sábado, 11 de junho de 2011

10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1...já "era" !!!

Vai ser tão bom não foi?


Ela era a mais sexy do sítio naquela altura. Não era bonita, nem alta, nem baixa, nem gorda, nem magra, nada disso. Era aquele tipo de mulher que possui um "je ne sais pas quoi" que apenas algumas eleitas exibem naturalmente e deixam os homens com a cabeça andar à roda. Confesso que a minha também girou um bocadinho. A "jeitosa" era casada. Eu também. O marido era do género "xico fininho" e tinha uns gostos estranhos. Pediu-me várias vezes para lhe trazer do clube de vídeo filmes de transsexuais. Cada vez que lhe perguntava porque é que ele não ia lá desfazia-se em desculpas, cada uma mais esquisita que a outra. Pronto. Em nome da boa vizinhança lá lhe fazia o favor de alugar os filmes porno-manhosos-gay que ele pretendia. Um ano fui de férias mais a minha "ex" da altura e ele pediu-me se lhe emprestava o meu video. Ok, nas férias não precisava dele. Pediu-me também para lhe trazer uns dez filmes de transsexuais. A ideia dele era gravar os filmes em cassetes virgens (nem a propósito...) para ter sempre "material" em casa. 
Muitas vezes encontrava a sexy mulher dele, sozinha, no elevador a altas horas da noite porque trabalhávamos ambos por turnos. Ela transpirava sensualidade por todos os poros mas aqueles olhos negros estavam sempre baços e tristes e para lhe arrancar algo mais que uma "boa noite" daquele boca divina tinha de usar todos os truques possíveis e imaginários nos breves momentos no elevador. Aquele casamento não batia certo.
Um dia, por mero acaso, sentá-mo-nos à mesma mesa do café. Ela sempre calada com o ar sombrio do costume, que me fazia uma confusão desgraçada e deixava-me sem resposta a várias interrogações. Como a minha  aparelhagem estava com um problema de som e ele percebia daquele emaranhado de fios perguntei-lhe se não se importava de dar um salto a minha casa para ver se resolvia o "gato". Ele aceitou imediatamente ajudar-me. Pedi desculpa a Ela por lhe "roubar" o marido durante uns minutos ou umas horas até que a minha aparelhagem voltasse a "cantar". 
Sem qualquer hesitação ou pudor, Ela deu-me uma resposta que desvaneceu todo o mistério à volta da sua infinita tristeza. 
"Ó vizinho, pode levá-lo à vontade, ele fica muito mais feliz a passar horas a mexer na aparelhagem ou a ver filmes do que durante os 10 segundos de "atenção" que me dá à noite..."
Ele engoliu em seco e quando subimos ao meu andar  pensei como era possível aquele idiota ir para a cama com uma mulher divinal e 10, 9, 8, 7, 6, 5,4,3,2,1 segundos depois...já "era" !
Passados uns meses separaram-se !

3 comentários:

  1. Enfim... Ele não era burro, era gay! :p

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  2. Ainda bem. O Povo diz, e com razão, "o que uns não querem estão outros à espera"...(Fim de citação)...:P

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  3. Palavra-Chave: Solidariedade!
    "Os que têm, para aqueles que precisam"!
    Bastava ela dizer ao vizinho o que lhe fazia falta. Certamente apareceriam muitos solidários!

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