domingo, 4 de agosto de 2013

Cão, 77.000 - Criança, 0


Em 1484, o Papa Inocêncio VIII promulgou uma bula contra os feiticeiros, acusando de heresia milhares de pessoas, um bom número das quais sendo culpadas apenas por possuírem um gato. Por toda a Europa, milhares de pessoas inocentes foram torturadas em nome de Deus, por serem acusadas de feitiçaria e adoração a Satanás. E juntamente com elas, os seus gatos. Este Papa inquisidor incluiu o gato na lista dos perseguidos pela inquisição, campanha assassina da Igreja contra supostas heresias e bruxarias. Nesta mesma época, Leonardo da Vinci escreveu: "chegará o dia em que um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade." Leonardo era um admirador de gatos, e considerava “o menor dos felinos” uma obra-prima.

Era normal na Idade Média constituíam-se tribunais para julgar cavalos, burros, machos, mulas, cães, gatos, ovelhas, cabras e toda a espécie de animais que cometessem crimes contra a boa ordem religiosa e secular da época. Mas a aberração continua em pleno século XXI.

Vem este arrazoado a propósito de um cão que atacou e matou um menino de 18 anos, em Beja, na residência que partilhavam. O "Zico", arraçado de pitbull, já tinha atacado por duas vezes o próprio dono. Qualquer pessoa minimamente conhecedora da vida animal sabe que um cão depois de provar sangue pela primeira vez nunca mais é o mesmo. Adiante. 

Num País civilizado, e não numa chungaria como esta à beira-mar plantada, a família da criança seria acusada de homicídio por negligência e o cão abatido. Ponto final. Mas nesta espécie de estado independente de ADN anárquico-esquisitóide nada do que parece, é. 
O cão foi recolhido pelas autoridades e de imediato dez mil (!!!) cidadãos (?) enfileiraram-se em manada para assinar uma petição pública contra a sentença de morte do "Zico". O Ministério Público abriu um inquérito após participação da Polícia de Segurança Pública e quando pediram ao dono do cão (e tio da vítima) os documentos deste, a resposta foi "não me lembro onde os tenho"... 
Entretanto, nesta sequência alucinante de loucura colectiva, uma associação denominada ANIMAL tem, neste momento, a guarda do cão, por ordem do Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, e este (o cão) vai ser agora sujeito a acompanhamento por especialistas em "comportamento animal". 
Para tornar toda esta miserável história ainda mais repugnante, alguém que deve andar a fumar coisas esquisitas decidiu mudar o nome do bicho de "Zico" para "Mandela", numa tremenda falta de respeito para com uma das personagens mais respeitáveis da História Contemporânea Mundial, que agoniza presentemente num hospital da África do Sul, corroído pelas maleitas dos seus provectos 95 anos. 
Vá lá que a falta de decoro não foi ao extremo de o padrinho ou a madrinha o (re)baptizarem de "Jesus Cristo", "Maomé", "Papa João Paulo II" ou "Dalai Lama"...

Em toda esta indigente odisseia fica provado "urbi et orbi" que, afinal, o racional de quatro patas merece esta liberdade condicional enquanto mais de 10 mil irracionais de 2 patas necessitam urgentemente de "acompanhamento especializado" sob pena de a realidade superar loucamente a ficção... 

Tudo isto é realmente abaixo de cão!

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