quinta-feira, 28 de julho de 2011

Só a MORTE calou o ZÉ MARIA !

Moura, terra Natal do Zé Maria...

O meu amigo Zé Maria morreu ontem. Deixou-nos de repente, embora o seu estado de saúde fosse precário desde há alguns anos. Alentejano de Moura, foi sempre um revoltado anti-sistema, anti-regimes, anti-partidos, anti-corrupção, anti tudo o que prejudicasse Portugal e os mais desfavorecidos. Antes do 25 de Abril andou à berlaitada entre os chaparros com a GNR, numa altura em que essa força policial fazia esmorecer os ímpetos contestatários dos mais valentes. Era contra a organização colonial do País, mas esteve em Angola como oficial da Força Aérea para não o julgarem um cobardolas que se esgueirava sorrateiramente dos campos de batalha onde muitos dos seus amigos o acompanhavam. Na Democracia lutava sozinho, sem receios de consequências nefastas para a sua vida profissional e familiar. No emprego, nos bancos, nos hospitais, nas finanças, cafés, restaurantes, fosse onde fosse, o Zé Maria protestava, discutia, barafustava, assinava livros de reclamações e se necessário andava à estalada aos "burocratas" que não o atendiam com atenção e urbanidade, como se exige a qualquer um que esteja num serviço de atendimento público. Nos bons velhos tempos, ainda com a saúde no auge, cantava as modas alentejanas às duas ou três da manhã quando ia na rua a caminho de casa. E coitados dos PSP's que viessem importunar a sua alegria com regulamentos da treta. Acompanhei-o em dezenas de serões. Era um prazer integrar uma tertúlia com ele. Era culto, recitava, filosofava, declamava passagens de obras-primas da Literatura. Enfurecia-se com Salazar, Caetano, Sá Carneiro, Mário Soares, Cavaco, Guterres, Sócrates, tudo e todos que representassem o poder opressor. Não ligava à Internet e muito menos a grupos virtuais. Acamaradava com os amigos reais. Verdadeiros. Fez  mais ele sozinho na sua luta diária pelas liberdades individuais que muitos movimentos e associações cívicas mais ou menos numerosos. O Zé Maria era um genuíno "guerreiro" anti-sistema. Um cruzado da justiça contra todas as injustiças. Fossem todos como ele e o País não estaria encurralado num beco aparentemente sem saída. Só a Morte conseguiu calar a voz incómoda do Zé Maria. Descansa em paz, AMIGO!

4 comentários:

  1. Aqui fica a minha homenagem ao teu amigo Zé Maria! E os meus sentimentos...

    Um abraço

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  2. Obrigado Tozé pela partilha da homenagem ao teu amigo Zé Maria que pela descrição, afinal era amigo de todos nós. É dessa força, determinação, desígnio e exemplo que este país tanto precisa. Um bem haja a todos os Zé Marias. Arménio Mesquita

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  3. Os meus agradecimentos à minha grandíssima amiga Marta e ao amigo Zé Maria pela vossa atenção.

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  4. Descansa em paz Zé Maria, gostei da sua biografia contada por um amigo.BRAVO ao AUTOR!

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