 
Entretanto, nesta sequência alucinante de loucura colectiva, uma associação denominada ANIMAL tem, neste momento, a guarda do cão, por ordem do Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, e este (o cão) vai ser agora sujeito a acompanhamento por especialistas em "comportamento animal". 
Para tornar toda esta miserável história ainda mais repugnante, alguém que deve andar a fumar coisas esquisitas decidiu mudar o nome do bicho de "Zico" para "Mandela", numa tremenda falta de respeito para com uma das personagens mais respeitáveis da História Contemporânea Mundial, que agoniza presentemente num hospital da África do Sul, corroído pelas maleitas dos seus provectos 95 anos. 
Vá lá que a falta de decoro não foi ao extremo de o padrinho ou a madrinha o (re)baptizarem de "Jesus Cristo", "Maomé", "Papa João Paulo II" ou "Dalai Lama"...

Em toda esta indigente odisseia fica provado "urbi et orbi" que, afinal, o racional de quatro patas merece esta liberdade condicional enquanto mais de 10 mil irracionais de 2 patas necessitam urgentemente de "acompanhamento especializado" sob pena de a realidade superar loucamente a ficção... 

Tudo isto é realmente abaixo de cão!

"AS MINHAS ARMAS" - MADSEN


Tomei contacto pela primeira vez com uma MADSEN na Escola Prática de Cavalaria, nos anos 70, em Santarém. Era uma metralhadora ligeira interessante mas um bocado complicada no manuseamento. A MADSEN começou a ser fabricada na Dinamarca, em 1903, por iniciativa e engenho do capitão de artilharia que lhe deu o nome. Surgiu no Exército Português em 1930 e mais tarde um segundo lote, em 1941. Ainda as apanhei a funcionar perfeitamente como armas de Cavalaria, instaladas em veículos blindados ligeiros Daimler ou defensivas em "ninhos" junto a posições estratégicas. 

Era certeira a 400 metros, possuía um recuo longo que lhe proporcionava um "cantar" poderoso e assustador para o inimigo e era municiada por um carregador curvo instalado no alto do mecanismo de disparo ou por fitas de corrimento lateral. 
Sempre denotou alguns defeitos de concepção, o que não a tornou muito popular desde o seu nascimento, principalmente quando os noruegueses enfrentaram os invasores alemães, na II Guerra Mundial. A sua estreia em combate aconteceu na Guerra Russo-Japonesa dos anos 90 do século XIX e na I Guerra Mundial foi sobretudo usada pelo Exército Alemão, na versão de calibre 7,92 mm. De realçar a sua versatilidade ao ser produzida para suportar 12 calibres diferentes e foi vendida em 34 países. 
O seu problema principal consistia no complexo mecanismo de disparo que encravava a munição com alguma frequência. 
A "minha" MADSEN, modelo EM3205 pesava 9 kgs, tinha uma cadência de tiro de 450 balas por minuto e uma velocidade de saída do projéctil de 800 metros por segundo. 
Não a usei muitas vezes e francamente não apreciei muito a sua funcionalidade, embora me desse confiança em termos de pontaria. Era certeira e muito bem calibrada.
Segundo consta, a Dinamarca chegou a proibir Portugal de usar a MADSEN na Guerra de África. Mas ninguém ligou nenhuma a essa ameaça...

FERNANDO MARTINS duro como cimento


Fernando Martins faleceu hoje aos 95 anos de idade. O 27º presidente do SL Benfica foi um homem controverso e eu, como jornalista e na altura chefe de Redacção do Jornal "Record", mantive com ele uma relação profissional difícil. Ele teve dois méritos inegáveis e que ficarão para a história do clube da Luz: a contratação do então jovem treinador sueco Sven-Goran Eriksson (dois títulos de campeão nacional, uma Taça de Portugal ganha em condições adversas no Estádio das Antas -- 1-0 com golo de Carlos Manuel -- e a presença na final da Taça UEFA, em 1983, ante a excelente equipa do Anderlecht) e o fecho do 3º anel do Estádio da Luz, que elevou a capacidade de lotação para os 120.000 lugares, tornando-o no maior estádio da Europa. 
Mas também teve os seus momentos maus, como, por exemplo, a experiência com o técnico alemão Pal Csernai, que era uma autêntica besta como pessoa, ou ainda as várias vezes em que proibiu a entrada de jornalistas, nomeadamente do "meu" jornal, no Estádio da Luz por não saber conviver com a crítica. 
Numa das eleições a que concorreu, mandou-me um recado para eu só publicar no dia do referendo apenas a entrevista com ele e não dar uma linha sequer ao outro candidato. Respondi-lhe redondamente que não e nunca mais me dirigiu palavra. 
Uma cena caricata, à qual assisti, aconteceu na primeira-mão da final da Taça UEFA, em Bruxelas, quando na apresentação das equipas antes do jogo Fernando Martins cometeu a "gaffe" protocolar de entrar no relvado antes do Rei da Bélgica e os seguranças o puxarem para trás pelos colarinhos...
Muito mais histórias, boas e más, teria para contar acerca de Fernando Martins. No entanto, nesta hora que não esquece ninguém, desejo-lhe que descanse em Paz e as minhas sinceras condolências à sua Família. 

Santos Costa

THE SHINING


Há coisas do arco-da-velha. Por vários motivos, nunca tinha visto o filme "The Shining", com Jack Nicholson no principal papel e realizado por Stanley Kubrick em 1980. Esta madrugada, no Canal Hollywood, tive, finalmente, oportunidade de assistir a uma obra que é considerada como um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. 
Ainda bem que nunca se proporcionou ir ao cinema ver o tão badalado "The Shining". O argumento é de uma pobreza atroz, salva-se o cenário do hotel, e a substância da película roça o ridículo pela previsibilidade e o suspense rasca. 
A ajudar à desilusão, o Jack Nicholson faz tantas caretas inapropriadas nas cenas que o filme de terror se transforma rapidamente num filme cómico, ao ponto de me fazer arrancar umas boas gargalhadas alta madrugada. Só faltou aparecer por lá o Nicolau Breyner para a diversão ser total. 
Agora já sei: quando precisar de um suplemento para me fazer rir ou arrancar de alguma fase mais depressiva vou ver o "The Shining". Ah! Ah! Ah!

O ouro guardado por bandidos



Muito se fala e escreve acerca da probidade, ou falta dela, dos políticos portugueses quando ascendem aos cargos públicos. E invariavelmente vão-se buscar exemplos às democracias mais antigas e sólidas para se demonstrar como se deveria proceder por cá. 
Há um exemplo interessante na História Mundial. O único presidente americano eleito por quatro vezes foi o "inválido" Franklin Delano Roosevelt, que faleceu pouco antes do final da II Guerra Mundial. Quando necessitou de nomear alguém para liderar a agência federal Securities and Exchange Commission -- organismo que tem a responsabilidade primária pela aplicação dos valores mobiliários federais, leis, regulamentação da indústria de valores mobiliários, acções e opções de intercâmbio do país, e em outros mercados de títulos eletrónicos nos Estados Unidos -- o presidente não hesitou em chamar para exercer o cargo Joseph Kennedy, o patriarca do clã com o mesmo nome. 
O alvoroço desta nomeação aconteceu devido à fortuna acumulada por este emigrante irlandês com o contrabando de bebidas alcoólicas durante a controversa Lei Seca, além de relações muito suspeitas com a Máfia. Ou seja, alguém de duvidosa reputação.
À questão que lhe foi posta sobre a honestidade de JK para tão delicado cargo, Roosevelt limitou-se a responder: "Nada melhor que uma raposa para saber o que fazem as outras raposas nos galinheiros". 
A questão não deixa de ser polémica, mas, na verdade, o "pai de todos" os Kennedy desempenhou brilhantemente as suas funções. 
Por cá é o que se sabe...

Casa vazia sem a NIKA


Apesar de existirem outros "peludos" à minha volta, existe um monstruoso vazio aqui em casa desde que a "Nika" partiu para a Eternidade. Não me conformo de modo algum com essa "viagem" e a saudade cresce a cada minuto que não a encontro.

"NIKA" para a Eternidade


Hoje, às 12h00, a minha dedicada e alegre "Nika" deixou de me acompanhar. Irreverente, atenta, esperta e peludinha entregou a alma ao Criador dos felinos, após 3 dias de uma doença fulminante. No entanto, não se "foi embora" sem que eu a acariciasse por uma última vez. Sabedora dos meus horários, esperou prostrada no bidé a hora habitual de eu ir à casa de banho. Afaguei-a, respondeu-me com um "rom-rom" já de agonia e transformou-se numa estrelnha que nunca esquecerei. Mas foram tantos, tantos, tantos os bons momentos partilhados que, nesta hora triste e sombria, a alegria imensa de ter convivido 15 anos com ela atenua a sua "ausência". Obrigado "Nika" por tudo o que fizeste pelo dono, desde aquela noite que o Ricardo te trouxe ao colo, ainda muito pequenina mas já um "furacãozinho".