domingo, 6 de fevereiro de 2011

Amar ao ritmo de Gary Moore

Conhecia-a de vista. Trocávamos apenas olhares cúmplices. Era inevitável falarmos um dia. Aconteceu. As circunstâncias nem eram muito favoráveis a uma saída quanto mais a uma relação. O pai dela era intratável e o namorado violento. Estava muito nervosa porque esperava um exame médico e receava um diagnóstico positivo de uma doença grave. Animei-a. Eu próprio fui levantar esse documento que lhe poderia mudar a vida e aproximá-la do fim da existência. Olhámos o envelope selado e decidimos abrir. Negativo. Uma sensação de alívio invadiu-a naturalmente e contagiou-me. Combinámos sair essa noite. Eu protegê-la-ia da eventual violência do pai ou do namorado. A nossa empatia acentuou-se de discoteca para discoteca. Toques suaves acicatava-nos por "algo" mais. Na minha casa, o meu castelo, ela estaria segura. Uma luz ténua recortava as nossas silhuetas cada vez mais fundidas e obstinadas em consumar desejos mútuos. A aparelhagem de som envolvia-nos com o som simultâneamente  frenético e relaxante de Gary Moore. A nossa primeira noite foi acompanhada pela guitarra incomparável deste genial músico que hoje desapareceu do mundo dos vivos. Sempre que o ouvia lembrava-me desta noite inesquecível. Agora ouvi-lo-ei com saudade acrescida. "City Night"

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