segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A "Geração (à) Rasca"

Há uns tempos tive uma avaria eléctrica em casa que me deixou apenas com uma lâmpada funcional. Vim à net à procura daqueles serviços de 24 horas que acorrem aos mais diversos serviços de urgência doméstica. Passadas umas horas, bateu-me à porta um jovem de mais ou menos 25 anos, que logo deitou as mãos ao trabalho assim que lhe expliquei as avarias.
O rapaz esmerou-se no seu trabalho, subiu e desceu degraus do escadote, mudou-me a instalação eléctrica enquanto o diabo esfrega um olho, mudou os candeeiros e a iluminação e meia dúzia de horas depois fiquei com a casa quase tão bem iluminada como a extinta Feira Popular.
Fiquei tão satisfeito com a eficiência e a rapidez do trabalho que acrescentei vinte euros à conta que ele me apresentou. Antes de sair, pedi-lhe um cartão com o contacto não fosse acontecer  outro azar semelhante. Ele deu-me e reparei no nome da empresa e no nome pessoal de engenheiro Fulano de Tal. Perguntei ao rapaz se aquele engenheiro era o patrão dele. "Não -- respondeu-me-- eu sou formado em engenharia electrotécnica, o meu patrão só tem a quarta classe".
Acabara de ser surpreendido por um exemplar genuíno da "geração (à) rasca". Depois de anos a fio a estudar, obtido o canudo e a licenciatura, o destino do engenheiro Fulano de Tal é andar a mudar lâmpadas e a colocar fios eléctricos, vivendo, obviamente, em casa dos pais, recebendo 450 euros mensais em troca de recibos verdes.
O patrão, com a quarta classe, reside numa vivenda perto de Sintra, conduz uma viatura topo de gama e a mulher leva os filhos para o colégio num jipe que custa dez anos de ordenados do jovem engenheiro que deu luz à minha casa.
Este é um dos muitos milhares de exemplos de um "parvo" que "precisou de estudar" para "ser escravo".
Dizia um "situacionista" há pouco no programa da RTP "Prós e Contras" que não se pode comparar a situação na Libía ou no Egipto com a de Portugal porque aqueles eram regimes ditatoriais e corruptos e nós somos uma democracia.
Quero fazer uma rectificação: concordo com a opinião do "situacionista" sobre a Líbia e o Egipto, mas em Portugal não existe uma democracia mas sim uma partidocracia e quanto a corrupção estamos à altura da Máfia, da Camorra ou da Cosa Nostra e à mercê de sucateiros e outros xicos-espertos especialistas em saltos à "vara"...




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