segunda-feira, 14 de novembro de 2011

MILITARES, FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS E UMA DEMOCRACIA QUE JÁ SE FINOU



As manifestações de sábado, 12 de Novembro, confirmaram o que eu penso sobre estes "desfiles". Já o escrevi várias vezes mas agora tenho um motivo suplementar para fazê-lo, uma vez que numa deles estiveram presentes 10 mil militares reformados, na reserva ou no activo. Não sou contra quem exprima publicamente o seu protesto, seja ela individual ou colectivo, mas como ex-militar achei deprimente ver tantos homens que combateram na Guerra de África e noutros palcos mais recentes "marcharem" enquadrados pela Polícia, o braço armado do sistema político, como se fossem uma claque de futebol a caminho de um Benfica-FC Porto, Sporting-Benfica ou FC Porto-Sporting.
Como ex-militar jamais participaria numa semelhante "ordem unida" com um PSP ao lado a ver se me portava bem. Chamou-me particularmente a atenção a presença de um ex-"comando" africano, um preto (não me venham com balelas ou críticas racistas porque combati ao lado deles em variadas ocasiões e nunca entendi esta palavra como depreciativa) com duas cruzes de guerra ao peito, sinal de bravura e distinção em combate.
Aposto singelo contra dobrado que aquele ex-"comando" africano terá sido um dos poucos sobreviventes dos milhares que foram fuzilados na Guiné-Bissau pelo governo de "libertação" (e democrático, claro...) do PAIGC de Luís Cabral após a independência daquele país e que Portugal vergonhosamente abandonou depois de deles se ter servido como "carne para canhão".

Falaram os repórteres amiúde, durante a manifestação, nas declarações do coronel Otelo Saraiva de Carvalho a incitar à revolução. Só a iliteracia das Novas Oportunidades poderia levar a semelhante conclusão. O major (e não capitão como a ignorância quase geral se refere ao posto que detinha na altura) que comandou o Golpe de Estado do 25 de Abril a partir do Quartel-General da Pontinha afirmou que não concordava com manifestações de militares fardados e que "as Forças Armadas devem intervir quando ULTRAPASSADOS CERTOS LIMITES"... o que é substancialmente diferente do que quer jornalistas quer comentadores deturparam à medida dos seus dislates político-pessoais.
Resta-me acrescentar neste ponto que nem sequer nutro qualquer simpatia especial pelo coronel Otelo Saraiva Carvalho uma vez que a minha unidade no período do PREC de 75 era adversária do COPCON e nunca entrou em utopias folclóricas revolucionárias ou abusos discricionários de poder com mandados de captura em branco. Aliás, o 25 de Novembro colocou o rumo do País fora da órbita de um PCP que odiava Otelo Saraiva de Carvalho mas também longe das garras do MDLP direitista do general António de Spínola.

Uma vez que fosse, concluindo, concordo com o coronel Otelo Saraiva de Carvalho. "Ultrapassados certos limites", as Forças Armadas têm o dever e a obrigação de intervir e evitar sofrimentos limite ao povo português.

Os funcionários públicos que pela enésima vez calcorrearam a Avenida da Liberdade voltaram a casa do mesmo modo que saíram: muitos deles com os ordenados definhados e a despedirem-se, quiçá para sempre, dos subsídios de férias e de Natal. A UGT e a CGTP, divisões anexas do Partido Socialista e do Partido Comunista, respectivamente, cumpriram mais uma missão "democrática" tolerada pelo Governo, enjaulados na "caixa" policial que os mantinha ordenados qual rebanho obediente ao pastor e aos cães de guarda. Mais umas horas de fama para João Proença, Carvalho da Silva, Mário Nogueira, os eternos "pastores" destas hordas disciplinadas e obedientes de modo quase pavloviano às palavras de ordem ensaiadas entre as quatro paredes partidárias.

Tudo isto cheira-me mais a resignação do que a indignação. E o "sistema" agradece. Mas não retribui!

A propósito: quantos daqueles funcionários públicos que passearam na Avenida da Liberdade (?) não entraram no paraíso do emprego para toda a vida pela via da cunha dos partidos políticos?

Vou relembrar aqui algo que parece não merecer muita importância entre a massa rebelde mas que, quanto a mim, é o período mais negro da Europa desde a II Guerra Mundial. O fim da Democracia, tal como a conhecíamos. Hoje em dia não são os governos que dirigem as nações e muito menos os povos que escolhem o seu destino. A sombra do Todo-Poderoso (Maçonaria, FMI, Banco Mundial, BCE e Conselho Judaico Mundial) faz e desfaz governos ao sabor dos seus interesses.
Goste-se ou não de algumas personagens, o certo é que Zapatero desapareceu da vida política de Espanha, Papandreo foi engolido na Grécia após ganhar um voto de confiança na assembleia e ascendeu ao lugar um burocrata ex-vice-presidente do Banco Central Europeu, em Itália aconteceu precisamente o mesmo e reina um tecnocrata ex-comissário da União Europeia, com a gravidade de ter sido nomeado apressadamente senador vitalício para poder tomar posse do cargo.

Curiosamente, mas não surpreendentemente para mim, após estes golpes palacianos os "indignados" desapareceram das praças da Grécia, de Espanha e de Itália. Quando o Povo teve oportunidade de se fazer ouvir...desapareceu. Que mãozinha marota e ao mesmo tempo sombria e tenebrosa manobra as marionetas das ruas?

A Europa do Norte está em silêncio, o Benelux idem, a Grã-Bretanha não pia, os países de Leste emudeceram, o Sul recolheu a casa. Por cá, vamos atirando umas "pedradas" facebookianas ao Cavaco, ao Sócrates, ao Passos Coelho & Cª Lda. como se eles detivessem algum poder de decisão nesta Nova Ordem Mundial.

O que se passa?

O Fim da Democracia (excepto uns votos de vez em quando) perante a apatia geral. Até que a "situação ultrapasse certos limites", parafraseando o coronel Otelo Saraiva de Carvalho. 

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