quarta-feira, 1 de junho de 2011

Uma BOMBA no CENTRO de (DES) EMPREGO


Quando deixei o meu emprego (hei-de contar essa história com pachorra) dediquei-me à Escrita e à Pintura, ambas, por acaso, actualmente um pouco desleixadas. Um amigo meu, numa loja que eu tinha só para as artes (um dia conto a história dessa loja), em conversa disse-me: "Ouve lá, tu tens direito a subsídio de desemprego !". Ok. Eu nem sabia disso na altura, também não havia a crise que faz penar o pessoal agora, os quadros vendiam-se e agora está quieto, as pessoas metem uns penduricalhos dos chineses por dois ou três euros na parede e que se lixem os picassos, e lá fui um dia ao Centro de Emprego, a abarrotar de desempregados, da minha zona. 
Como não sou de bichas, as de fila-indiana ou as "delícias do mar", recorri ao velho truque aprendido na minha juventude quando comecei a trabalhar como paquete (um dia conto essa história) e que nunca falha, apesar das Novas Tecnologias...
Graças a esse segredo que não vou desvendar (puxem pela cabecinha que eu também puxei) fui logo atendido no dia seguinte depois de almoço. 
Lá estava o funcionário público no outro lado da secretária de atendimento aos intrusos (desempregados) a transcrever os meus dados para o computador com a estonteante rapidez de um caracol de cento e tal anos cheio de reumático e bicos-de-papagaio a mancar sob o sol infernal da planície alentejana no dia mais quente do século na era do aquecimento global. 
Vinte e cinco minutos demorou este "speedy gonzalez" dos PC's (computadores, ok?) a teclar qual galinha a debicar os grãos de milho o meu nome, morada, BI e cartão de contribuinte. Eu assistia àquela eficácia fulminante do funcionário de 30 anos e pensava comigo: "Este cromo no sítio onde eu trabalhava (um dia conto a história) vinha parar aqui ao Centro de (Des)Emprego em meia hora". 
Terminada a esgotante missão de preencher o formulário acima citado em tempo recorde, certamente, o funcionário público perguntou-me: 
-- Que cursos tem? 
-- Tenho o Curso dos Liceus, de Letras e de Operações Especiais ! 
O tipo olhou muito sério para mim lá do seu trono pago pelos contribuintes com ar de quem não percebeu nada e mandou-me para o 1º andar, onde fui atendido por uma colega muito simpática, diga-se,  e ligeiramente mais mexida e perspicaz que "cromo" do andar de baixo. 
Ela mexeu e remexeu nos papéis que já preenchidos, escrevinhou qualquer coisa na papelada, e leu em voz alta: -- Curso dos Liceus, de Letras e Operações Especiais. Depois olhou para mim: -- E com estas habilitações o que sabe fazer? 
Respondi-lhe muito calmamente: 
-- Olhe, isso significa que sei ler, escrever, disparar todo o tipo de armas ligeiras e pesadas, montar, desmontar e fazer explodir bombas...
A mulher arregalou os olhos (por acaso eram um verde giro), despachou rapidamente a papelada, deu-me um cartão com um número, que devo ter perdido logo de seguida, e mandou-me embora num ápice como se eu fosse um dos malfadados pepinos que andam por aí a dar cabo do pessoal da erva... 
Fosse pelas minhas "habilitações" ou não, a verdade é que toda a malta nas minhas condições tinha de se apresentar de xis em xis tempo não sei onde e a mim nunca ninguém apelou à minha digna e charmosa presença. 

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